Polícia
Presos se rebelam para exigir orelh�es
EDNELSON FEITOSA Repórter Presos de quatro módulos do Estabelecimento Prisional Baldomero Cavalcanti se rebelaram ontem, logo após o café da manhã. Eles destruíram celas, arrancaram grades e ocuparam os corredores, exigindo que os cinco telefones públicos que existem dentro do presídio sejam consertados. Os aparelhos não funcionam já faz mais de um mês e eles alegam ter necessidade de manter contatos com os advogados e com a família. O quebra-quebra começou nos módulos 1 e 3, mas atingiu rapidamente os módulos 4, onde ocorreu a maior depredação, e 5. O protesto durou quase duas horas. O diretor do Departamento do Sistema Penitenciário, coronel Cícero Tavares, solicitou a presença do Batalhão de Operações Especiais da PM, que chegou ao Baldomero em nove viaturas com quatro homens cada. Hoje, o presídio de segurança máxima de Alagoas está com quase o dobro de sua capacidade e abriga cerca de 600 presos. ### Detentos já prometem um novo motim Foi preciso que os presos retornassem para suas celas, porque 18 grades que separam módulos e raios foram arrancadas pelos detentos. ?Nós nem tínhamos concluído os reparos da última rebelião e eles quebraram tudo de novo?, explicou o coronel Tavares, que culpou presidiários com penas maiores pelas tentativas de fuga em massa e pelos motins. Segundo ele, os militares do Bope precisaram explodir uma bomba de efeito moral para empurrar os presos para as celas, pois estavam muito agressivos. O secretário de Ressocialização, Valter Gama, está tentando há quinze dias que a Telemar conserte os telefones públicos. No entanto, funcionários da empresa alegam que se os presos quebram os telefones é porque não precisam deles. Os presos garantem que não são eles quem danificam os aparelhos e sim os guardas do presídio. Afirmam também que se o problema não for solucionado vão voltar a se rebelar. O diretor do presídio, Genilson Santos, mandou transferir para o presídio Rubens Quintela (antigo São Leonardo) os 22 detentos que lideraram a rebelião de ontem. Eles vão ficar recolhidos em celas de castigo (isolamento). A dona de casa Ana Lúcia, mulher de um preso, declarou que não é apenas o problema do telefone que irrita os presos. ?A comida aqui é horrível, parece que é feita somente com colorau e óleo. A mistura também é péssima e as agressões dos guardas são constantes?, disse. |EF