Polícia
Suplente acusado toma posse e � preso
MAIKEL MARQUES Repórter Sucursal Arapiraca - A Câmara Municipal de Olho d?Água das Flores promoveu, ontem, a mais polêmica e tensa sessão de sua história. Os oito vereadores da cidade se reuniram em caráter extraordinário para assistir à solenidade de posse de Milton José Roberto (PTB), o suplente acusado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de contratar dois pistoleiros e mandar matar o titular da vaga, José Dória de Souza (PTB), vereador assassinado com três tiros de revólver no último dia 3 de abril. Numa sessão rápida e silenciosa, o acusado avisou: ?Vou provar minha inocência. Vocês vão ver!?. A posse do suplente de vereador acusado de mandar matar o titular do cargo para assumir o lugar dele parou o centro de Olho d?Água. Militares do 7º Batalhão da PM isolaram a principal avenida da cidade e limitaram o fluxo de veículos e pedestres. O esquema de segurança teve o objetivo de garantir a integridade física de Milton Roberto, que deixou a cadeia em Santana do Ipanema e chegou à Câmara de Vereadores às 9h15. Conduzido à ante-sala da presidência, aguardou cinco minutos pelo início da sessão. Milton Roberto esperou a convocação do presidente Jorge Luiz Duarte (PPS) para que pudesse entrar no plenário do Legislativo. Vereadores e populares presentes à sessão observavam o acusado ocupar a cadeira cujo titular era o vereador José Dória. A vereadora Núbia Rocha quebrou o silêncio no plenário. Ela explicou ao novo vereador que ele tinha o direito de tomar posse porque ainda não foi julgado pelo crime do qual é acusado. O acusado entregou ao presidente do Legislativo o diploma concedido no dia anterior pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por meio do juiz Durval Mendonça Júnior, titular da 42ª Zona Eleitoral. Depois de o presidente analisar o documento, Milton assinou o livro de posse e assumiu o cargo que não conquistou no dia 3 de outubro de 2004, quando obteve apenas 276 votos. ?Agora o senhor é vereador, Milton Roberto?, disse o presidente do Legislativo. Milton pegou então o microfone e, sob olhar atento da platéia, proferiu discurso de poucas palavras. ### Vereador admite que pedirá licença para atrasar processo ?Vocês vão saber a verdade. Não tenho qualquer envolvimento na morte de José Dória. Não gostaria de ocupar o seu lugar nessa situação. Estou aqui porque a lei me dá esse direito. Tenho outras fontes de renda e não dependo do salário de vereador para sobreviver. Vou provar minha inocência através da Justiça?, alegou o vereador. Antes de tomar posse, Milton Roberto confidenciou à Gazeta de Alagoas que deve encaminhar à presidência do Legislativo de Olho d?Água das Flores pedido de licença de 30 dias. Caso resolva cumprir a promessa, ele deve atrasar os trabalhos da comissão processante, que será criada na sessão de hoje pela manhã, com objetivo específico de votar a cassação de seu mandato com base nas denúncias da Polícia Civil e do Ministério Público. Se a licença for concedida, o processo de cassação será adiado. Processo A comissão processante será composta por três vereadores, que serão escolhidos mediante sorteio. Eles terão prazo máximo de 90 dias para analisar o inquérito e conceder amplo direito de defesa ao acusado. Ontem cedo, Milton afirmou à Gazeta de Alagoas que fará o possível para comparecer às sessões do Legislativo Municipal. Segundo o presidente do Legislativo, Jorge Luiz Duarte (PPS), o novo vereador poderá perder o mandato caso falte a 12 sessões consecutivas. ?Buscaremos um remédio jurídico que permita ao meu cliente usufruir de seus direitos políticos, comparecendo às sessões ordinárias do Legislativo?, explicou o advogado Wemson Santana Silva. A ascensão ao cargo confere ao acusado o direito de receber salário mensal de R$ 3.700, divididos da seguinte forma: R$ 2.700 (salário base), mais R$ 1.000 (verba de gabinete). ?Como ele não trabalhará de fato, discordamos do pagamento da verba de gabinete?, disse o presidente da Câmara. Milton Roberto continua preso na Delegacia de Santana do Ipanema. Na próxima segunda-feira, ele presta depoimento ao juiz de Olho d?Água das Flores. Em seguida, será transferido para o Presídio Baldomero Cavalcanti, em Maceió. O advogado Wemson Santana quer mantê-lo preso em Santana do Ipanema. ?Ele agora tem direito ao aprisionamento especial. Cabe a ele exercer ou não esse direito?, explicou. |MM