Polícia
Pol�cia pede novo prazo no caso Juliana
CARLA SERQUEIRA Repórter A cidade de Murici continua apreensiva sem saber quem matou a jovem Juliana Cassiano, de apenas 16 anos, no domingo, 10 de abril. O primeiro prazo para as investigações policiais encerrou-se no dia 12 de maio. O delegado que preside o inquérito, Robson Coutinho, pediu prorrogação do prazo, concedido pela juíza Aida Liza Antunes. ?Devo ter, no mínimo, mais 20 dias para concluir as investigações. Eu garanto uma coisa: tem gente que vai ser indiciada?, afirmou, sem querer adiantar detalhes. Há 37 dias do assassinato, o inquérito acumula 226 páginas, entre elas, os depoimentos de mais de 50 pessoas. ?Não paramos um dia sequer. E não iremos parar até que este caso seja elucidado?, garantiu o delegado. Dúvidas acumuladas O novo prazo vai servir para diluir algumas dúvidas da polícia. Durante as investigações veio à tona o nome de José Adilson Dutra da Silva, conhecido na cidade como ?Pêu?. Segundo testemunhas, antes de Juliana Cassiano ter sido levada para casa pela amiga Rita de Cássia, as duas passaram numa residência próxima, onde Pêu estava bebendo junto com uma sobrinha. ?Elas vieram aqui, tomaram um pouco de cachaça e depois foram embora. Não demoraram mais de 10 minutos?, contou Pêu. O delegado Robson Coutinho disse que o próximo a ser interrogado será o pai do Pêu, identificado pelo apelido de ?Chapéu?. ?Recebi a reclamação do líder dos sem-terra aqui de Murici, chamado ?Nó Cego?, dizendo que o ?Chapéu? o estava ameaçando?. As ameaças, segundo o delegado, giram em torno das informações que Nó Cego estava soltando na cidade. ?O líder dos sem-terra disse que Pêu havia dormido no assentamento, na noite do crime. Queremos averiguar todas estas informações?, frisou Coutinho. No entanto, a mãe de Juliana Cassiano, Cícera Cassiano da Silva, de 61 anos, estava no assentamento na noite em que a filha morreu. ?É mentira. Eu estava lá vigiando o assentamento e teria visto caso o Pêu tivesse chegado?. Jogo político O primeiro suspeito do crime, apontado pela família de Juliana Cassiano, foi o filho do ex-vereador de Murici, Fausto Cardoso. Conhecido na cidade como ?Faustinho?, Fausto Cardoso Batista, de 18 anos, esteve, junto com alguns amigos, entre eles, Jadson e Luciano, no ?bar do Toinho?, onde dançaram com Juliana Cassiano, momentos antes de ela desaparecer. A família de Faustinho acredita que a acusação faz parte de um jogo político. ?Parentes da jovem estão sempre se reunindo na casa de políticos?, afirmou, dias depois do assassinato, o ex-vereador Fausto Cardoso. Sobre a possibilidade de haver interesses políticos envolvidos no crime, o delegado Robson Coutinho preferiu não comentar. ?Não quero falar sobre isso. Minha preocupação é conseguir provas para anexar ao inquérito. Uma coisa é certa: nenhum político vai interferir no meu trabalho. Eu garanto?, disse, acrescentando que nenhuma das 50 testemunhas ouvidas apontou Faustinho como o culpado pelo crime. ?Não indiciei Faustinho porque não tinha elementos suficientes para isso?, explicou. Prostíbulo Moradores de Murici que residem próximo ao bar onde Juliana Cassiano bebia no domingo, dia em que desapareceu, afirmam que o bar é um prostíbulo e que muita gente importante freqüenta o local. Uma senhora que não quis se identificar disse que sua filha perdeu a virgindade no bar, com apenas 13 anos. Questionado sobre as acusações dos moradores, o delegado Robson Coutinho revelou desconhecer as afirmações. ?Nunca recebi nenhuma denúncia. O que eu sei é que ali [no bar] é uma residência onde mora o Toinho, dono do estabelecimento, com suas filhas, inclusive menores de idade?. A amiga de Juliana, Rita de Cássia, de 16 anos, também mora no bar do Toinho. Segundo ela, Juliana já teria chegado bêbada, por volta das 20h do domingo. Às 23h, Rita levou Juliana até em casa e nunca mais a viu com vida. ### Familiares cobram pressa na apuração Os parentes de Juliana Cassiano, desaparecida no domingo, dia 10 de abril, e encontrada morta no Rio Mundaú, a cerca de 2 km de sua casa, estão inconformados com a lentidão da Justiça em punir os culpados. ?Está na cara que os assassinos de Juliana são Rita de Cássia, Faustinho, Jadson e Luciano?, insiste o primo da vítima, José Firmino da Silva, de 34 anos. Para cobrar agilidade nas investigações, duas passeatas já aconteceram no centro de Murici. A última ocorreu ontem e reuniu cerca de 100 pessoas na Praça Padre Cícero. Toalha e saboneteira Juliana Cassiano desapareceu por volta das 23h, depois de ter saído do bar do Toinho, onde passou cerca de 3 horas consumindo bebida alcoólica. Acompanhada por Rita de Cássia, Juliana seguiu para casa dizendo que iria tomar banho e dormir. Com uma saboneteira na mão e uma toalha no ombro, Juliana chegou a ser vista pela irmã quando se dirigia para o banheiro comunitário da Vila Genilson, onde morava. ?Sabemos tudo o que aconteceu antes de ela se dirigir até o banheiro. Depois disso, não sabemos ao certo o que ocorreu?, disse o delegado, afirmando que a população não colaborou com as investigações. ?Muita gente prefere se omitir a falar o que realmente sabe?. O fato curioso e que aumenta ainda mais o mistério em torno do assassinato de Juliana é que ninguém ouviu nada na Vila Genilson, um lugarejo com cerca de 20 casas pequenas, coladas uma na outra. ?A saboneteira que ela carregava não foi encontrada. A toalha estava enrolada no corpo de Juliana, quando foi achado na beira do Rio Mundaú, na terça-feira, dia 12?, contou o primo de Juliana, José Firmino da Silva, que desde o início acompanha as investigações. Segundo o delegado Robson Coutinho, ?nenhum barulho de carro, de moto, de bicicleta, nem de cavalo, foi ouvido pelos moradores no dia do crime. Ficamos praticamente sem pistas?, afirmou. Mesmo diante da falta de elementos para consolidar as investigações, o delegado de Murici garantiu ir até o fim neste caso. ?Não vou desistir. Estou trabalhando junto com o Ministério Público e todos estão empenhados em achar os assassinos de Juliana?, frisou Coutinho. Laudo do iml O delegado Robson Coutinho criticou ainda o trabalho realizado pelos peritos do Instituto Médico Legal (IML). Ele está aguardando um novo documento do IML para tirar algumas dúvidas que o primeiro laudo não elucidou. ?O laudo sequer afirma se foi homicídio?, disse, relendo um trecho do laudo: ?É ?muito provável? que tenha ocorrido um homicídio; ?pouco provável? um acidente; e impossível que tenha havido um suicídio?. Juliana Cassiano morreu, segundo o IML, de asfixia mecânica. ?Que pode ter sido provocada por estrangulamento ?e/ou? afogamento?, conforme redação do laudo. O perito do IML que realizou o exame no corpo de Juliana Cassiano, Gerson Odilon, explicou na época em que o laudo foi encaminhado para a polícia que a jovem chegou ainda com vida no leito do rio. ?Encontramos areia e plânctons no pulmão dela. Ela pode ter sido estrangulada ao mesmo tempo em que empurravam a cabeça dela na água?.|CS