Polícia
Comerciantes viram alvo de bandidos
MARCOS RODRIGUES Repórter Uma onda de pequenos assaltos e arrombamentos vem assustando comerciantes e moradores de Maceió. Na Rua Comendador Palmeira, no bairro do Farol, nas imediações da Praça Sergipe, todos os pontos comerciais já foram alvo da ação de ladrões. A maioria dos casos envolve arrombamentos, mas também existem vítimas de assalto à mão armada. O último roubo aconteceu na madrugada de domingo. Os homens invadiram uma empresa de comunicação visual e levaram equipamentos e ferramentas. O prejuízo estimado é de R$ 12 mil. Segundo o proprietário, Ednaldo Cavalcante, a ação dos ladrões foi facilitada por um descuido. ?Deixamos o alarme eletrônico desativado. Com isso foi fácil a entrada. Tiveram todo o tempo para levar fax, computador e os nossos equipamentos?, disse Ednaldo. Ele informou que a fama da rua mais roubada do Farol já era conhecida, mas ainda assim decidiu arriscar. ?Agora sou mais um que integra esta triste estatística?, desabafou o empresário. Durante o dia o movimento intenso de veículos e pedestres não sugere que a rua seja tão insegura. Mas os problemas começam ao anoitecer. Formada por muitos imóveis antigos, com entradas estreitas e pouco iluminadas, aliada à ausência de patrulhamento, a rua vira o local ideal para arrombamentos. ?Nós já ligamos para a polícia para conter um arrombamento, mas o que ouvimos é que só o proprietário poderia acioná-los?, revelou Alexandro Conrado, que é sócio da empresa. Decepção A decepção com a falta de policiamento também foi registrada pelo comerciante José Atanásio Neto. Proprietário de uma farmácia, ele disse que já foi assaltado em plena luz do dia. ?Chegaram três homens. Um menor deu cobertura do lado de fora. Um outro rapaz veio com a arma e anunciou o assalto. Um terceiro deu apoio à ação na porta do estabelecimento?, conta Atanásio, dizendo que se sentiu impotente. Na ação, ocorrida numa segunda-feira, os ladrões conseguiram faturar R$ 4 mil. A indignação do comerciante, entretanto, foi causada pelo comportamento da polícia. ?Assim que prestei queixa, fui assediado para liberar dinheiro. A desculpa é que faltava combustível para a viatura. Por isso não acredito que ir à polícia adiante muita coisa?, completou o proprietário da farmácia. Em frente ao seu ponto comercial, um prédio sofreu durante dias com a depredação e o roubo de estruturas. Com marretas e martelos a casa teve todas as janelas retiradas, assim como portões, torneiras e vasos sanitários. Não sobrou nada. Ao proprietário, que não teve o seu nome revelado, só restou a construção de paredes em todos os acessos do imóvel. Mas o que mais chamou a atenção dos comerciantes é que a retirada do material ocorreu durante o dia. ### Área nobre não escapa da ação de assaltantes Nos bairros da Jatiúca e do Feitosa o problema é o mesmo. Nas duas áreas é a ousadia dos ladrões que chama a atenção dos comerciantes. Não é difícil encontrar quem já tenha vivido momentos de tensão nas mãos de assaltantes. ?A ação normalmente é muito rápida. Enquanto ficamos envolvidos com o trabalho, eles aproveitam e, quando menos esperamos, já estão em cima?, detalha Jailton Rodrigues, proprietário de uma padaria na Jatiúca. Ele já foi vítima desse tipo de ação duas vezes. Na última, ocorrida há duas semanas, ele chegou a seguir o ladrão. ?Chamei, inclusive, a polícia. Eles não chegaram e o ladrão fugiu para o lado das favelas do Jacintinho?, disse o comerciante. Rondas A principal reivindicação dos comerciantes é quanto à presença da polícia em forma de rondas. ?Acho que a presença da polícia ajuda a inibir, porque às vezes nós mesmos percebemos a movimentação suspeita, mas ficamos impotentes?, admitiu Vanessa Fragoso, que já teve sua loja, na Álvaro Calheiros, invadida. O comando da Polícia Militar concorda que a presença de viaturas ajuda a evitar assaltos e arrombamentos. Ontem, o coronel Marcelo, responsável pelo Policiamento da Capital, disse que aguarda a chegada de 38 viaturas para colocá-las no serviço de ronda. ?Todo o nosso trabalho se baseia na demanda da sociedade. Podemos incluir estas áreas atingidas em nossa programação?, adiantou o coronel, lembrando que as viaturas só serão entregues na próxima semana. A presença dos policiais será viabilizada com a permanência por mais tempo em ?pontos-base?, nos bairros.|MR