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Ex-prefeito acusado de fraudar merenda

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MARCOS RODRIGUES Repórter A gestão do ex-prefeito de Estrela de Alagoas, Antônio Garrote, está na mira do governo federal. Segundo queixa apresentada na Delegacia de Defraudações, nos últimos dias de seu mandato, encerrado no ano passado, foram utilizadas notas fiscais ?frias? para justificar gastos com a merenda do programa Alfabetização Solidária, desenvolvido pela organização não-governamental (ONG) do mesmo nome. A denúncia foi feita ao delegado da especializada, Nilson Alcântara, pelo auditor da entidade, Paulo Henrique Queiroz Viana. Ele esteve na cidade, a pedido da ONG, para fazer levantamento sobre a aplicação dos recursos no projeto, em 2004. Paulo Viana recebeu todos os documentos da Prefeitura de Estrela de Alagoas, por intermédio da Secretaria de Educação. Segundo contou em seu depoimento, foram utilizadas duas notas fiscais frias em compras num açougue em Maceió. O dinheiro deveria ser destinado à compra de alimentos da merenda escolar (achocolatados, biscoitos e sopa). ?Os documentos que ele auditou apresentaram, de fato, uma irregularidade. A nota da prestação de contas sequer havia sido utilizada no talonário original da empresa, que aparece como fornecedora?, explicou o delegado Nilson Alcântara. O ex-prefeito Antônio Garrote foi procurado pela reportagem da Gazeta de Alagoas, mas, segundo familiares, encontra-se em São Paulo, sendo submetido a tratamento de saúde. O golpe das notas ?frias?, além de lesar o Programa Alfabetização Solidária, envolveu o empresário Paulo Sidney Leite de Souza. Em seu depoimento, ficou comprovado que ele também foi vítima do esquema. Paulo Leite disse que nunca manteve relação comercial com a Prefeitura de Estrela de Alagoas. O delegado Nilson Alcântara juntou ao inquérito as notas frias e a original, que não chegou a sair do talonário do açougue. O documento mais importante fornecido pelo auditor da ONG Alfabetização Solidária é a ratificação dos gastos citados na nota fria do açougue, feita pela ex-secretária de Educação de Estrela de Alagoas, Elza Maria da Silva. De próprio punho, ela confirma que foram gastos R$ 2.700 e, em seguida, mais R$ 900. Depois que ofereceu a denúncia, o auditor Paulo Henrique foi orientado a deixar o Estado imediatamente. Por envolver recursos federais, não está descartada a investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Ontem, quando apresentou o caso à imprensa, Nilson Alcântara confirmou que remeterá todas as provas e depoimentos ao MP Estadual.

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