Polícia
M�e de Klebson dep�e e muda investiga��o
FELIPE FARIAS Um depoimento em que ?atirou para todos os lados? e no qual apresentou pelo menos uma linha de investigação que já estaria respaldada nos fatos apurados até agora. Foi como a polícia definiu as cerca de cinco horas em que a enfermeira Kátia Almeida foi ouvida no cartório do 9º Distrito, no inquérito que apura a morte de seu filho, Klebson, assassinado no último domingo, na Serraria. Klebson foi espancado numa boate, em julho, no episódio que ficou conhecido como o dos ?pitboys?, que, pela agressão, passaram três meses na prisão. Klebson vinha recebendo ameaças e sendo seguido pelas ruas. A enfermeira foi a sexta pessoa ouvida sobre o caso, depois dos colegas de Klebson, que estavam com ele na hora do assassinato. Mas, de acordo com o chefe de operações da delegacia, Pedro Aranda, todas as informações prestadas pela enfermeira terão de ser conferidas. ?O depoimento dela tem muita importância, pelo fato de ser a mãe, de ter mantido contato com outras testemunhas e de saber da realidade do filho antes do crime. Mas temos de considerar também que são informações com uma carga emocional muito forte. Por isso, nós a orientamos a tentar separar a razão da emoção e teremos de fazer uma apuração cuidadosa do que ela informou?, disse Aranda. Sobre as informações da mãe de Klebson apontarem para uma associação entre o assassinato e o espancamento sofrido por ele em julho do ano passado, o policial disse que ?nem aponta nem afasta? tal possibilidade. A princípio, não há, segundo a polícia, nenhum fato ligando os dois episódios diretamente, mas o espancamento na boate foi novamente citado pela mãe de Klebson em seu depoimento de ontem. Intimação Por isso, não estaria descartada a intimação dos pitboys Charles Alexandre França (Charlão), Leandro Albuquerque Ferro (Leleco), Paulo Henrique Gouveia e Tiago Lira. Os dois primeiros estão fora de Alagoas ? Charlão, no Rio de Janeiro, Leleco, em São Paulo. ?Não há nada de concreto que ligue o assassinato a eles, mas não se pode deixar de admitir que, depois do episódio da boate, os pitboys passaram a fazer parte da vida do Klebson?. Segundo o chefe de operações, não há depoimentos marcados para hoje porque os responsáveis pela investigação deverão fazer uma análise do depoimento de Kátia Almeida antes de dar prosseguimento às investigações. *** Davino quer PF e MP na apuração do assassinato EDNELSON FEITOSA O secretário de Justiça e Defesa Social, Robervaldo Davino, afirmou ontem à GAZETA que vai pedir apoio da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) para entrar na apuração do assassinato do estudante Klebson Silva Almeida. Davino pediu o reforço da PF logo após se reunir com a mãe da vítima, Kátia Almeida, na delegacia do 9º Distrito. Ele afirmou que crimes de repercussão requerem trabalho integrado. ?Por isto, também solicitei o acompanhamento de um promotor do Ministério Público, para que tudo fique o mais transparente possível?, disse. O secretário citou, como exemplo, o esclarecimento do crime do professor Paulo Bandeira, ocorrido em Satuba, que resultou na prisão do prefeito da cidade, Adalberon Morais, e que contou com o reforço da Polícia Federal. Ele advertiu que a Segurança do Estado fará ?tudo que for possível? para esclarecer o homicídio. Davino destacou que não existe somente uma linha de investigação. O que há de mais forte são os indícios que apontam como prováveis envolvidos no crime os pitboys processados, porque espancaram Klebson na boate Uau, no ano passado. ?Se eles forem citados pelas testemunhas, ninguém tenha dúvida de que serão ouvidos pelo delegado Fernando Artur?, completou o secretário. Na última terça-feira, o advogado Raimundo Palmeira afirmou que seus clientes, os lutadores de jiu-jítsu Charles Alexandre, o Charlão, e Leandro Ferro, o Leleco, estão fora do Estado. A Justiça sabe o endereço deles. Dos três processados pelo espancamento, somente Paulo Henrique Gouveia permanece morando em Maceió. Robervaldo Davino declarou que Kátia, mãe de Klebson, lamentou não ter comunicado as ameaças que ele vinha sofrendo, desde que os pitboys deixaram a prisão, em dezembro do ano passado, ou pedido proteção policial.