Polícia
Pol�cia frustra assalto e quadrilha foge
MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - Uma quadrilha integrada por mais de 30 homens, especializada em assaltos a banco, seqüestrou o gerente do Banco do Brasil de Arapiraca, Maurílio Jordão, e o funcionário da tesouraria da agência, Severino Oliveira. A sogra, a esposa do gerente e seus três filhos e mais a esposa do tesoureiro também foram feitos reféns. A tentativa de assalto com seqüestro começou na noite da quarta-feira e só teve seu desfecho no fim da manhã de ontem. As vítimas foram levadas para uma chácara na zona rural da cidade. O gerente teve o corpo envolvido com um cinturão contendo carga explosiva. Maurílio e seu auxiliar, Severino Oliveira, chegaram ao banco às 9 da manhã em carros separados e acompanhados pelos assaltantes. A missão do tesoureiro era abrir o cofre e entregar todo o dinheiro da agência aos assaltantes, que ficaram se movimentando entre a recepção, a porta da agência e as ruas próximas ao banco. De acordo com depoimento do gerente à polícia, os assaltantes ameaçavam acionar um dispositivo eletrônico responsável pela detonação da bomba presa ao corpo de Maurílio, caso a polícia fosse avisada. ASSAlTO frustrado O plano da quadrilha começou a cair por terra quando a polícia decidiu investigar informação anônima sobre o sumiço da família do gerente. ?Quando perceberam a chegada do nosso pessoal, eles [os dois assaltantes] saíram do banco com bastante discrição. Provavelmente comunicaram aos comparsas que a estratégia tinha dado errado. O resto do bando, então, decidiu abandonar os reféns?, comentou um dos policiais responsáveis pela localização da família do bancário. ?Todos estavam sentados e com pés e mãos amarrados. Ainda assustados, festejaram a chegada da polícia?, completou. Além da sogra, da esposa dos dois bancários e dos três filhos do gerente - um garoto de 10 anos, outro garoto de 8 anos e uma menina de seis meses - os assaltantes também tinham feito refém o produtor rural Everaldo Trindade, proprietário da chácara utilizada como cativeiro, que foi montado num galpão nos fundos da propriedade, localizada no Sítio Bom Jardim, às margens da rodovia AL-220, na saída da cidade. Os assaltantes abandonaram o cativeiro por volta das 9h30, minutos antes da chegada de agentes e delegados da Polícia Civil. ### Bando já monitorava rotina de gerente Logo após a fuga dos assaltantes, a agência do Banco do Brasil (BB) foi desocupada. Os clientes deixaram o prédio em menos de três minutos. As ruas de acesso ao banco foram isoladas pela Polícia Militar (PM). Em estado de choque, o gerente do BB, Maurílio Jordão, ficou sentado numa cadeira próxima ao cofre da agência até o meio-dia, quando chegou a Arapiraca o capitão Pedro Jorge Moura, oficial da PM especialista em artefatos explosivos. O artefato foi desmontado às 12h20. O capitão Pedro Jorge Moura disse que não sabe ainda se o artefato é mesmo explosivo. ?Precisamos saber se o conteúdo é ou não explosivo líquido?, adiantou o especialista. Embora pequeno e ajustável à palma da mão, o artefato teria capacidade para destroçar o corpo da vítima (leia matéria nesta página). O médico Nuzamário Brito, oficial da PM, avaliou as condições físicas do gerente, que deixou a agência às 12h45, disfarçado de policial civil. Dez minutos depois, um policial vestiu casaco com capuz e entrou numa ambulância do corpo de bombeiros. Com a manobra, os policiais conseguiram enganar parte da imprensa. O gerente Maurílio Jordão e seus familiares foram levados para local ainda não identificado. Estão sob proteção policial. Os assaltantes que seqüestraram o gerente do BB e fizeram reféns seus familiares atuaram em Arapiraca com pelo menos 30 pessoas, segundo informações das polícias Civil e Militar. Fortemente armados, eles teriam utilizado oito veículos na tentativa de concretizar o assalto que acabou sendo frustrado. Para o delegado José Lindberg, da Regional Arapiraca, o bando tem ramificações em todo o Nordeste. ?São organizados. Trata-se de quadrilha especialista no que faz?, explicou. Informações ainda não confirmadas pelos delegados que comandam a investigação indicam que o grupo chegou a Arapiraca há mais de uma semana para monitorar a rotina do gerente do banco. ?Pelo que apuramos, o grupo utilizou oito veículos?, explicou o delegado Manoel Vanderlei, também envolvido na investigação. O restante do bando - todos conectados via telefone celular - circulava em veículos possantes, formando dois grupos. A quantidade de pessoas e carros foi informada à polícia pelas vítimas. Segundo elas, os assaltantes deixaram o cativeiro várias vezes durante a madrugada. Os condutores tomavam destinos ainda ignorados pela polícia, mas depois regressavam à chácara na saída da cidade. A informação de que o gerente do Banco do Brasil estava em poder de seqüestradores paralisou o atendimento nas demais agências bancárias da cidade. Comerciantes da região central da cidade cerraram as portas de suas lojas e também suspenderam o atendimento à clientela. Caçada policial Informado da fuga do bando, o comando do 3º Batalhão da PM acionou todas as corporações militares da região. Rodovias estaduais foram bloqueadas e dezenas de policiais passaram a trabalhar na tentativa de capturar os integrantes da quadrilha. Mas apesar da logística montada para localizar a quadrilha, até o final da tarde de ontem, os delegados e oficiais da PM envolvidos na operação não tinham divulgado qualquer informação sobre o paradeiro dos assaltantes. MM