Polícia
Inseguran�a chega aos balne�rios do litoral sul de AL
MARCOS RODRIGUES Repórter A insegurança que afeta os moradores da capital também chegou ao Litoral Sul, área onde estão as residências de veraneio das elites empresarial e política alagoanas. Não são poucos os relatos de arrombamentos, assaltos e seqüestros relâmpago. Na Massagueira, um dos maiores centros gastronômicos de Alagoas, uma quadrilha chefiada por um ex-presidiário conhecido como ?Dedo? chegou a implantar um toque de recolher no local. O alvo principal são as casas luxuosas que durante a semana e nos intervalos entre os feriados costumam ficar vazias. Mas os comerciantes também já entraram na mira dos assaltantes. Desde o mês de dezembro, período em que começa a alta temporada, até o mês passado, foram registrados mais de trinta arrombamentos, um seqüestro relâmpago e o roubo de quatro veículos. Os números integram a base de dados das polícias Civil e Militar na região. Essa estatística, porém, pode ser maior. O detalhe é que muitos comerciantes, que já foram assaltados mais de uma vez, não registram mais suas ocorrências na polícia. Rota de fuga A geografia do Litoral Sul favorece a ação interligada ao deslocamento dos assaltantes. Isso porque, a partir da Barra de São Miguel, por exemplo, é possível escapar pela BR-101, indo sair em Satuba e, conseqüentemente, no Tabuleiro, na parte alta de Maceió. A polícia já despertou para esse fato e tenta reagir com um trabalho integrado entre as polícias Civil, Militar e a Polícia Rodoviária Federal. Na Barra de São Miguel, os arrombamentos acontecem, principalmente na área das residências de veraneio, na entrada do município, para quem chega por Maceió. A expansão imobiliária, entretanto, não levou em consideração a limitação do município em oferecer segurança adequada. Arrombamento O resultado é o crescente aumento de ocorrências. A mais comum é o arrombamento. A delegada titular de Barra de São Miguel, Lucy Mônica Rabelo, confirma que, depois do carnaval, o número aumentou. ?Não posso omitir esse fato. Realmente, a chamada baixa temporada atrai essas ocorrências, por conta da ausência de movimento?, admitiu Lucy. O empresário Enzo Marresi, proprietário de uma pousada e uma galeria, já teve sua pousada assaltada. ?Os hóspedes ?deram moleza? ao deixarem portas abertas?. As áreas de maior isolamento são as prediletas para os assaltantes. No bairro Barra-Mar, onde estão localizadas as residências de veraneio, até os cabos telefônicos não escapam. O caseiro José Cícero André Silva realizava um serviço de jardinagem numa outra casa da rua onde mora. Ele vive com a família nos fundos da residência que toma conta. ?A rua em que moro já chegou a ser observada por um suspeito, mas conseguimos intimidá-lo?, contou. No local, a fim de conter ou inibir a ação de ladrões, muitas residências dispõem de cercas elétricas e presença de câmeras, para tentar impedir a ação de criminosos. ### Francês: queixas são constantes A situação na Praia do Francês, que pertence ao município de Marechal Deodoro, não é diferente. As queixas sobre a insegurança também são constantes. Os moradores já se acostumaram a tentar se defender por conta própria. As construções de veraneio contam com verdadeiras muralhas em volta das residências. Oito homens da Polícia Militar se revezam em turnos. Segundo o PM Nascimento, as rondas ocorrem em diversos pontos da praia. ?Estamos sempre na rua, o detalhe é que a ação dos ladrões acontece em toda a parte. Infelizmente não podemos estar em todos os locais?, lamentou o policial. O empresário Hans Rudolf foi rendido quando se encontrava na porta de sua casa. Depois de um dia de trabalho em sua barraca de praia, ele foi surpreendido por dois homens que o enquadraram com revólveres e levaram o apurado do sábado. ?Fiquei impressionado com as informações que ele tinha sobre minha rotina de trabalho. Sabia inclusive que tinha o dinheiro do dia?, argumentou o empresário. A outra crítica do empresário, que também desistiu de continuar morando no Francês, é contra a prefeitura. ?Acho que ela poderia investir mais em iluminação. Lá, onde eu morava, há pouca energia. Isso também motiva a ação dos ladrões?. Na Massagueira, os assaltos não dão trégua e os empresários vivem a expectativa de planejarem a segurança do povoado com a própria polícia. Depois da prisão do líder de uma quadrilha de assaltantes que estabelecia toque de recolher aos moradores, os empresários querem o compromisso da cúpula da segurança para conter, definitivamente, a ?onda? de assaltos no local. A resposta da cúpula da segurança depende exclusivamente da utilização das viaturas recém-compradas. Ao todo são mais de 100 veículos. O primeiro passo já foi dado em Barra de São Miguel. Lá, por uma iniciativa da delegada Lucy Mônica Rabelo, estão sendo desenvolvidas ações integradas com as polícias Civil e Militar.