Polícia
Filho de empres�rio foge de cativeiro, mas�seq�estro � mist�rio
CARLA SERQUEIRA Depois de muito mistério e desinformação na cidade de União dos Palmares, acabou no começo da noite de ontem o suposto seqüestro ? há outras versões para o caso ? do ex-militar Ricardo Cavalcante Veras, 22 anos, filho do comerciante Luiz Carlos Veras, do ramo de materiais de construção. Segundo sua própria versão, Ricardo teria conseguido fugir do cativeiro onde supostamente estava desde o dia 5, em Xexéu, interior de Pernambuco, por volta das 6h de ontem. A polícia também trabalha com a hipótese de ter sido um seqüestro ?armado? (leia matéria abaixo). Ricardo Cavalcante chegou à cidade por volta das 19h e foi direto para a delegacia prestar depoimento, driblando a multidão que o esperava em frente à loja do pai. ?Ele veio para a delegacia prestar esclarecimentos sobre o seqüestro, num procedimento normal?, informou a delegada que dirige as investigações, Kátia Cavalcante, explicando que, após ter encontrado Ricardo, teve que realizar buscas nos locais por onde a vítima teria passado com os supostos seqüestradores. O seqüestro Por volta das 17h, Ricardo Cavalcante, seu pai e suas irmãs ? uma de 10 e outra de 12 anos ? foram rendidos quando saíam da loja em um Celta branco, na BR-104. Três homens armados teriam atacado o grupo, anunciando um assalto. Em seguida, as meninas saíram correndo e Luiz Carlos conseguiu se livrar de um dos seqüestradores. ?Meu filho estava no banco do motorista, com duas armas apontadas para a sua cabeça e não conseguiu fugir, sendo levado pelos bandidos?, contou Luiz Carlos Veras. Segundo a delegada Kátia Cavalcante, os três seqüestradores não foram identificados e continuam foragidos. ?As investigações ainda não foram concluídas?. Ainda de acordo com ela, o pai não chegou a pagar pelo resgate. De acordo com o depoimento prestado à polícia por Ricardo Veras, ?os seqüestradores teriam deixado a vítima sozinha, quando foram para a cidade de Palmares tentar um contato com a família. ?Segundo ele [Ricardo], os bandidos teriam o amarrado de forma muito frágil e ele conseguiu fugir em direção a um posto policial, numa rodovia próxima à cidade de Xexéu. Ele vai ter que fazer o exame de corpo de delito, disse Kátia. As buscas envolveram o batalhão da PM de União dos Palmares e o Tático Integrado de Grupos Especiais de Resgate (Tigre). ?O nosso objetivo era resgatar a vítima com vida e foi o que aconteceu?, afirmou Kátia Cavalcante. *** Pai não descarta farsa do filho Desde o último sábado, quando Ricardo Cavalcante Veras foi supostamente seqüestrado, a cidade de União dos Palmares estava em expectativa, aguardando saber o paradeiro do rapaz. Alguns rumores indicam que o seqüestro pode ter sido uma farsa. Questionado sobre quem poderia ter seqüestrado seu filho, o empresário Luiz Carlos Veras relatou: ?Veja bem, o que se vê hoje no mundo é filho matando pai, pai inventando que filho está seqüestrado, tio seqüestrando sobrinho. Então, ninguém está fora de ser investigado. Em cima disso aí, eu não descarto qualquer possibilidade. Para isso, dei todas as informações à polícia. O que eu não admito é irresponsabilidade?. Luiz Carlos, no entanto, prefere não acreditar na possibilidade de seu filho ter forjado o seqüestro. ?Agora, se você perguntar se ele [o filho] teria feito isso, eu lembro dos casos em que aquela menina (Suzane Louise Von Richthofen, 19 anos, em São Paulo) matou os pais com o namorado por causa de dinheiro. Com base num caso daqueles, pode acontecer qualquer coisa. Agora, 99% eu acredito que ele está livre disso, mas 1% a gente fica na dúvida?. Ricardo Cavalcante Veras aparentava estar tranqüilo após o depoimento que prestou à polícia, quando chegou em União dos Palmares. A família estava tensa, desde a notícia de que Ricardo havia sido localizado, no município de Xexéu, em Pernambuco. Sem receber informações concretas da polícia ? que trabalhou todo tempo em sigilo, ?para não prejudicar as buscas? ? Luiz Carlos, por volta das 20h, entrou na delegacia nervoso. ?Sou diabético, sofro de pressão alta e tomo 11 comprimidos por dia. Preciso de alguma informação. Se meu filho é bandido, eu tenho direito de saber?, pressionou Luiz Carlos. A delegada que preside o inquérito, Kátia Cavalcante, não quis falar sobre a possibilidade de o seqüestro ter sido uma armação. ?Não posso trabalhar com suposições. Enquanto as investigações não forem concluídas, não posso afirmar nada?, ponderou. (CS)