Polícia
Delegado recorrer� ao TJ para ouvir juiz
MARCOS RODRIGUES Repórter SÃO MIGUEL DOS CAMPOS - A polícia ouviu, ontem, duas testemunhas do seqüestro e assassinato da jovem Macléia dos Santos. Segundo o delegado regional Antônio Carlos Lessa, atual presidente do inquérito, o juiz Willamo Lopes, com quem Macléia mantinha um caso amoroso, também pode ser ouvido por meio de carta, pelo Tribunal de Justiça (TJ). Durante três horas de depoimento o delegado ouviu Aline Maria da Silva e o eletrotécnico Walmir Lácio da Silva. ?Os dois deram informações que ainda não constavam do inquérito, o que nos ajuda a juntar mais detalhes sobre o crime?, explicou Lessa, sem querer adiantar mais detalhes. Quanto a necessidade de ouvir o juiz Willamo Lopes, Lessa disse que o fará se houver necessidade, depois de concluir os depoimentos das testemunhas e dos acusados. ?Em relação ao juiz, caso seja necessário, encaminharemos as perguntas para o TJ para que ele possa, também, prestar esclarecimentos?, afirmou o delegado, lembrando das prerrogativas do magistrado. Conhecido por esclarecer crimes polêmicos, Antônio Carlos Lessa voltou a garantir que não vem encontrando obstáculos para dar seqüência ao trabalho e que concluirá o caso. Na próxima sexta-feira serão ouvidas outras testemunhas, que não tiveram os nomes revelados, para não atrapalhar as investigações. Acusados Depois de concluída a fase de depoimentos das testemunhas será a vez dos indiciados. A esposa do juiz Willamo, Amália Lopes, será a primeira, já que segundo as primeiras investigações ela teria feito ameaças a Macléia, depois que confirmou que a jovem havia tido um filho com seu marido. Um outro indício de seu comportamento agressivo teria ocorrido contra uma médica, que também foi ameaçada por Amália, por suspeitas de envolvimento com Willamo. O mototaxista José Sérgio da Silva também será ouvido nos próximos dias. Ele figura no inquérito como uma das últimas pessoas vistas em companhia de Macléia, antes de seu desaparecimento. A principal dúvida da polícia é quanto ao seu envolvimento. Uma das linhas de investigação apontam para a sua suposta ligação com Amália Lopes. Novela O caso Macléia se transformou numa verdadeira novela. Desde seu desaparecimento e descoberta do corpo a polícia ao invés de certezas só passou a contar com dúvidas. A primeira delas, após exumação de um corpo sepultado em Atalaia, que poderia ser de Macléia, só foi desvendada no início do mês, quando ficou confirmado que o corpo sepultado pela família não era o de Macléia dos Santos. Segundo revelou o exame de DNA, o corpo encontrado em Atalaia ainda continua sem identidade. Já o de Macléia dos Santos foi localizado em São Miguel, em estado de decomposição, no mês passado. A confirmação de sua identidade, entretanto, só ocorreu no início do mês. O corpo enterrado pela família foi encontrado num canavial no município de Boca da Mata, uma semana após o desaparecimento de Macléia. Parentes da jovem, entretanto, que estiveram no local e providenciaram o sepultamento, atestaram que havia características de Macléia no corpo encontrado. Para a família, o que mais pesa é a possibilidade de o caso ficar impune, por envolver pessoas de influência. A mãe de Macléia, Inês dos Santos, já foi ouvida duas vezes sobre o caso. Nas duas oportunidades ela apontou Amália Lopes como sendo a principal interessada na morte de sua filha.