Polícia
Caso Klebson: pol�cia tenta testemunha-chave
EDNELSON FEITOSA A polícia tenta localizar, com a ajuda da Justiça, uma testemunha-chave do inquérito sobre a morte do estudante Klebson Almeida, executado com um tiro no abdome quando saía de uma casa de espetáculos, na Serraria. O crime ocorreu na madrugada do domingo 6 de março. Segundo o delegado Fernando Artur, a testemunha é a pessoa que presenciou a confusão envolvendo a vítima e um grupo de rapazes, em Paripueira. ?Essa pessoa teria condições de identificar o grupo que perseguiu Klebson durante o carnaval e seria capaz de esclarecer pontos obscuros das declarações da namorada dele, Célia Regina, a respeito do episódio?, esclareceu o delegado. Pressões Nas declarações que fez à Polícia Civil, na presença de Kátia Almeida, mãe de Klebson, Regina discorreu sobre o problema, inclusive revelando detalhes. Porém, ela voltou a depor na Polícia Federal (PF), alegando não ter se sentido confortável para falar a respeito de problemas envolvendo o rapaz, pois estava se sentindo pressionada na Delegacia do 9º Distrito. Na sede da PF, ela não entrou em pormenores do caso de Paripueira e reforçou os dados de um problema recente, ocorrido nas imediações da Boate Aerogato, um estabelecimento de reputação considerada duvidosa, em Jaraguá. Disse ter ouvido de Klebson que tinha sido seguido por homens num veículo escuro e grande, e que ele estava com um amigo que informou se tratar de assaltante. O que ficou claro é que Klebson também freqüentava a Aerogato, a exemplo de Davi Peixoto, o pitboy que Regina declarou ser amigo e ex-aluno do lutador Charles Alexandre, o Charlão, fato que foi desmentido pelo próprio Davi, em depoimento no 9º Distrito. ### Delegado mantém sigilo sobre os depoimentos e acareações As contradições nos depoimentos foram tantas que o delegado Fernando Arthur terminou decidindo por uma acareação entre testemunhas. O resultado do confronto das testemunhas não foi divulgado pelo delegado que preside o inquérito. ?Estamos analisando o teor das declarações de todas as testemunhas. Preferíamos já ter ouvido o rapaz de Paripueira, mas ainda não tivemos oportunidade de interrogá-lo?, informou o delegado. As declarações da testemunha são consideradas tão importantes que o delegado admite que podem esclarecer o homicídio ou, no mínimo, deixar às claras questões que podem levar aos matadores do estudante. Klebson Almeida foi vítima de espancamento na boate Uau, em julho do ano passado, praticado por um grupo que ficou conhecido como ?pitboys?. Os acusados Charles Alexandre França, Leandro Albuquerque Ferro e Paulo Henrique Gouveia foram presos e processados. Um quarto suspeito foi inocentado pela Justiça. Em liberdade Os pitboys presos foram soltos em dezembro do ano passado. Segundo a mãe de Klebson, desde então o filho perdeu o sossego e passou a ser ameaçado e perseguido por pessoas que ele não conhecia. Como o filho não tinha inimigos declarados, Kátia Almeida atribuiu o homicídio aos pitboys, quando prestou depoimento à polícia. O delegado Fernando Arthur assegurou que vai fechar o inquérito no prazo determinado, próximo dia 31. Briga em Paripueira O delegado voltou a afirmar que não descarta a suspeita sobre a participação dos pitboys Charles Alexandre França, o Charlão, Leandro Albuquerque Ferro, o Leleco, e Paulo Henrique Gouveia no assassinato do estudante. Entre as chamadas linhas de investigação, o delegado trabalha com a informação de que Klebson pode ter sido morto em decorrência de uma briga que teve com um grupo de rapazes, em Paripueira. O delegado ressaltou que tanto o espancamento quanto a suposta briga em Paripueira são alvo da investigação policial que vai dizer qual dos casos tem relação com o crime de homicídio. (EF)