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Juiz solta mototaxista acusado de matar Macl�ia

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REGINA CARVALHO O mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva, apontado como autor material do assassinato de Macléia dos Santos Souza, teve a prisão preventiva revogada pelo juiz da comarca de Atalaia, Manoel Tenório, a pedido do advogado Carlos Pedrosa. Depois de passar 17 dias preso na delegacia de Atalaia, o mototaxista foi solto na tarde de ontem. ?No relatório da polícia não existiam provas suficientes contra ele, por isso pedi a revogação da prisão preventiva?, disse o advogado. O advogado Carlos Pedrosa criticou a atuação do delegado Ednaldo Marques que, segundo ele, concluiu o inquérito com muitas falhas e levou em consideração apenas uma linha de investigação. Pedrosa acrescentou que o inquérito da Polícia Civil foi conduzido ?de forma dirigida? para incriminar Amália Miranda Lopes e José Sérgio. ?O delegado disse que houve contradição no depoimento do mototaxista, mas isso não aconteceu. Não existem provas suficientes para Amália e Sérgio serem denunciados?, acrescentou Pedrosa. O juiz de Anadia, Willamo de Omena Lopes, ex-amante de Macléia, disse ontem à GAZETA que a devolução do inquérito policial ao delegado Ednaldo Marques, para que sejam realizadas novas diligências, não lhe causou surpresa. ?Sempre confiei na Justiça. Tenho certeza de que minha mulher não fez isso. Quando ela soube do meu relacionamento com Macléia, teve ciúmes, mas passou. Acredito que houve direcionamento para incriminá-la?, declarou. Willamo de Omena disse, ainda, que apresentou ao delegado várias linhas de investigação sobre o assassinato de Macléia, mas ele desconsiderou. ?Ele apenas seguiu uma linha de investigação, a que envolvia minha mulher?, afirmou. O juiz questionou até mesmo a paternidade do filho de Macléia, que é considerada fato. ?Existe, sim, a possibilidade de ele ser meu filho, mas todo mundo sabe que ela era uma garota de programa. Ela não era minha amante; saíamos uma vez por mês e olhe lá, e era escondido. Na dúvida com relação à paternidade, passei a dar mesada de R$ 120 para comprar o leite da criança. E ainda me responsabilizei pelo restante das despesas, como saúde e roupas ?, ressaltou. Perguntado se não era pouco o valor da mesada, quando comparado com o salário recebido por um juiz, ele disse que ?foi um valor estipulado pela própria Macléia?. O juiz admitiu que durante o tempo em que teve um envolvimento amoroso com ele, Macléia não saía com outros homens. ?Nessa época, ela limitou-se a ficar somente comigo. Depois que tudo terminou, para não criar mais transtornos, eu mandava o dinheiro da mesada pelo meu empregado e não visitava a criança, para evitar maior contato com ela [Macléia]?, afirmou. Casado há 31 anos com Amália, Willamo disse que a esposa teve ciúmes no início, quando soube do relacionamento, mas isso depois foi superado. ?Quando eu e Macléia terminamos, soube que ela estava se envolvendo com outras pessoas e freqüentava um bar na Chã do Pilar?, ressaltou. O juiz disse que sua rotina de trabalho não mudou. Ele continua indo, normalmente, ao Fórum de Anadia. ?Para não pensar nesse problema, mergulho nos processos e fico até tarde da noite trabalhando?, disse. ### ?Delegado agiu de má-fé comigo? O juiz de Anadia, Willamo de Omena Lopes, disse que Macléia teria dito a um empregado dele que estava namorando um rapaz chamado ?Sandro?, acusado e preso por envolvimento com drogas. ?Ele foi preso no dia 5 de fevereiro, depois que ela foi morta. O delegado sabia disso e não investigou. Ele disse até que o depoimento do meu empregado não interessava?, explicou. Willamo acusa o delegado Ednaldo Marques de ?direcionar? as investigações. Segundo ele, sua esposa Amália Miranda Lopes, que foi indiciada pela polícia como suspeita de mandante do crime, está ?traumatizada? com as denúncias. ?Foi uma tempestade na minha casa?, disse o juiz. ?Ela [a esposa] está fazendo tratamento psicológico e trancou a faculdade onde fazia o curso de Direito, porque não tem mais condições de estudar?, declarou o juiz. Amália resolveu não dar entrevistas nem ser fotografada, segundo o juiz, por medo de ser vítima de familiares de Macléia. ?Na família dessa moça (Macléia) existe gente perigosa que mora na Chã do Pilar, e minha mulher tem medo de que algo possa acontecer com ela. Por uma questão de segurança, é melhor ela não aparecer?, afirmou o juiz. O juiz disse, ainda, que o delegado ?agiu de má-fé? quando pediu à Justiça a quebra de sigilo telefônico. ?Ele disse que o telefone era da minha mulher, mas na verdade era meu. Não estou sendo acusado de nada; ele não tinha esse poder. Futuramente, alguém vai ter que responder por isso que está acontecendo com a minha família. Espero que a Justiça encontre os verdadeiros culpados pela morte de Macléia?, concluiu o juiz Willamo de Omena Lopes. Inquérito na polícia O promotor de Justiça Nilson Miranda devolveu à Polícia Civil, na última quinta-feira, o inquérito sobre a morte de Macléia. De acordo com o promotor, novas investigações devem ser feitas para esclarecimento do crime. ?Pelo inquérito, não dá para saber nem mesmo se o corpo é realmente de Macléia. Não vi elementos suficientes para oferecer denúncia contra Amália e José Sérgio?, explicou Nilson Miranda. (RC) ### Caso será retomado segunda-feira EDNELSON FEITOSA O delegado de Atalaia, Ednaldo Marques, retomará as investigações do assassinato de Macléia dos Santos na próxima segunda-feira. Ele informou não ter recebido de volta o inquérito do representante do Ministério Público (MP), promotor Nilson Miranda, que determinou novas investigações. Macléia desapareceu no dia 2 de fevereiro, e e um corpo de mulher, presumivelmente dela, foi encontrado 25 dias depois, numa canavial da zona rural de Boca da Mata. A família sustenta que o cadáver encontrado no canavial é de Macléia. Sua mãe, Inês dos Santos, diz que reconheceu as sandálias, uma presilha de cabelo e restos de roupas que foram recolhidas pelo pessoal do Instituto Médico Legal Estácio de Lima. A identificação do cadáver é contestada pela defesa dos dois acusados ? a proprietária rural Amália Lopes e o mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva. Segundo o advogado Carlos Pedrosa, não será possível aceitar o reconhecimento do corpo caso não seja feito exame de DNA, o que não foi possível porque a parte do corpo retirada no IML estava em estado avançado de decomposição. No entender do delegado, isto não será problema. ?Podemos solicitar a exumação do corpo e realizar a retirada de outra parte para DNA, ou mesmo efetuar o exame de arcada dentária, que também é eficiente e aceito pela Justiça?, declarou ele. O delegado afirmou que solicitou o exame de DNA por considerar o mais seguro, que não deixa sombra de dúvidas. ?Se for preciso, vamos insistir na necessidade de coletar material para insistir no exame, hoje realizado pela Ufal?, completou. Como não recebeu o inquérito de volta, o delegado não soube informar quais serão as diligências solicitadas pelo promotor e preferiu não fazer comentários. O delegado Ednaldo Marques indiciou, como suspeita de mandante da morte de Macléia, Amália Lopes, esposa do juiz Willamo Lopes, que teve um relacionamento amoroso com a vítima, do qual nasceu um menino. Segundo testemunhas, Amália não aceitava o vínculo do juiz com a criança e queria que Macléia fosse embora de Atalaia. Pelo que a polícia levantou, o crime pode ter sido praticado por José Sérgio, um mototaxista amigo particular da acusada, para quem Amália tinha financiado uma motocicleta, logo após tomar conhecimento da existência da amante do marido e do filho.

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