Polícia
MP acompanhar� investiga��o do caso Klebson
FELIPE FARIAS O promotor de Justiça Elício Murta, que atua na 6a Vara Criminal, foi designado como representante do Ministério Público para acompanhar as investigações sobre o assassinato de Klebson Almeida. O rapaz, que foi espancado por pitboys numa boate de Jaraguá, ano passado, vinha recebendo ameaças e acabou assassinado no último fim de semana. A designação foi feita ontem pelo procurador-geral de Justiça, o chefe do Ministério Público Estadual, Coaracy da Mata Fonseca, e a portaria deve ser publicada hoje no Diário Oficial do Estado. ?O promotor já foi comunicado pessoalmente. Ele deverá acompanhar todo o caso, inclusive apurando eventuais ameaças que sejam feitas a testemunhas e tomando as providências cabíveis?, informou Fonseca. A designação de um representante do Ministério Público para acompanhar de perto o trabalho policial tinha sido solicitada pela desembargadora Elizabeth Carvalho, durante sessão do Tribunal de Justiça de Alagoas, anteontem. A desembargadora criticou a liberação dos acusados pelo espancamento. Segundo a família de Klebson, ele passou a receber ameaças de morte após a liberação dos agressores, há cerca de um mês. O procurador-geral não quis, entretanto, dar opinião sobre alguma suposta associação entre o crime e o espancamento. ?O crime foi lamentável, mas o que posso dizer é que a polícia não pode descartar nenhuma hipótese. Tudo deve ser investigado?, disse, acrescentando não poder fazer comentário sobre suposta associação. Ao final da investigação, o inquérito que tramita no 9º DP sobre o assassinato de Klebson será remetido à Justiça, onde vai ser analisado pelo MP, mas a lei garante à instituição a prerrogativa de acompanhar as apurações ainda no âmbito policial. Como representante do MP, Murta poderá acompanhar os depoimentos e todas as etapas do trabalho das equipes da delegacia. *** Caso repercute no TJ-AL Além da designação de um representante do Ministério Público (MP) para acompanhar de perto as investigações sobre a morte de Klebson Almeida, a desembargadora Elizabeth Carvalho cobrou também que, tão logo a polícia possua indícios sobre envolvidos, deve solicitar sua prisão temporária, para que eles não atrapalhem as apurações. A afirmação foi feita na última terça-feira, durante sessão ordinária do plenário do Tribunal de Justiça. Ao proferir seu voto num processo de habeas-corpus, a desembargadora disse ter se lembrado do caso Klebson e, aproveitando a presença do procurador-geral de Justiça substituto, Luciano Chagas, fez a solicitação. ?Falei como cidadã; não tanto como desembargadora. Mais uma vez, uma vítima tomba no solo de Alagoas?, disse a primeira mulher a ocupar uma cadeira na mais alta corte do Judiciário de Alagoas. O crime provocou comoção pelo fato de Klebson já ter sido vítima de um episódio violento: o espancamento promovido por um grupo de lutadores de artes marciais, que foi gravado em imagens ? o que reforçou o flagrante. Tão logo o caso veio a público, teve início uma discussão jurídica que igualmente dividiu opiniões, pois se cogitou que os acusados seriam enquadrados apenas por lesão corporal leve. Ao saber que a designação de um promotor para acompanhar o caso já tinha sido feita, a desembargadora aprovou. ?Graças a Deus, nosso pedido surtiu efeito?. (FF)