Polícia
IML pode estar encobrindo erro, diz pai
EDNELSON FEITOSA Repórter Dois legistas do Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima exumaram ontem o cadáver do comerciário Tony Herbert Roberto da Silva, 23, com o objetivo de esclarecer contradições existentes nos laudos do IML de Maceió e do Instituto de Criminalística (IC). O novo exame foi determinado pelo juiz Daniel Accioly, atendendo a pedido da polícia e da família da vítima. O legista Luis Carlos Gusmão informou que o resultado deve sair ainda esta semana. Segundo o delegado Carlos Alberto Reis, que presidiu o inquérito, existem dúvidas quanto ao número de disparos efetuados pelo cabo PM Jailton Firmino, principal acusado do crime, e se Tony foi torturado ou não antes de ser executado num matagal próximo à indústria Braskem, no bairro do Pontal da Barra. O crime ocorreu em novembro do ano passado, no último dia do Maceió Fest. O comerciário foi morto após ser preso por uma equipe de guardas municipais e entregue a uma guarnição da Radiopatrulha, comandada por Firmino. Além do cabo, outros três militares estão presos por determinação da Justiça, acusados de envolvimento no crime. Contradições Foi o delegado Carlos Alberto Reis quem primeiro identificou contradições entre os laudos. Na perícia do cadáver realizada no local do homicídio, os peritos do IC constataram que Tony tinha sido baleado na cabeça e numa das mãos, provavelmente quando tentou se defender de um dos tiros. A bala teria atingido, segundo o laudo do IC, o dedo mínimo. ]No entanto, o laudo do IML ressaltou somente um ferimento à bala, o tiro teria atravessado a mandíbula e se alojado no tórax. A família de Tony Herbert vai além da questão de ter ocorrido um ou dois tiros. O pai, o comerciante José Cícero Roberto da Silva, 41, afirmou ter visto o cadáver do filho e disse que estava cheio de hematomas, marcas que não foram informadas pelos legistas. Segundo ele, havia provas evidentes de que Tony foi torturado antes de ser morto a tiros. Encobrir erro O comerciante tinha permanecido no Cemitério de São José, no Trapiche da Barra, das 14 às 17 horas da última sexta-feira, para assistir à exumação, que acabou não ocorrendo e ficou irritado ontem quando soube que os restos mortais de Tony tinham sido recolhidos do mausoléu da família e levados para o IML sem a presença de parentes. Diante dos fatos, o pai de Tony acusou. ?A polícia me garantiu que eles só retirariam o corpo de lá na presença do pai. Eles podem ter feito isto para encobrir o erro?, declarou o comerciante. ### Legistas ameaçados de sofrer punições O pai de Tony Herbert, o comerciário José Cícero Roberto da Silva, destacou que na última sexta-feira só ficou sabendo que não haveria a exumação porque telefonou para a Delegacia do 3º Distrito. ?Eles se comprometeram em avisar a família. Acho estranho?, comentou ele, que estava no trabalho quando soube que a exumação estava em andamento. Por volta das 10 horas, ele compareceu ao Instituto Médico Legal (IML) e procurou o legista Luís Carlos para se inteirar quanto ao novo exame, oportunidade que protestou pela retirada do caixão sem a presença da família. DIVERGÊNCIAS Como forma de evitar dúvidas, o legista autorizou que o pai assistisse à exumação do corpo de Tony Herbert, que foi realizada na presença do também legista Odilon Pereira, de peritos do Instituto de Criminalística e do delegado Carlos Alberto Reis. Segundo o delegado que acredita na lisura do trabalho do legista Luís Carlos, no momento que detectou divergências nos laudos, solicitou que fosse realizada exumação do corpo. ?Era preciso que comparecessem ao cemitério apenas os peritos designados pelo juiz Daniel Accioly, no caso o legista Luiz Carlos. O mais importante é que o trabalho está sendo feito e será divulgado em tempo hábil?, frisou ele. O delegado voltou a afirmar que no caso de se confirmarem as falhas no laudo cadavérico do comerciário Tony, os legistas que assinaram o primeiro documento deverão sofrer punições administrativas. EF