Polícia
Presa suspeita pela morte de Juliana
CARLA SERQUEIRA Repórter Pela segunda vez, Rita de Cássia é presa como suspeita de ter facilitado o assassinato da adolescente Juliana Cassiano, 16 anos, morta em Murici no domingo, dia 10 de abril. Rita de Cássia tem 22 anos e era amiga de Juliana. Ela foi presa ontem, por volta das 12h, na Delegacia de Murici. Dias após o assassinato, Rita foi convidada a prestar esclarecimentos e terminou detida por dois dias. O novo delegado que investiga o caso, Élvio Brasil, pediu prisão preventiva da jovem que vai ficar presa por cinco dias, podendo o prazo ser prorrogado por mais cinco. A juíza que autorizou a detenção foi Aída Liza Antunes. ?O inquérito se encerraria no dia 13 (segunda-feira), mas, com certeza, vou precisar de mais dias para concluir as investigações?, disse Élvio Brasil. Troca-troca O mistério sobre a morte de Juliana ainda não foi esclarecido. O primeiro delegado envolvido no caso, Robson Coutinho, foi afastado da Delegacia de Murici no dia 18 de maio. Houve uma permuta. Coutinho, que comandou a Delegacia de Murici por dois anos, agora está lotado em Boca da Mata, antes ocupada por Élvio. ?Estas trocas são rotineiras na polícia. É de praxe este procedimento da Secretaria [de Justiça e Defesa Social]?, explicou Élvio Brasil. Robson Coutinho, que se mostrou empenhado em descobrir como o corpo de Juliana foi parar no Rio Mudaú, dois dias após ela ter sumido, não quis comentar sobre o seu afastamento do caso. ?Não paramos um dia sequer. E não iremos parar até que este caso seja elucidado?, dizia ele, há cerca de um mês atrás. ?Eu garanto uma coisa: tem gente que vai ser indiciada?, afirmava, na época, convicto de que encerraria o caso apontando os culpados. Indiciados Sem querer adiantar nomes ?para não prejudicar o andamento das investigações?, o delegado Élvio Brasil, a exemplo de Coutinho, também garantiu indiciar suspeitos. ?Ao menos duas pessoas serão indiciadas?, disse ele. ?A prisão de Rita de Cássia é necessária para tirarmos algumas dúvidas. Ela foi o pivô de tudo. Foi ela quem esteve por último com a menor, quem obrigou a menina tomar bebida alcoólica naquele domingo e quem ajudou a colocá-la dentro do carro?, afirmou Élvio. Segundo ele, a vítima só pode ter desaparecido de sua casa a bordo de um carro. ?O local onde o corpo foi encontrado [Rio Mundaú] é longe e ela só pode ter seguido em um veículo?, explica, justificando as acusações. ### Investigação completa dois meses sem apontar culpados Desde que Juliana Cassiano foi encontrada morta, no dia 10 de abril, dois meses se passaram e ninguém foi condenado. Dois delegados se envolveram no caso; mais de 50 pessoas foram ouvidas; três manifestações populares cobraram a elucidação do caso, mas até agora nada. O filho de um ex-vereador de Murici, Fausto Cardoso Batista Neto, conhecido como ?Faustinho?, foi o primeiro apontado como suspeito pelo assassinato da menor. Juliana desapareceu após ter participado de uma festa, num bar de Murici conhecido como Bar do Tonho. Rita mora neste local, com a família do proprietário. Segundo ela, Juliana já havia chegado bêbada por volta das 20h. De acordo com familiares da vítima, a menor não tinha o costume de beber. Havia muita gente na festa, entre elas, Faustinho e mais quatro amigos. Todos dançaram com Juliana como contam as testemunhas. Por volta das 23h30, Juliana teria ido para casa, levada por Rita de Cássia, que decidiu acompanhá-la, apesar de Juliana morar distante cerca de 500 metros do bar. Dizendo que iria tomar banho para dormir, Juliana se despediu de Rita na entrada da onde mora, conhecida na região como ?Vila da Genilson?. Aproximadamente 30 casas constituem o lugarejo que fica em frente a um terreno baldio. Uma irmão de Juliana chegou a vê-la se encaminhando para o banheiro comunitário da vila, com toalha e saboneteira na mão. Depois disso, começa o mistério. Ninguém ouviu nenhum barulho na vila, a saboneteira não foi encontrada e a toalha foi achada enrolada no corpo de Juliana, já no Rio Mundaú, quando foi vista por populares. O laudo do Instituto Médico Legal revelou que a adolescente foi morta por asfixia mecânica - provocada pelas mãos. Se ela foi estuprada, ninguém, nem o IML, conseguiu provar. O estado de putrefação do corpo impediu o exame. |CS