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Pol�cia de Murici sem pistas do crime

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MARCOS RODRIGUES Repórter Murici - A morte da adolescente Juliana Cassiano completou ontem um mês sem que a polícia tenha certeza sobre quem foi o autor do crime. Até o momento não existem pistas do homem que na noite de 10 de abril convenceu a jovem a acompanhá-lo às margens do Rio Mundaú para tentar estuprá-la e depois matá-la por asfixia. A polícia já ouviu 49 pessoas que foram arroladas como testemunhas dos últimos passos de Juliana. Sete delas foram submetidas a exames de corpo de delito, mas ainda assim não foi suficiente para esclarecerem os detalhes do crime. ?Não tenho segurança para indiciar, nem pedir a preventiva de ninguém. As pistas que temos não nos levam, neste momento, a nenhuma conclusão?, adiantou o delegado de Murici, Robson Coutinho. Na próxima quinta-feira (12), o inquérito que apura o crime completará um mês. Segundo o delegado, o mais provável é que seja solicitada à juíza Aida Liza Antunes a prorrogação do prazo. Robson Coutinho disse que não quer se precipitar e se deixar levar pelas pressões da população de Murici, que desde o dia em que o corpo foi encontrado chegou a apontar o nome de um suspeito. Suspeitos Juliana é apontada por sua família como uma jovem recatada e obediente. Mas, no dia de seu desaparecimento, ela foi vista consumindo bebiba alcoólica num bar, em companhia da colega Rita de Cássia, 16, e do jovem Fausto Cardoso Batista (Faustinho), 18. O rapaz confirma que esteve no bar de propriedade de dona Hilda, mas nega que tenha deixado o local na companhia de Juliana. A dona do bar, entretanto, diz que houve a tentativa de levar Juliana e outras colegas para a fazenda de Faustinho, fato que só não ocorreu por sua determinação. Faustinho conta que na noite do desaparecimento de Juliana, ao sair do bar, fez um lanche, guardou o carro na casa de seu pai e foi dormir na residência de sua avó. Segundo a polícia todos os álibis do rapaz foram confirmados, por isso ele não foi indiciado. ### Mãe lamenta demora na elucidação A espera da conclusão do inquérito está deixando a família de Juliana Cassiano apreensiva. Ontem, a Gazeta esteve com sua mãe, Cícera Cassiano da Silva, 48. Ela está convencida de que as pressões estão afastando a polícia do verdadeiro autor do crime. ?Querem jogar tudo para uma pessoa que não tem nada a ver com o crime. Um coitado, para livrarem os grandes?, disse Cícera sem conter a emoção e abraçada com a foto da filha. Ela se refere a um novo suspeito identificado apenas como ?Peu?. O homem foi ouvido pela polícia, mas foi liberado. Segundo o delegado Robson Coutinho, apenas uma testemunha conta que ele, no dia do crime, teria dormido num acampamento de sem-terra. Solidariedade O cunhado de Juliana, Ednaldo Pedro da Silva, 23, não acredita no envolvimento de Peu. ?Acredito que é uma maneira de incriminá-lo porque ele já teve um problema com a polícia?, acredita o rapaz. Na casa de Juliana, localizada numa vila na Travessa Gastão Tenório, a solidariedade da população fez o ambiente ficar mais organizado. Sua mãe mostra alguns eletrodomésticos e móveis que ganhou depois do assassinato de sua filha. Emoção Depois de um mês do assassinato, Cícera teve coragem de ir até o cemitério público visitar o local onde sua filha foi sepultada. Muito emocionada, ela não perdoa a polícia por não ter encontrado ainda os culpados pela morte de sua filha. ?Eles deviam ter apertado mais essa tal de Rita que estava com ela naquele bar. Outra coisa é que o exame do legista foi muito rápido e não tinha ninguém da família?. Depois, um pouco mais calma, ela disse que não quer vingança, mas não abre mão de que seja feita justiça.|MR

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