loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Polícia

Polícia

Coron�is denunciam sistema prisional de AL

Ouvir
Compartilhar

BLEINE OLIVEIRA O sistema prisional alagoano é considerado ?falido?, e somente verbas federais podem recuperá-lo. A superlotação e a falta de estrutura para ressocializar os detentos são alguns dos problemas que a Secretaria Executiva de Ressocialização (SER), responsável pela administração dos presídios, enfrenta. A situação é tão grave que o secretário Walter Gama foi obrigado a aceitar o pedido de exoneração apresentado por assessores diretos que alegam absoluta falta de condições de trabalho para continuar nos cargos. E o próprio secretário admite que os assessores estão certos. Com elogios ao desempenho dos coronéis PM James Pinto de Amorim e José Agamenon Oliveira da Silva, o secretário confirma que eles não tiveram como realizar o trabalho para o qual foram nomeados. Os dois oficiais, que exerciam os cargos de superintendente de administração e diretor do sistema prisional, justificaram o pedido de demissão, alegando que não querem ser jogados ?na vala comum dos irresponsáveis?. Os militares se referem à falta de condições para enfrentar a superlotação dos presídios. O Baldomero Cavalcanti, de onde esta semana três presos fugiram por um túnel, tem capacidade para 444 detentos, mas hoje estão lá 560 pessoas. O presídio Cirydião Durval, construído há menos de três anos, também está superlotado. Criado para abrigar 320 presos, hoje ali estão encarcerados 662 detentos. Autoridades silenciam Num ofício encaminhado ao secretário, eles afirmam que procuraram trabalhar com dedicação e desprendimento, mas esbarraram na falta de preocupação das autoridades federais e estaduais. No documento, os coronéis James Amorim e Agamenon Oliveira apontam, entre as autoridades que ?silenciam diante da crise no sistema prisional?, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, o Tribunal de Justiça de Alagoas, o Juizado de Execuções Penais, o Ministério Público, o Conselho Penitenciário, a OAB-AL, a Defensoria Pública, autoridades da área de direitos humanos, o Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública, a Coordenação de Justiça e Defesa Social e o governo de forma mais ampla. Para provar que a atual gestão da SER não mede esforços para que o órgão se estruture, os coronéis relacionam ?pedidos feitos e nunca atendidos pelo governo?. Reforço no concreto das paredes dos módulos do presídio Baldomero Cavalcanti, funcionamento do Hospital de Custódia e Tratamento, construção de muros em presídios de Maceió e Arapiraca, compra de coletes, armas e munições não-letais, bloqueadores de aparelhos celulares e aquisição de computadores para as unidades penais são algumas das solicitações. Mesmo admitindo que seus agora ex-assessores têm razão, o secretário Walter Gama sai em defesa do governo e explica que a situação em Alagoas é semelhante à de qualquer outro Estado. Segundo ele, a crise do sistema prisional é uma realidade comum a todo o País, excetuando São Paulo que, de acordo com informação do próprio Gama, apresenta-se em boas condições pelos investimentos feitos. ?Falta de recursos e de vagas é um problema de todos?, disse o secretário. Mas ele afirma que é preciso ter paciência. ?O trabalho é difícil, mas não podemos nos afobar?, declara Gama, que deve anunciar hoje os nomes dos substitutos dos oficiais exonerados.

Relacionadas