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Morte misteriosa de garota abala Murici

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REGINA CARVALHO Repórter Tarde do domingo 10 de abril. Juliana Cassiano da Silva, 17 anos, estava ingerindo bebidas alcoólicas com amigas no bar do ?seu Tonho?, no centro da cidade de Murici. No local, ela dançou com vários clientes do estabelecimento, entre eles Fausto Cardoso Batista Neto, 18 anos, filho do ex-vereador e candidato a prefeito derrotado nas últimas eleições, Fausto Cardoso. Por volta das 23 horas, Juliana e a amiga Rita de Cássia dos Santos, 21 anos, resolveram ir para casa. Segundo relato de Rita à polícia, Juliana disse que ia tomar banho e dormir, chegando a colocar a toalha nos ombros. ?Rita disse que essa foi a última vez que esteve com a vítima?, informou o delegado Robson Coutinho Medeiros, do 3º Distrito de Polícia de Murici. Na segunda-feira, parentes de Juliana resolveram ir à delegacia informar o desaparecimento da garota. O delegado pediu que eles esperassem mais um pouco. Na manhã de terça-feira, dia 12, um corpo apareceu na margem do rio Mundaú. Apesar de o corpo estar muito deformado, o primo de Juliana, José Firmino da Silva, o reconheceu. ?Vi que era ela, não tive dúvida em nenhum momento?, relatou Firmino, emocionado. Atestado Técnicos do Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima emitiram atestado de óbito em que constava que Juliana havia morrido por asfixia em decorrência de afogamento. Segundo o delegado, o fato de o corpo estar em avançado estado de decomposição acabou impedindo uma avaliação mais precisa da causa da morte. ?Somente com os laudos do Instituto de Criminalística, saberei ao certo o que aconteceu com Juliana: se houve realmente tortura ou estupro?, disse Coutinho. O delegado informou que Juliana tinha comportamento normal e ajudava a mãe, fabricando ?bombinhas? de fogos de artifício. Ela morava com a mãe e outros quatro irmãos numa pequena casa situada na Vila do Genildo, uma das localidades mais humildes do município. ?Motivações políticas? Fausto Cardoso Batista, mais conhecido como Faustinho, foi citado por testemunhas como uma das pessoas que tiveram contato com Juliana. Ele foi ouvido ontem pelo delegado e confirmou que conhecia a vítima e apenas havia dançado com ela. ?Não vou indiciá-lo agora porque não existem provas concretas de que ele tenha participação do crime. Estou aguardando o laudo definitivo, que deve chegar até o final do mês?, afirmou o delegado. Pelo fato de Faustinho pertencer a uma família influente no município, o delegado não descarta a possibilidade de testemunhas desejarem prejudicá-lo. ?Ele é filho de uma pessoa conhecida e influente na cidade. O fato de colocarem o nome dele como suspeito também pode ter motivações políticas?, declarou o delegado. Robson Coutinho disse ainda que todas as hipóteses serão investigadas. ?Nada está descartado, vamos investigar e indiciar, se for preciso?, acrescentou. Embriaguez Os relatos de testemunhas confirmaram que Juliana estava embriagada quando saiu do bar. ?Ela também pode ter se afogado?, disse o delegado. Ontem, Robson Coutinho ouviu oito testemunhas e três declarantes (parentes da vítima), mas não conseguiu avanço nas investigações. A polícia não tem informações se Juliana saiu de casa depois que chegou do bar. A mãe dela, Cícera Cassiano da Silva, não estava na residência quando Juliana voltou do bar com a amiga Rita de Cássia. ?Vou ouvir no mínimo vinte pessoas nesse caso?, declarou o delegado. A vila onde morava Juliana fica distante aproximadamente 600 metros do rio Mundaú, onde o corpo dela foi encontrado. ?O fato de ser um pouco distante da casa também deve ser levado em consideração?, acrescentou Coutinho. Justiça O crime chocou a cidade e mudou a rotina dos moradores de Murici. Na tarde de ontem, parentes e amigos de Juliana fizeram manifestação na frente do prédio da delegacia. Munidos de faixas e cartazes, moradores pediram justiça. ?Aqui era um lugar tranqüilo. Esse caso mexeu com todo mundo da região. Queremos justiça e punição para os acusados?, gritava uma senhora no meio da multidão, que se aglomerava em frente à delegacia. Cícera Cassiano da Silva, mãe de Juliana, estava emocionada e não conteve as lágrimas durante a manifestação. ?Tenho certeza de que minha filha foi estuprada. Não morreu afogada, como a polícia está dizendo. Quem viu o corpo dela, percebeu que ela foi maltratada. Ela me ajudava muito dentro de casa. Era uma boa filha?, disse Cícera. Bebida Parentes da vítima informaram que Juliana foi obrigada a ingerir bebida alcoólica por amigos que também estavam no bar. ?Forçaram ela a beber muito. Tinha gente lá no bar que viu isso?, denunciou a mãe de Juliana. José Firmino da Silva disse que viu o corpo de Juliana quando ainda estava na margem do rio Mundaú. ?Ela não morreu afogada, como disseram. Vi que o corpo dela estava cortado. Parecia ser corte feito com dentes e também estava cheio de cabelo na boca. Tudo indicava que ela sofreu espancamento?, acrescentou o primo da vítima. Durante a manifestação, parentes de Juliana pediram a exumação do cadáver. Segundo eles, com isso, será comprovado se ela foi realmente torturada e estuprada. Namorado ?Faustinho? negou que tivesse relacionamento com Juliana: alega que só a conhecia de vista. O delegado informou que a vítima tinha um namorado. ?Ele não será investigado porque comprovou que estava em casa dormindo?, concluiu Coutinho.

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