Polícia
Maceioense sofre 10 assaltos di�rios
BLEINE OLIVEIRA Repórter Quinta-feira, 19, três da tarde. A Gazeta apurava uma matéria sobre a onda de assaltos que assola os bairros centrais e da orla de Maceió. Enquanto policiais da Operação Policial Litorânea (Oplit) falavam com a reportagem, no posto da unidade instalado no Alagoinha, um cidadão entra nervoso denunciando que sua mulher acabara de sofrer um assalto. Eliane Valadão dirigia seu carro importado Corolla, da Toyota, em frente à entrada do Hotel Meliá, na Jatiúca, quando dois homens tentaram tomar-lhe o veículo, apontando um revólver para sua cabeça, mas só levaram sua bolsa. Em pânico e nervosa, Eliane nem conseguiu dizer aos agentes policiais, que chegaram ao local menos de 10 minutos depois do fato, qual o modelo e a cor do veículo que os ladrões usaram e nem descrevê-los. Estatísticas Assaltos como o descrito acima alimentam as estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS) e confirmam uma realidade que o cidadão maceioense sente na pele: o número de assaltos (roubos e furtos) na capital tem crescido vertiginosamente. Hoje, por exemplo, quem não tem na família, ou entre amigos mais íntimos, casos de assalto à mão armada, em calçadas, dentro de lojas, no sinal de trânsito e postos de combustíveis e outros locais menos convencionais, que não sejam na periferia da cidade, onde o criminalidade já impera? Para muitos, não é mais possível andar com segurança em Maceió, principalmente à noite. Mas a violência ocorre em qualquer horário, seja noite ou seja dia. Enquanto você lê a reportagem, em qualquer ponto da cidade há alguém perdendo o carro, o telefone celular, a bolsa ou carteira, a vida. A vítima pode ser qualquer uma. Mas o agressor tem características específicas, de acordo com o perfil traçado pela própria polícia: é jovem - a maioria menores -, pobre e classe média, e tem envolvimento com drogas. O que é pior, nesse perfil, a polícia que viu dobrar o número de detenções de menores nos 110 primeiros dias de 2005, em comparação com todo o ano passado. As informações da SDS mostram que nos últimos quatro meses, 1.055 adolescentes foram presos e, em 90% dos casos, por participação em assaltos. Isso equivale a 9,59 menores detidos todos os dias. Em 2004 o número de registros totalizou 2.042 detenções, o equivalente a 5,6 menores presos a cada dia. O ano passado a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) encaminhou à Justiça 490 inquéritos, um média de 1,34 inquéritos concluídos a cada dia. Nos 110 primeiros dias de 2005 já foram remetidos 190 inquéritos. Desse total, 80% foram prisões em flagrante. Faz parte da estatística o número de presos encaminhados ao Sistema Prisional. Em 2004 as ações policiais resultaram na prisão de 1.226 pessoas. Ainda não há dados totalizados sobre os 110 dias deste ano, mas neste período apenas a DRF, uma das 147 delegacias que a SDS tem em todo Estado, já encaminhou 162 presos ao Sistema. ### Vítimas e os locais onde se corre perigo Todos esses números refletem a insegurança que o maceioense vive nas ruas da cidade, em qualquer bairro, mas principalmente no Centro e na orla marítima, região onde estão localizados os bairros de classes média e alta. Casos como esse têm ocorrido com freqüência, mas há outros tipos de violência que estão deixando o maceioense inseguros. Major da Reserva da Polícia Militar de Alagoas, o ex-vereador Raimundo Gaia alegra-se de nunca ter sido assaltado, mas relata com indignação e tristeza episódios que tiveram pessoas de sua família como vítimas. Recentemente, uma cunhada de seu irmão sofreu um tipo de violência que a cada dia tem se tornado comum na orla marítima. Ela caminhava nas proximidades do Espaço Vera Arruda, na Jatiúca, quando dois homens se aproximaram pelas laterais e, fingindo-se de pessoas íntimas, encostaram um revólver em suas costas. Mas não estava com o cartão de crédito, que os delinqüentes exigiam para fazer saque em caixa eletrônico. ?Como eles ameaçaram entrar no apartamento, e lá estavam o marido, filhos e um neto recém-nascido, ela foi obrigada a subir e descer com o cartão. Mesmo sem dinheiro na conta, ela foi obrigada a fazer um empréstimo de R$ 5 mil, pois eles ameaçaram voltar para invadir o apartamento?, conta Raimundo Gaia. Na avaliação dele, esse é um golpe que, como o roubo com uso de armas (de fogo ou branca), já atingiu muita gente. As vítimas dizem que os locais mais perigosos são as proximidades do Banco do Brasil da Ponta Verde, dos colégios Inei e Santa Úrsula, do restaurante Famiglia Giulianno e a praça do Skate. Em cada esquina da cidade não falta alguém que relate um caso de violência. Pescador e vendedor ambulante de bolos típicos, Cláudio de Oliveira Silva, 22 anos, residente no bairro do Poço, afirma que já se tornou rotina encontrar uma vítima nas ruas da Jatiúca, onde comercializa. ?Aqui (Jatiúca) e na Ponta Verde os ladrões são sempre garotões de classe média e tudo drogado?, declara o ambulante. Segundo Cláudio, nesses ataques eles levam tudo que a vítima tenha, do celular a carteira, da corrente ou pulseira até o tênis. Ele próprio já foi vítima de roubo. Enquanto pescava com o pai, na praia da Avenida, levaram sua bicicleta. ### Policiamento faz deliqüente procurar por novos golpes Esses relatos, que assustam os cidadãos, parecem comuns na rotina do secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, que discorda daqueles que consideram Maceió uma cidade insegura. Para ele, a capital alagoana tem os problemas inerentes ao crescimento urbano e a situação socioeconômica do País. A experiência do secretário o leva a declarar que, em função do combate policial, os delinquentes ?migram? para outras áreas, o que faz surgir novos golpes. Com a pressão do cerco policial, declara Robervaldo Davino, as estatísticas vão mostrar elevação no número de ocorrências como assalto a farmácias, postos de revenda de combustíveis, supermercados, ônibus urbano. ASSALTO A ÔNIBUS Acerca desta última modalidade de crime, o secretário diz que 13 pessoas já foram presas. Uma delas, um menor de 13 anos, apontado como responsável por mais de 50% dos assaltos a ônibus acontecidos nos bairros do Dique Estrada, Vergel do Lago e Trapiche da Barra. PERFIL Ele confirma o perfil do delinqüente que está agindo em todos os bairros: são jovens, tanto de classe média quanto pobres, envolvidos com drogas. Entre os exemplos, diz Davino, está o menor que assaltava ônibus, uma pessoa excluída social e economicamente, vindo de uma família desestruturada pela falta de emprego e renda; e os vários filhos de delegado de polícia, de promotores públicos, de autoridades do governo, de políticos, de empresários, enfim, das classes detentoras da renda estadual. ### Manual dá dicas para segurança Um panfleto da Oplit está disponível a todos e traz dicas de segurança para a sociedade. Em casa, não se deve deixar portões e portas abertos, mesmo quando há alguém lá dentro. Essa orientação deve ser repassada aos filhos e empregados. Ao viajar avise os vizinhos e peça que acionem a polícia se perceberem movimento suspeito. Não abra portas para prestadores de serviço que não foram solicitados. Quando sair ou chegar em casa fique atento ao movimento nas proximidades. Se desconfiar de alguma coisa, dê a volta no quarteirão e chame a polícia. Há também algumas atitudes que, nas ruas, diminuem a possibilidade de sofrermos um assalto. No banco, ao fazer saque, não conte o dinheiro em público; guarde o dinheiro em local discreto; notando algum suspeito lhe seguindo, aja com naturalidade, entre num local público e chame a polícia. Em ruas escuras ou desertas evite dobrar junto ao muro, prefira o centro da via. Alerte idosos para pessoas falantes que oferecem alguma vantagem. Quando sair de carro evite estacionar na rua, principalmente na madrugada. Opte por locais iluminados, vigiados dia e noite; não deixe embrulhos, bolsas, valises à vista, dentro do carro. Isso atrai ladrão. Prefira guardar objetos na mala. Não dê carona a estranhos. Ao parar no semáforo fique atento ao retrovisor, mantenha o veículo engatado na 1ª marcha e distante do carro da frente o suficiente para arrancar em caso de emergência.