loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 31/07/2026 | Ano | Nº 6279
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Polícia

Polícia

Pol�cia vai intimar pitboys sobre morte de Klebson

Ouvir
Compartilhar

EDNELSON FEITOSA O delegado do 9º Distrito, Fernando Artur, afirmou ontem que os pitboys Charles Alexandre França, o ?Charlão?, Leandro Albuquerque Ferro, o ?Leleco?, Tiago Lira e Paulo Henrique Gouveia devem ser intimados a depor no inquérito que apura o assassinato do estudante Klebson Silva Almeida, 19, executado com um tiro de revólver calibre 38 no abdome, quando saía de uma casa de espetáculos, na Serraria, na madrugada do último domingo. ?Charlão?, ?Leleco? e Paulo Henrique respondem a processo pelo espancamento que aplicaram em Klebson, no dia 11 de julho do ano passado, no interior da boate Uau, em Jaraguá. Tiago Lira, apesar de indiciado no inquérito policial, foi inocentado na Justiça. Klebson foi surrado pelo grupo de lutadores de jiu-jítsu até ficar desacordado. O grupo teve prisão preventiva decretada pela Justiça e passou 120 dias recolhido ao presídio Cirydião Durval. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que soltou Leandro, acabou beneficiando os outros dois acusados e os três terminaram sendo postos em liberdade em dezembro do ano passado (leia matéria nesta página). Ameaças Durante o velório de Klebson, os familiares confirmaram que o rapaz passou a sofrer ameaças e ser seguido por homens não identificados, desde que o grupo de ?Charlão? foi colocado em liberdade, chegando a ser avisado por amigos de que poderia vir a ser assassinado. Kátia Almeida, mãe de Klebson, contou que seu filho foi seguido por um homem armado, durante o carnaval, em fevereiro passado. Também no carnaval, Klebson teria sido seguido por dois homens tatuados, numa motocicleta. No entanto, segundo Kátia, o filho parecia não se intimidar e tentava viver sua vida da maneira mais normal possível para um jovem de 19 anos. Ela chegou a pedir que o filho fosse embora para São Paulo, mas ele insistia que primeiro precisava terminar seu curso de computação. Depois, pensaria na proposta da mãe. O delegado Fernando Artur não tem uma data prevista para intimar os pitboys a depor no cartório da Delegacia do 9º Distrito. Ele declarou ter 30 dias de prazo legal para concluir as investigações e, se for preciso, pode ainda solicitar um prazo complementar à Justiça para realizar investigações. A intimação de ?Charlão? e seu grupo depende, segundo o delegado, de o pai ou a mãe de Klebson confirmar suas suspeitas de um provável envolvimento dos pitboys na morte do filho. Kátia já garantiu que Klebson não tinha intrigas, senão aquela que contraiu na madrugada do dia 11 de julho, quando foi espancado dentro da boate Uau. *** Testemunhas: crime não foi assalto Os quatro amigos que estavam com Klebson na madrugada do último domingo confirmaram à polícia que dois homens, que estavam num veículo Gol, cor branca, interceptaram e mataram o estudante com um tiro no abdome, num trecho da Avenida Juca Sampaio, na Serraria. Eles descartaram a hipótese de assalto e afirmaram que não eram os pitboys que estavam no carro. Ricardo Nonato de Araújo, 19, Hosman de Oliveira Silva, 18, Jean David Rodrigues de Souza, 24, e Tiago de Oliveira Silva, 20, saíram no sábado à noite com Klebson para a casa de espetáculos Vila Show, na Serraria. Placa errada Os quatro garantem que não ocorreu nada de anormal durante o show e que Klebson não encontrou nenhum dos pitboys no local; senão, teria dito aos amigos. ?Eles asseguraram também que não houve confusão ou desentendimento envolvendo Klebson. O crime ocorreu do lado de fora, quando eles tentavam apanhar um táxi para retornar para casa?, declarou o delegado Fernando Artur, que preside o inquérito. Ricardo Nonato entregou ao delegado um pedaço de papel no qual estava anotada a placa do veículo usado pelos matadores do estudante (MUZ 1647-AL). Nesse momento, o delegado percebeu que havia um erro no Boletim de Ocorrência, pois a placa era MUC 1647-AL que é de um veículo Gol, de um taxista. O taxista, que havia sido localizado, já estava no prédio da Delegacia do 9º Distrito, no Jacintinho, para prestar depoimento. O delegado ouviu primeiro o motorista do veículo referido no BO. ?Ele declarou no depoimento que na madrugada de domingo não trabalhou e que seu carro estava em casa. Garantiu ter provas de que o táxi estava em sua casa?, destacou o delegado. O taxista, que teve o nome preservado pela polícia, foi liberado. *** Morte pode ter sido por encomenda Ainda de acordo com o delegado do 9o Distrito, Fernando Artur, depois da descoberta da verdadeira placa do Gol branco, trazida em um pedaço de papel por uma das testemunhas, foi acessado o novo número pelo sistema de Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavan), e se descobriu que se trata da placa de uma motocicleta e que o proprietário reside no município de Arapiraca, no Agreste do Estado. Ou seja, o veículo dos matadores de Klebson tinha placa fria, o que deixa claro que foi um crime planejado, provavelmente executado por matadores de aluguel. Um crime encomendado, o que reforça as informações das quatro testemunhas de que não se tratou de tentativa de latrocínio, conforme as primeiras informações chegadas à imprensa, de que um homem gritou que era um assalto e, em seguida, sem roubar nada, deu um tiro na vítima e fugiu. Incidente Um incidente entre jornalistas e parentes das quatro testemunhas ouvidas na delegacia do 9º Distrito, na manhã de ontem, quase acaba em confusão. O pai de um dos rapazes, que não quis se identificar, partiu para agredir dois repórteres fotográficos, apesar de seu filho estar com o rosto coberto com uma camisa. A agressão não foi consumada graças à interferência de policiais. O delegado Fernando Artur confirmou que os amigos de Klebson estão com muito medo, porque se tornaram testemunhas de um crime de grande repercussão. ?Expliquei que eles cumpriram uma obrigação para com o amigo e a sociedade, quando concordaram em colaborar com as investigações da polícia?, completou o delegado. ?Se for preciso, a Polícia Civil dará segurança a eles?, assegurou Artur. *** Advogado e família: pitboys estão fora de AL FELIPE FARIAS O advogado de defesa de três dos quatro acusados pelo espancamento de Klebson Almeida, Raimundo Palmeira, informou ontem ter encaminhado ao juiz do caso os novos endereços de dois deles, que estão fora de Alagoas, segundo o advogado. Palmeira, que representa Charles Alexandre França (Charlão), Leandro Albuquerque Ferro (Leleco) e Paulo Henrique Gouveia, afastou a possibilidade de que a informação tenha algo a ver com o assassinato de Klebson, como uma espécie de álibi do grupo. ?Como o processo a que eles respondem na Justiça ainda está tramitando, poderia haver necessidade de eles serem intimados e, nesse caso, a autoridade judicial precisaria saber onde eles estão. Na verdade, nós já havíamos informado isso; estamos agora apenas atualizando esses endereços?, informou Palmeira. Os três estão entre os autores do espancamento praticado contra Klebson numa boate de Jaraguá, em junho do ano passado, pelo qual passaram mais de três meses na prisão, até serem libertados por ordem da Justiça. No último domingo, Klebson, que, segundo a família, passou a receber ameaças depois que os acusados deixaram a prisão, foi assassinado quando saía de um show, na Serraria. ?Não digo que isso possa comprometer o andamento do processo [contra Charlão, Leleco e Paulo Henrique pelo espancamento], mas, de qualquer forma, é ruim porque faz retornar à mídia fatos desagradáveis para eles, bem no momento em que conseguimos provar que não houve tentativa de homicídio?, disse o advogado. Endereços Segundo Palmeira, Leleco está internado para tratamento psicológico no Centro de Apoio Psicológico e Terapêutico Harmonia, na Clínica Alvorada, em São Paulo, desde 31 de janeiro. E Charlão, que passou no vestibular para o curso de Educação Física, no Rio de Janeiro, está empregado numa loja de artigos esportivos, no bairro de Ipanema, disse o advogado. ?Paulo Henrique continua em Maceió, mas no dia do crime estava com o filho doente e ficou em casa, o que sua vizinhança pode atestar?, informou. Palmeira disse, ainda, que os informou sobre a morte de Klebson, o que os teria deixado ?chocados?. A reação mais drástica, porém, foi das famílias, que, segundo o advogado, estão ?desesperadas? por causa da associação que tem sido feita. ?As próprias famílias estão empenhadas em que se investigue. Elas estão conscientes de que não há associação nenhuma, porque eles não seriam loucos. Mas temos de admitir que, se a polícia não tiver ainda uma linha de investigação, claro que vai querer ouvir todas as pessoas que tiveram algum atrito com ele [Klebson]?. Pai O médico Urânio Ferro, pai de Leandro Ferro, o Leleco, atribuiu ?à imprensa? a associação entre o assassinato de Klebson e o fato de ele ter denunciado a agressão que sofreu, o que fez com que seus agressores fossem para a prisão. ?Entendemos que a família está sofrendo, mas considero que é preciso se aprofundar um pouco mais na vida dele [Klebson]. Não há possibilidade de envolvimento deles [Leleco e os demais agressores], até porque não estão aqui?, desabafou. Ele contou que, após 60 dias na prisão, Leleco adquiriu dengue hemorrágica; o que o levou a ficar mais 40 dias internado no Hospital dos Usineiros. Ao deixar o presídio, apresentou sintomas de paranóia, pelo fato de ser reconhecido na rua e execrado, o que o levou ao tratamento na clínica em São Paulo.

Relacionadas