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MP exige integridade f�sica para juiz e promotor

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? O procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, voltou a cobrar da Secretaria de Defesa Social reforço policial para garantir a integridade física do promotor de Justiça Luiz dos Santos Filho e do juiz Maurício Breda. Lotados na Comarca de Piaçabuçu, eles concentram esforços no sentido de elucidar pelo menos dez assassinatos ?até então considerados insolúveis? e cujos autores materiais e intelectuais podem ter ligação com políticos influentes na região sul do Estado. ?O trabalho de investigação fez com que o promotor e o juiz tivessem acesso a determinadas informações sobre crimes até então considerados insolúveis. A situação é muito grave e requer apuração rigorosa?, afirmou o procurador-geral. Questionado sobre quem são os envolvidos e quais são os crimes sobre os quais o promotor e o juiz concentram atenção, Coaracy da Fonseca manteve silêncio. ?Prefiro não entrar em detalhes para não atrapalhar as investigações?, explicou. Questionado pela GAZETA, ontem pela manhã, sobre quais são as duas famílias da região sul que teriam cinco membros envolvidos nos crimes em Piaçabuçu, o juiz Maurício César Brêda também optou pelo silêncio. ?Compreenda nossa missão. Não podemos comprometer as investigações?, explicou o magistrado. ?Ainda não obtivemos resposta às nossas solicitações. No momento [até ontem], o promotor trabalha sem segurança. Nesse caso, deslocamos alguns dos integrantes da segurança do Ministério Público para garantir a integridade física do promotor?, explicou Coaracy da Fonseca. Segundo ele, o município de Piaçabuçu é o único de Alagoas onde o promotor de Justiça enfrenta ?grandes dificuldades? para exercer suas funções profissionais. Disputa política Ameaças anônimas de morte, tendo integrantes de grupos políticos como vítimas ou protagonistas, são freqüentes na cidade. Durante a disputa eleitoral de 2004, a então prefeita e candidata à reeleição Lúcia Marinho (PSDB) pediu segurança ao governo do Estado e cogitou a renúncia à candidatura depois de sofrer perseguição e ameaças, de origem até hoje incerta. Lúcia não conseguiu a reeleição. O vencedor da disputa foi Djalma Beltrão (PTB). ### Aviso de morte na carta CARLA SERQUEIRA Uma carta anônima ? que continha ameaças de morte ao juiz Maurício Brêda e ao promotor Luiz dos Santos Filho ? chegou às mãos das autoridades policiais, entre elas o diretor geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, apontando crimes de homicídio e seus respectivos autores, que ocorreram, em sua maioria, entre fevereiro e novembro de 2004. A informação é do delegado de Piaçabuçu, Emanuel David, que assumiu a delegacia há cinco dias. ?Em vinte dias, já passaram por aqui [pela delegacia] dois delegados?, revelou. O diretor geral da Polícia Civil de Alagoas, Roberto Lisboa, afirmou que recebeu a solicitação da Secretaria de Defesa Social, pedindo o envio de mais policiamento para a cidade. ?Estou querendo falar com o promotor e o juiz ameaçados para saber o que eles querem, exatamente?, explicou ontem Lisboa, dizendo que a polícia vai ?fazer o que puder para assegurar a vida dos magistrados?. Há cerca de dez dias, o juiz Maurício Brêda solicitou um policial para fazer a segurança no Fórum de Piaçabuçu. ?Ele [o juiz] disse que queria condições para trabalhar tranqüilo no Fórum. Não demonstrou interesse em ter segurança pessoal?, informou Lisboa. O delegado Emanuel David afirmou que está analisando quatro inquéritos de assassinato, sendo dois de duplo homicídio. ?Acredito que esses crimes não estejam interligados, mas um ou dois destes inquéritos podem ter ligação com as ameaças?, avaliou, sem querer adiantar mais informações, ?para não prejudicar as investigações?. O diretor da Polícia Civil, Roberto Lisboa, informou que pediu para o delegado fazer um levantamento dos inquéritos apurados em Piaçabuçu. ?Precisamos saber por que alguns inquéritos foram concluídos e não apresentaram autoria, e depois avaliar se há relação entre os indícios das investigações e o que diz a carta?, explicou. ?Na carta, o anônimo diz que ouviu uma pessoa dizer ? o nome não foi revelado pela polícia ? que se as investigações continuarem, o juiz e o promotor vão morrer?.

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