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Seq�estro em Uni�o ter� sigilo telef�nico quebrado

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BLEINE OLIVEIRA Só a prisão dos três homens que seqüestraram o estudante Ricardo Cavalcante Veras, 22, poderá esclarecer se o seqüestro foi uma armação com a participação da própria suposta vítima no episódio. Depois de passar cinco dias em poder dos supostos seqüestradores, Ricardo, que é ex-tenente do Exército brasileiro, conseguiu escapar sem que a família tenha pago qualquer resgate. O episódio começou na cidade de União dos Palmares, na tarde do último sábado. As investigações continuam e, segundo o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, só serão encerradas quando a polícia esclarecer o que de fato ocorreu. Ontem, Ricardo Veras foi ao Instituto Médico Legal Estácio de Lima para se submeter a exame de corpo de delito (perícia de vestígios que podem constatar materialmente o crime). O resultado será encaminhado à delegada Kátia Cavalcante, que comanda as investigações desde o primeiro momento. O secretário Robervaldo Davino ressaltou que a suspeita de armação não foi levantada pela polícia. Mas admitiu que alguns fatos precisam ser melhor esclarecidos. ?Não podemos nos precipitar, comentando versões. O trabalho da polícia é investigar os fatos. Isso é o que estamos fazendo? ? declarou Davino, assegurando que os fatos serão esclarecidos. Para o secretário, independentemente das conclusões futuras, ?o importante é que o rapaz está vivo e com sua família?. Após o exame de corpo de delito, a investigação será complementada com o pedido de quebra do sigilo telefônico do próprio Ricardo Veras, cujo aparelho celular ficou ligado durante todo o período do seqüestro. Para agentes policiais que acompanham o caso, esse não é um comportamento comum a seqüestradores. Um vizinho de Ricardo, cujo telefone também foi usado para contato com a família, é outro elemento de investigação e deverá ter o sigilo quebrado. Entre os diversos questionamentos da polícia está a versão de que o rapaz teria ficado amarrado a uma touceira (moita) de cana. Isso teria facilitado a fuga. Para Wilson Cavalcante Veras, 33, irmão do seqüestrado, é absurda a suspeita de que Ricardo teria armado a situação para tirar dinheiro do pai, o agrônomo e comerciante Luiz Carlos Veras, proprietário de uma loja de material de construção em União dos Palmares. ?Meu irmão é uma pessoa de caráter. Todos nós temos absoluta certeza de que ele foi vítima de um crime? ? afirmou Wilson, ressaltando que sua família espera que a polícia prenda os três homens, para que tudo seja esclarecido. *** ?Tudo tem que ser visto?, diz polícia FÁTIMA ALMEIDA Policiais da Delegacia de União dos Palmares estavam ontem realizando buscas para esclarecer o mistério do suposto seqüestro do ex-tenente do Exército Ricardo Veras. Algumas pistas seguidas pela polícia foram dadas pela própria vítima, que teria conseguido escapar dos seqüestradores na tarde da última quarta-feira, após ter sido deixado sozinho, amarrado, num cativeiro em Xexéu (PE). Segundo a polícia, as investigações não apresentam novidades além do que já foi divulgado pela imprensa. Locais citados no depoimento de Ricardo Veras, por onde ele teria passado em poder dos seqüestradores, foram vistoriados pela polícia, que encontrou, segundo o chefe de serviço da delegacia de União, Renato Santos, marcas de que alguém teria estado lá e, em alguns lugares, evidências de que fora amarrado. ?Ele disse que ficou em cativeiro móvel. Durante o dia, era amarrado no meio de canaviais e, à noite, passava andando, sempre mudando de local?, explicou o chefe de serviço. Numa dessas ocasiões, Ricardo teria conseguido se desamarrar e fugir. Vestígios O policial Renato Santos confirmou que a polícia encontrou marcas nas canas, trechos amassados e vestígios da presença recente de alguém. A permanência de Ricardo nos canaviais e as caminhadas noturnas teriam sido a causa de algumas escoriações leves que, segundo a polícia, ele apresenta em partes do corpo. A própria polícia orientou a família para que o encaminhasse ao Instituto Médico Legal, ontem mesmo, para ser submetido a exame de corpo de delito. Renato destacou que a hipótese de que o seqüestro poderia ter sido uma armação não foi levantada pela polícia, mas também será investigada. ?Em nenhum momento a polícia levantou essa suspeita, mas, como existem comentários sobre isso na cidade, temos que investigar. Qualquer detalhe tem que ser levado em consideração nas investigações. Tudo tem que ser visto?, observou o policial. Histórico De acordo com a versão da família, Ricardo Veras foi seqüestrado no dia 5 de março, por volta das 17h, quando o veículo em que ele se encontrava, em companhia do pai, Luiz Carlos Veras, e duas irmãs, de 10 e 12 anos, foi tomado em assalto por três homens armados, na BR-104, em União dos Palmares. O pai e as irmãs de Ricardo conseguiram fugir, mas ele foi levado pelos bandidos, no carro da família, que foi abandonado e incendiado a poucos quilômetros do local do crime. Até ontem à noite, os seqüestradores ainda não haviam sido localizados nem identificados. Em depoimento prestado à polícia, Ricardo informou que foi deixado amarrado na quarta-feira, enquanto os seqüestradores teriam ido até a cidade de Palmares (PE), tentar contato com a família. Ele conseguiu se soltar das amarras e fugir, chegando até um posto policial, próximo à cidade de Xexéu (PE). As informações oficiais são de que a família não chegou a pagar resgate pedido pelos seqüestradores, no valor de R$ 30 mil. Recuperação Ontem, durante toda a manhã, Ricardo permaneceu em sua residência, na Serraria, em companhia de familiares e amigos. Não quis falar com a imprensa, dizendo-se ainda muito abalado e fragilizado com o acontecimento. Os familiares também preferiram se resguardar. Faixas e muitas visitas davam um clima de apoio e solidariedade. Conversas a meio tom falavam do drama vivido pela família nos últimos dias, das correntes de oração, do desespero e da espera que durou quatro dias; e do alívio pelo desfecho positivo que teve a história.

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