Polícia
Pol�cia acredita que depoimentos�esclarecem assassinato de Klebson
EDNELSON FEITOSA Os depoimentos de oito testemunhas e outros procedimentos investigativos desencadeados pela Polícia Civil nas últimas 24 horas são apontados pelo delegado do 9º Distrito, Fernando Artur, como decisivos para a elucidação do assassinato do estudante Klebson Silva Almeida, 19, executado com um tiro de revólver no abdome há cerca de dez dias, quando deixava uma casa de shows, na Serraria. No entender do delegado, a polícia está a um passo de identificar os matadores do estudante, que tinha sido espancado por quatro lutadores de artes marciais no mês de julho do ano passado, crime ocorrido dentro da boate Uau, em Jaraguá. O caso alcançou repercussão na sociedade local por envolver jovens da classe média e parentes de pessoas bastante conhecidas no Estado. Os acusados passaram a ser chamados pitboys. O instrutor de jiu-jítsu Charles Alexandre França, o ?Charlão?, Leandro Ferro, o ?Leleco?, Paulo Henrique Gouveia e Tiago Lira foram indiciados por envolvimento no crime. Tiago foi inocentado pela Justiça, enquanto os outros três tiveram a prisão decretada e terminaram presos por 120 dias. No entanto, em dezembro do ano passado, foram soltos por habeas-corpus. Passados sete meses do espancamento, Klebson acabou assassinado. Os familiares declararam que ele havia recebido ameaças de morte, logo após a liberação dos quatro pitboys por decisão da Justiça. A mãe, Kátia Almeida, prestou um longo depoimento e apresentou suas suspeitas. Porém, afirmou que o filho tinha se envolvido num problema em Paripueira e que foi seguido por dois motoqueiros tatuados, em Maceió. Os dois episódios ocorreram durante o carnaval. Depoimentos Na manhã de ontem, o delegado Fernando Artur ouviu o depoimento de Davi Peixoto, que tinha sido apontado por testemunhas como ex-aluno de jiu-jítsu e amigo de ?Charlão?. Segundo a namorada da vítima, Célia Regina, ele teria tentado se juntar ao grupo de amigos de Klebson, nos últimos três meses, logo após as ameaças do carnaval. ### ?Charlão? não tem data para depor O delegado do 9O Distrito, Fernando Artur, revelou que oito testemunhas do caso foram ouvidas nas últimas 24 horas. Os depoimentos foram acompanhados pelo promotor de Justiça Elício Ângelo e pelas delegadas Paula Francinete e Simone Marques, designadas pela Polícia Civil para colaborar nas investigações. ?Foram depoimentos importantes que trouxeram fatos novos, que serão investigados e podem ajudar a esclarecer o crime?, disse o delegado. Artur acrescentou que não existe ainda uma data para que ?Charlão? seja novamente intimado a depor sobre o crime. Ele deveria ter sido ouvido na manhã da última segunda-feira. No entanto, o advogado Raimundo Palmeira esteve na delegacia e declarou que seu cliente estava trabalhando e estudando no Rio. Mais depoimentos Célia Regina declarou à polícia que Davi encontrou o grupo de seu namorado Klebson na boate Aerogato, um estabelecimento consi9derado de ?reputação duvidosa?, no Jaraguá. Ele teria saído com amigos do estudante para outro bar e ficado com a vítima a noite toda, tentando ingressar na turma. Davi Peixoto, que evitou a imprensa, confirmou ao delegado que encontrou com seu amigo Fabiano, no Aerogato, onde conheceu Célia, namorada de Klebson, e um rapaz, identificado como Luizinho. Davi acrescentou que Fabiano revelou que os três pretendiam ir para outro local, um bar conhecido como Sítio do Reggae, em Jacarecica. Teria sido Fabiano, segundo ele, quem chamou para acompanhar seus amigos até Jacarecica. Ele não sabia que se tratava do grupo de Klebson, pois não conhecia o estudante. Ficou sabendo quem era depois que ele morreu, pelas notícias dos jornais. A testemunha negou que tenha conversado com Célia sobre ?Charlão?, pois não conhecia o instrutor de jiu-jítsu, dizendo que o ?quimono? que estava no banco do seu veículo, um Gol, pertencia a ele e não a ?Charlão?. Declarou que não poderia ter falado sobre alguém que não conhecia. Quando se matriculou na academia do Stella Maris para estudar artes marciais, ?Charlão? já não ensinava jiu-jítsu no local.(EF)