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Clonagem de cart�o cresce em Alagoas

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MARCOS RODRIGUES Repórter A Polícia Federal acredita estar na pista da quadrilha que vem dando dor de cabeça aos correntistas da Caixa Econômica Federal. As vítimas são, em sua maioria, servidores públicos que utilizam os caixas eletrônicos para suas movimentações de salário. O golpe consiste em clonar dados dos correntistas para utilizarem suas respectivas contas como transporte ou saque completo dos vencimentos. A ação da quadrilha teve, na sexta-feira (20), o lado mais ousado. Depois de agirem nos dias 17 e 18, lesionando cerca de 40 pessoas, os integrantes do bando tentaram sacar um cheque roubado na agência da Caixa, no Farol. Como o cheque já havia sido bloqueado, a Polícia Federal foi acionada e conseguiu prender cinco integrantes do grupo. Foram presos Antônio dos Santos, José Antoniel Henrique dos Santos, Sandro do Nascimento Rodrigues, Luciano Guedes Rodrigues e o soldado do 4º Batalhão Antônio Luna dos Santos. Além do envolvimento com a fraude, o grupo é acusado de roubar carros, assaltar bancos e empresas. A ação do grupo é articulada a partir dos roubos virtuais. As transações bancárias fraudulentas servem para conseguir dinheiro para financiar estada em prédios de luxo, compra de armas e a estruturação da quadrilha enquanto não agem. Entretanto, o forte é o assalto a bancos. A clonagem aparece como a ação mais tranqüila, já que o golpe acontece, tanto a partir da Internet, quanto com a obtenção de dados com o auxílio de um equipamento conhecido como ?chupa-cabras?, que grava a senha. Roubo O roubo começa quando o correntista utiliza a Internet ou um terminal ?bichado?. Na rede os dados são subtraídos com páginas falsas que costumam pedir dados já fornecidos pelo cliente no momento do cadastramento. Nos terminais, a ação da quadrilha também pode contar com o desleixo dos correntistas que ainda pedem auxílio a estranhos. É nesse momento que ele é lesado. ### Em dois dias, 30 correntistas da CEF foram vítimas do golpe A repercussão da ação do grupo, inicialmente com o golpe da clonagem, acontece na Delegacia de Defraudações. É para lá que seguem as vítimas. Na sexta-feira, os saques ou transferências, realizados pela quadrilha, começaram a ser percebidos pelos clientes da Caixa Econômica Federal (CEF). Ao todo foram registradas 30 ocorrências envolvendo correntistas que tiveram suas contas bancárias invadidas entre os dias 17 e 18. O alvo predileto são os servidores públicos estaduais. O golpe também atinge outros bancos, porém, não com a mesma intensidade dos ocorridos com os da Caixa. Valores Na semana passada os golpes variaram entre R$ 200 e R$ 6 mil. As vítimas ou tiveram suas contas usadas como ?mulas? ou foram, literalmente, limpas com saques feitos pela quadrilha. As contas que servem como mula são utilizadas para despistar a ação do grupo. Para elas são transferidos valores subtraídos de outras contas. O dinheiro, segundo foi detectado pela Delegacia de Defraudações, permanece nas contas ?mulas? por no máximo 24 horas. O mais comum, entretanto, é que a transferência e retiradas aconteçam no mesmo dia. sentimento de impotência As vítimas só percebem que foram lesadas quando precisam utilizar os cartões. O constrangimento é seguido de um sentimento de impotência. Foi o que ocorreu com o estudante de Análise de Sistemas, Wilson Carlos Santos da Rocha. Depois de abastecer o carro ele decidiu utilizar o cartão, mas foi informado que não tinha saldo em sua conta corrente. ?Passei por um constrangimento, mas ao entrar em contato com o banco eles me informaram o que estava acontecendo e fiquei mais tranqüilo?, conta Wilson. Em seu caso a quadrilha transferiu R$ 1 mil no dia 17 e retirou R$ 950 no dia 18. Wilson, que já foi vítima pela segunda vez, não teve prejuízo financeiro porque sua conta foi usada como ?mula?. Já o policial militar Carlos Jorge dos Santos Ribeiro teve registrado no dia 18 um saque de R$ 200. ?Só notei porque o terminal acusou falta de saldo. Entrei em contato com o banco e eles vão assumir o débito. Para mim se isso acontecer está tudo certo?, disse o policial. O coronel da reserva José Torquato teve um prejuízo maior. De sua conta foram retirados aproximadamente R$ 6 mil. A primeira transferência de recursos aconteceu no dia 17. No dia 18, várias operações de retirada foram realizadas. ?No dia 17 tentei sacar e meu cartão estava bloqueado. Depois de um contato por celular com a CEF ele foi liberado, mas não tinha saldo. Somente a partir daí fui informado de que poderia ser mais uma vítima do golpe?, disse Torquato, que ainda aguarda o ressarcimento. Apesar das denúncias, a Caixa se limitou a informar que está tomando precauções para melhorar a segurança, além de restituir as vítimas. O banco também orienta os correntistas a não entrarem na Justiça com ação por danos morais.|MR

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