Polícia
Delegado admite n�o conhecer o caso
Carla Serqueira Repórter O delegado que vai assumir a Delegacia de Atalaia, Tarcísio Vitorino, informou que só amanhã (14) terá acesso ao inquérito que investiga o desaparecimento de Macléia dos Santos. A substituição de Ednaldo Marques foi publicada segunda-feira, dia 11, no Diário Oficial do Estado. Tarcísio Vitorino vai deixar a Delegacia de Jaramataia para assumir as investigações sobre o seqüestro e a suposta morte de Macléia dos Santos. ?Só posso definir as linhas de investigação que irei seguir quando examinar o inquérito?, disse, afirmando que conhece pouco sobre o caso. ?Estava no Sertão e lá não via muito a TV?, justificou. Transferido para Santana do Ipanema, o delegado Ednaldo Marques, que apurou o caso desde o início, quando a mãe da jovem, Inês dos Santos, prestou queixa do sumiço de sua filha, disse que deixa as investigações satisfeito. ?Estou com a sensação do dever cumprido, não só pelo caso Macleía, mas por todos que apurei?. O diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, revelou que a transferência de Ednaldo Marques já estava planejada. ?Antes mesmo do desaparecimento de Macléia, já estávamos programando a substituição?, disse, afirmando que só não foi feita logo para não atrapalhar as investigações que já haviam se iniciado. ?Agora que o caso voltou à estaca zero, resolvemos realizar a transferência?, completou. Roberto Lisboa garantiu que a substituição de Ednaldo Marques não tem a ver com o rumo que as investigações tomaram. ?Foi um problema administrativo, interno?, limitou-se. O delegado Ednaldo Marques, no primeiro prazo que recebeu para finalizar a apuração, indiciou Amália Lopes, esposa do juiz de Anadia, Willamo Lopes, apontada como mandante do crime; e o mototaxista José Sérgio, que chegou a ser preso em Atalaia por ordem judicial, como o autor material do seqüestro e assassinato de Macléia, e depois foi solto. Para Ednaldo Marques, a transferência não foi uma surpresa. ?A substituição de delegados é rotina na Polícia Civil. Sou um soldado, vou para onde o chefe manda?, comentou. Caso parado Depois de realizar dois exames de DNA - que revelaram ser incompatível o parentesco da mãe de Macléia e de seu filho com o corpo examinado - em partes do cadáver encontrado em Boca da Mata e identificado por Inês dos Santos como sendo de sua filha, as investigações ficaram paradas e só serão retomadas quando o novo delegado de Atalaia - que assume amanhã - estudar o inquérito policial. O promotor do município, Nilson Miranda, avaliou que se a polícia não conseguir provar que o corpo encontrado em Boca da Mata é de Macléia dos Santos - desaparecida desde o dia 2 de fevereiro, ?não restará ao Ministério Público outro caminho?, senão pedir o arquivamento do inquérito policial. Para a Justiça, se não há corpo, não há crime. Nilson Miranda afirmou que vai esperar o retorno do inquérito para se pronunciar oficialmente. ?Ao Ministério Público só resta esperar pelos resultados oficiais. Mas adianto que preciso de fatos reais para denunciar os supostos autores do crime?.