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Agiota induzia doentes � morte no golpe do seguro

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FELIPE FARIAS Equipes da Delegacia Especializada de Investigações e Capturas (Deic) prenderam ontem à tarde o agiota Renato Patrício da Silva, 35, acusado de aplicar uma modalidade do ?golpe do seguro? que visava alcoólatras em estado terminal, por meio de seguro de vida da Mongeral, empresa que trouxe o caso à tona. Segundo o delegado do caso, Denisson Albuquerque, depois de localizar as vítimas que se enquadravam nesse perfil, Patrício tomava-lhes os documentos sob o pretexto de providenciar aposentadorias ou aumento nos benefícios ? para os que já possuíssem. De posse deles, fazia seguros de vida em que os beneficiários eram ele mesmo ou sua mãe, Lenira Maria da Conceição, de 63 anos. As vítimas geralmente eram portadoras também de doenças como tuberculose ou cirrose hepática, mas eram visitadas por Renato, que lhes levava, segundo a polícia, cachaça e cigarros ? para que morressem logo. ?Temos a denúncia ? que terá de ser ainda investigada ? de que alguns desses cigarros continham até veneno de rato?, informou Albuquerque. Em depoimento, familiares de uma das vítimas disseram que Renato a pegou em casa, em Porto da Rua, litoral norte de Alagoas, dizendo que a levaria ?para fazer exames de vista?. Até hoje, vinte dias depois, José Batista da Silva Neto continua desaparecido. O médico e ex-vereador Mauro Guedes ? que era conhecido como Mauro Jegue, quando tinha mandato ? foi indiciado por prestar informações falsas porque concedeu atestado de óbito sem ver o corpo, segundo o delegado. Suspeitas Pelo menos quatro vítimas do golpe foram identificadas pela polícia, em Maceió, Porto da Rua e São Miguel dos Milagres: Luís Pereira de Azevedo, José Batista da Silva Neto, conhecido como Zé Gotinha; José Manoel da Silva, conhecido como Quinhentos, morador de São Miguel dos Milagres, e Benedito Antônio da Silva, morador da capital. ?Luís Pereira foi a primeira vítima. Em relação à apólice dele, os golpistas conseguiram receber o seguro, no valor de R$ 50,8 mil. Mas foi o único que conseguiram?, relata Albuquerque. Entretanto, em relação a outras vítimas, as apólices chegavam a R$ 100 mil e R$ 175 mil. Uma delas trazia um terceiro beneficiário, José Nilson dos Santos, que será investigado. O titular da Deic estima que o golpe contra Luís Pereira, bem-sucedido, teria encorajado o criminoso a continuar. De acordo com Albuquerque, as suspeitas tiveram início na matriz da seguradora Mongeral, no Rio de Janeiro, depois que seus auditores registraram um nível elevado de coincidências de informações nas apólices que traziam Renato ou a mãe como beneficiários. Também teria chamado atenção, segundo Albuquerque, o fato de a mãe de Renato figurar como sua companheira em algumas apólices. Uma equipe veio a Alagoas e manteve contato com o secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, e com o diretor da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, que repassaram o caso ao titular da Deic. Foram três meses de investigações que levaram a polícia a estabelecer com precisão a forma pela qual o golpista atuava, escolhendo em várias comunidades alcoólatras notoriamente conhecidos para lhes fazer a abordagem. ?O argumento era providenciar uma aposentadoria. Para os que já a possuíssem, o motivo seria aumentar o valor do benefício. E daí, ele pegava os documentos?, informou. ### Indícios de outros suspeitos Para que o golpe do seguro se consumasse, o agiota Renato Patrício da Silva também falsificava rendimentos das vítimas, apresentando documentos de firmas fantasmas como comprovantes. O objetivo era aumentar o máximo possível o valor das apólices. ?Mesmo com a prisão efetuada, o inquérito vai continuar porque os indícios apontam para o envolvimento de outras pessoas?, disse o delegado. Um deles é o fato de o seguro de Luís Pereira ter sido feito em 22 de dezembro de 2002 e ele ter morrido em 6 de fevereiro do ano seguinte ? menos de dois meses depois. ?No preenchimento, Renato dizia que o titular não era portador de nenhuma doença grave. No entanto, àquela altura, Luís Pereira já teria cirrose e tuberculose. O fato de isso não ter sido conferido pode ser indício de envolvimento de pessoas da própria seguradora?, disse. De posse dos indícios, a polícia encaminhou na última sexta-feira à Justiça o pedido de decretação da prisão preventiva de Renato, concedido anteontem pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Daniel Acioly. O mandado foi executado pelo próprio chefe de operações da Deic, Joel Santos, no Centro, onde Renato atua como agiota. O responsável pelo caso justificou que a prisão se direcionou ao principal acusado porque, além de sua mãe ser portadora de problemas cardíacos ? ?apesar de comprovado o envolvimento dela também?, segundo Albuquerque ? era Renato quem mais poderia representar ameaças à apuração, inclusive pelo fato de já ter sumido com uma das vítimas. Renato foi levado para o presídio Cyridião Durval, como determinava o mandado, mas será recambiado de novo para a delegacia, hoje, para ser ouvido.

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