Polícia
Presos dois suspeitos do assassinato de Klebson
EDNELSON FEITOSA Dois estudantes de classe média foram presos como suspeitos de envolvimento no assassinato de Klebson da Silva Almeida, no início deste mês, perto de uma casa de shows na Serraria. Segundo o delegado Fernando Arthur, Pablo Diego de Mendonça Calheiros e Laércio Araújo Ramos Silva, o ?Júnior?, estão com prisão temporária, de 30 dias, decretada pelo juiz-substituto José Braga Neto, da 3ª Vara Criminal de Maceió. Eles foram presos no final da tarde de terça-feira. O delegado informou haver confirmado, inclusive por de reconhecimento, que os dois estavam envolvidos em uma tentativa de agressão sofrida por Klebson, em Paripueira, durante o carnaval deste ano. A polícia descobriu, também, que Pablo e Laércio assistiram ao espetáculo na Vila Show na noite do homicídio e que estavam num Gol branco, o mesmo tipo de veículo utilizado pelos autores do atentado contra o estudante. No entanto, um fator foi decisivo para o delegado pedir a prisão de Pablo e Laércio: as contradições nos dois depoimentos. ?Eles tentaram confundir as investigações e omitiram pormenores já conhecidos da polícia?, afirmou Fernando Arthur, acrescentando que os dois estudantes chegaram ao absurdo de negar o desentendimento ou mesmo conhecer Klebson. De acordo com a polícia, dois grupos de jovens se enfrentaram no último carnaval em Paripueira. Logo após a confusão, Klebson foi perseguido pela ?galera? rival e, por pouco, não foi espancado. O fato foi negado pelos dois estudantes presos. Quinze pessoas foram ouvidas no inquérito sobre a morte de Klebson, até ontem. Cada uma apresentou uma história diferente. Existe muita informação truncada, segundo o delegado que preside o inquérito. ?É como se as testemunhas estivessem escondendo algo ou protegendo alguém?, explicou Fernando Arthur. Segundo o delegado, Laércio Araújo Ramos Silva tem antecedentes criminais. Ele foi processado por porte ilegal de arma, mas responde em liberdade. Laércio declarou que Pablo Diego Calheiros nunca foi preso ou processado. O delegado do 9º Distrito ressaltou que poderá pedir novas prisões e anunciou para a próxima segunda-feira a realização de uma acareação entre Célia Regina, que se apresenta como namorada de Klebson, os amigos dela, Luizinho e Fabiano, além de Davi Peixoto, apontado como amigo e ex-aluno do instrutor de jiu-jítsu Charles Alexandre França, o ?Charlão?, que liderou o espancamento de Klebson na boate Uau, em Jaraguá, em julho do ano passado. As declarações de Célia e Davi são totalmente contraditórias. Eles apresentam versões diferentes para uma carona que Davi teria dado a um grupo de amigos de Klebson que ele teria conhecido na boate Aerogato, em Jaraguá. ### ?Paticipação de pitboys não está descartada? Célia Regina, que se apresenta como namorada de Klebson, garantiu, em depoimento, que foi Davi Peixoto que se aproximou do grupo, porque conhecia um dos integrantes, e quando deixavam o local ofereceu uma carona. Os quatro foram para um bar, localizado em Jacarecica, onde Davi teria sido chamado de ?pitboy?, uma alusão aos autores do espancamento de Klebson na Uau. Ele estaria com um quimono de Charlão em seu carro, pois eram amigos. Pitboys Davi Peixoto afirmou em seu depoimento que nunca soube que as pessoas que encontrou na boate Aerogato eram ligadas a Klebson, com quem disse que jamais teve contato. Desmentiu a versão de que estava com trajes de luta no veículo ou que tenha sido tratado de ?pitboy? por seu colegas do Sítio Bar, em Jacarecica. O delegado Fernando Arthur disse que a hipótese de o assassinato de Klebson ter a participação ou haver sido planejado pelo grupo de lutadores responsável por seu espancamento da Boate Uau, em Jaraguá, não está descartada. Bem como de ?Charlão? ser intimado a depor. Amigos ?Eles eram todos amigos. Estão negando agora, mas fui informado de que essa confusão de Paripueira envolveu pessoas ligadas aos ?pitboys? e o grupo de Klebson. ?Ninguém pode descartar a possibilidade de o problema ter começado porque Klebson foi identificado por eles como sendo a pessoa espancada por Charlão, pois a maioria freqüentava a mesma academia, no Stella Maris. Eles tinham vida social bastante parecida. Na delegacia, ninguém conhece ninguém?, ironizou o delegado. (EF)