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Caso Macl�ia: nova prova contra esposa de juiz

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BLEINE OLIVEIRA A jovem Macléia dos Santos Souza, de 23 anos, não teria sido a primeira mulher a ser ameaçada pela fazendeira Amália Miranda Lopes, esposa do juiz de Anadia, Willamo de Omena Lopes. Apontada como suspeita de mandante do assassinato de Macléia, Amália Lopes foi denunciada, no ano passado, na Delegacia de Defesa da Mulher, por ter ameaçado de morte uma médica. O motivo teria sido o mesmo que ela nutria em relação a Macléia: ciúmes do marido, conforme consta de queixa policial feita pela médica. Segundo a polícia, Amália suspeitava de um relacionamento amoroso entre a médica, que trabalhava em Anadia, e o juiz Willamo. O episódio foi confirmado pelo diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, e pela delegada de Defesa das Mulheres, Fabiana Leão. O diretor-geral disse que determinou ao delegado Ednaldo Marques, que investiga a morte de Macléia, que a queixa prestada pela médica fosse anexada ao inquérito policial. Até ontem, isso não havia ocorrido. Sentindo-se ameaçada, a médica ? cujo nome não foi revelado por segurança e para preservar sua privacidade ? recorreu à delegacia, onde denunciou ameaças de morte que Amália Lopes estaria lhe fazendo. A fazendeira compareceu à delegacia acompnhada de um advogado, onde foi ouvida pela delegada Fabiana Lopes e negou as acusações. A médica ? ainda segundo os relatos policiais ? apresentou uma fita com gravações da voz de Amália prometendo matá-la se continuasse a suposta relação com o juiz. Mesmo assim, depois de registrar a ocorrência na delegacia, a médica desistiu de representar contra a fazendeira. Somente com a representação, a delegada Fabiana Leão poderia fazer o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e abrir um inquérito policial para investigar as ameaças. ?Não fizemos TCO porque a médica desistiu da ação, alegando motivos de foro íntimo. O que ela nos disse é que fez a denúncia para se salvaguardar? ? afirmou a delegada de Defesa da Mulher. Ao tomar conhecimento do envolvimento de Amália Miranda Lopes como suspeita de mandante do assassinato da jovem Macléia Souza ? com quem o juiz Willamo Lopes teve um filho, hoje com um ano e nove meses ?, a delegada Fabiana comunicou o episódio ao diretor-geral da Polícia Civil. ?Recebi oficialmente a informação e determinei ao delegado que inclua o episódio no inquérito, inclusive anexando a fita gravada com a voz da esposa do juiz fazendo ameaças, jurando a médica de morte? ? disse Roberto Lisboa, admitindo que essa providência não foi adotada pelo delegado Ednaldo Marques. O diretor da Polícia Civil preferiu não revelar o nome da médica que foi ameaçada por Amália Lopes. ?O fato é verdadeiro, mas não seria correto tornar público o nome da vítima. Ela poderia se sentir ameaçada? ? explicou Roberto Lisboa. Amália Lopes foi indiciada como suspeita de mandante do seqüestro, assassinato e ocultação do cadáver de Macléia, que morava em Atalaia. Ela desapareceu no último dia 2 de fevereiro, e um corpo, presumivelmente o dela, foi encontrado, com sinais de estrangulamento, no dia 27 de fevereiro último, num canavial queimado em Boca da Mata. Também foi indiciado o mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva como autor material do crime.

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