Polícia
Delegado do caso Tony pede pris�o de PMs
EDNELSON FEITOSA Num relatório de 40 páginas, o delegado do 3º Distrito, Carlos Alberto Fernandes Reis, descreve para a Justiça como e por quem o comerciário Tony Herbert Roberto da Silva, 24, foi seqüestrado e executado a tiros no último dia do Maceió Fest, em 21 de novembro do ano passado. Ele pede a prisão preventiva dos quatro policiais militares ? um cabo e três soldados ? acusados de envolvimento no crime e ressalta a necessidade de exumação do cadáver, por causa de contradições nos laudos do IML e do Instituto de Criminalística. O Inquérito Policial Militar (IPM), presidido pelo major Eduardo Lucena, também foi concluído esta semana e pede a prisão preventiva dos quatro policiais militares. O inquérito da Polícia Civil tem dois volumes e quase mil páginas de depoimentos, interrogatórios e documentos que provam, segundo o delegado Reis, a participação do cabo PM Jailton Firmino e dos soldados PM José Ronaldo dos Santos, Marcelo Carlson Lima de Oliveira e Abdi Ferreira Félix no crime. ?Estou encaminhando o inquérito nesta sexta-feira à Justiça e dou o meu trabalho por concluído?, afirmou o delegado. A prisão Tony Herbert foi encontrado morto nas imediações da Braskem, no Pontal da Barra, poucas horas depois de ser entregue por uma equipe de guardas municipais da SMTT a uma guarnição do Batalhão de Radiopatrulha (RP). Os guardas declararam à polícia que entregaram o comerciário a um cabo da Polícia Militar que chefiava a guarnição da RP ? o cabo Firmino. Reconhecimento O delegado Carlos Alberto Fernandes Reis declarou que 300 militares foram submetidos a reconhecimento pelos guardas municipais. Entre eles, estavam 150 cabos que trabalharam no dia 21 de novembro, último dia do Maceió Fest. Foram catalogadas, apresentadas e analisadas todas as viaturas de marca Blazer, pertencentes aos batalhões que participaram da segurança do evento. *** Inquérito pede exumação de cadáver Foram quase três meses de investigações até surgir o primeiro suspeito. Um cabo PM, identificado como Jailton Firmino, do Batalhão de Policiamento de Guarda (BPGd), que parecia, de acordo com os guardas municipais, com o policial militar que recebeu o preso: Tony Herbert teria tentado arrombar um veículo, próximo à CSM, uma unidade do Exército, no Centro. ?Os guardas acharam que havia semelhança com o cabo que comandava a guarnição da RP. Então, pedimos informações sobre onde ele trabalhou no último dia do Maceió Fest, e descobrimos que estava lotado na Radiopatrulha, por intermédio do major Gilmar Batinga. Requisitamos a apresentação do pessoal que trabalhou com ele, inclusive com coletes da RP (como estavam no dia da prisão) e foi efetivamente confirmado que tal guarnição recebeu Tony Herbert?, revelou o delegado. Caso concluído O delegado Carlos Alberto Reis considera que os autos do inquérito sobre a morte do comerciário estão concluídos. ?Termino hoje [ontem] o relatório e encaminho amanhã [hoje] à Justiça?, destacou ele, que não vai pedir devolução para diligências complementares, pois considera desnecessário. ?Estou solicitando a prisão dos militares. Peço também que seja realizada exumação do cadáver, para dirimir dúvidas quanto ao número de projéteis que atingiram a vítima?. O delegado informou que o laudo cadavérico, que é assinado por dois legistas, relatou apenas um tiro, que atingiu a cabeça da vítima. Entra em considerações sobre o ferimento, mas, em nenhum momento, destaca que havia um tiro no dedo mindinho da mão direita, que ficou evidente, inclusive por foto, no laudo pericial de local do Instituto de Criminalística. (EF) *** Não houve tortura, diz laudo do IC O Instituto de Criminalística descreveu, em detalhes, o local onde o cadáver de Tony Herbert foi localizado e em que condições estava o corpo. O comerciário foi encontrado sem a calça e a cueca: vestia somente uma camisa. Mas o laudo diz que não havia sinais de tortura, descritos em entrevistas por parentes da vítima. O delegado Carlos Alberto Reis informou que vai tirar cópias dos dois laudos e encaminhar ao diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, para que sejam adotados procedimentos administrativos cabíveis, inclusive no âmbito da Corregedoria Geral, e apurar responsabilidades, em virtude dos prejuízos causados às investigações. Quando o cerco aos acusados começou a se fechar e o cabo PM Firmino foi preso porque estava portando uma pistola calibre 7.65 sem registro, o advogado Armando Correia dos Santos decidiu apresentar seus clientes, os soldados Ronaldo, Carlson e Abdi para prestarem novo interrogatório e falar a verdade sobre a morte de Tony Herbert. As declarações dos policiais militares, prestadas no Quartel do Comando Geral (QCG), no Centro, foram acompanhadas pelo delegado Carlos Reis, pelo major Lucena e pelo promotor Luiz Vasconcelos, representantes do Ministério Público, além do advogado dos acusados. Os soldados ?abriram o jogo? e confessaram que o cabo PM Firmino, comandante da guarnição, pegou o comerciário nas imediações dos escritórios da TIM, na Praia da Avenida, e determinou que a viatura seguisse em frente até o Cinturão Verde da Braskem, antiga Salgema. Quando chegaram ao local, dois dos militares desceram para urinar, enquanto um terceiro ficou encostado na porta da viatura. ?Nesse momento, o cabo Firmino desceu, retirou o preso e seguiu com ele até um arbusto, onde efetuou os dois disparos?, esclareceu o delegado. De volta à viatura, Firmino avisou aos soldados: eles não tinham visto ou ouvido nada. Dizendo-se ?atônitos e assustados?, eles preferiram silenciar, o que pode ser considerado pela Justiça como omissão. Eles garantem, afirmou o delegado, que não sabiam o que Firmino pretendia fazer, pois é comum se realizar rondas em diversos locais. ?Estou indiciando os quatro no crime. O entendimento de omissão ou não será da Justiça?, concluiu o delegado. (EF)