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Crime em Murici continua sem solu��o

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CARLA SERQUEIRA Repórter Murici - Mais uma vez familiares da adolescente Juliana Cassiano da Silva, de 16 anos, morta no dia 10 de abril de forma misteriosa, saíram pelas ruas de Murici cobrando a elucidação do crime. Na noite em que desapareceu, Juliana deixou o bar do Tonho, onde tomou bebida alcoólica e dançou com freqüentadores, no Centro da cidade, e foi para casa na companhia da amiga Rita de Cássia, 22 anos. A jovem teria ido tomar banho no banheiro comunitário da vila onde mora, a cerca de 20 metros de sua casa, quando desapareceu sem deixar pistas para a polícia. Dois dias depois, apareceu morta no Rio Mundaú, num trecho distante dois quilômetros de sua residência. Rita de Cássia está presa desde sexta-feira, dia 11, na delegacia de Murici, suspeita de ter favorecido a ação dos assassinos. A família de Juliana acredita que Fausto Cardoso Batista Neto, conhecido como ?Faustinho?, filho do ex-vereador de Murici, Fausto Cardoso, é o principal suspeito junto com Rita de Cássia e três amigos. ?Eles sabem o que ocorreu com ela, mas não querem dizer?, disse o primo da vítima, José Firmino da Silva Filho. Passeata e jogo político Gritando por justiça, familiares e amigos de Juliana Cassiano caminharam em direção à delegacia para cobrar agilidade nas investigações. O delegado de Murici, Élvio Brasil, não estava na cidade. Segundo o chefe de operações policiais, Alex Sandro de Araújo, o delegado estava em Maceió e provavelmente só retornaria no dia seguinte. De longe, em seu carro, acompanhava a manifestação o tio de ?Faustinho?, apontado pela família de Juliana como o culpado pelo crime. ?A manifestação é um ato público e eu tenho todo o direito de participar?, defendeu Maurício Batista. ?Meu sobrinho é uma pessoa pacata. Isso que está acontecendo é um jogo político?, disse, afirmando que políticos adversários de sua família têm interesse de prejudicá-los. Segundo ele, a mãe de Juliana recebeu uma geladeira, um fogão e um ferro elétrico como presente de políticos da cidade no Dia das Mães. ?Como querem que Faustinho dê conta da menina se ele saiu do local duas horas antes do acontecido??, questionou Maurício. A mãe de Juliana, Cícera Cassiano, afirmou que Maurício Batista acompanha as manifestações para ameaçar quem participa. Maurício negou as acusações. ?Também queremos que o caso seja apurado, mas sem envolvimento de políticos?, disse Batista. Prisão preventiva Rita de Cássia foi presa pela segunda vez como suspeita pela morte de Juliana. ?Tenho a minha consciência limpa?, afirma. Segundo ela, depois que deixou Juliana na vila não a viu mais. ?Dizem que eu a coloquei dentro de um carro, mas é mentira?, diz, explicando que antes de ?Faustinho? e os amigos deixarem o bar, convidaram as duas e mais outra amiga para irem em uma fazenda continuar a festa. ?Mas Juliana sequer entrou no carro. Não fomos porque a dona do bar não deixou?, contou Rita. Na carceragem da delegacia de Murici, Rita de Cássia dorme num tapete há quatro dias. ?Estamos investigando, além da morte de Juliana, outros crimes ligados à prostituição de menores?, informou o chefe de operações policiais, Alex Sandro de Araújo. Na época do crime, Rita de Cássia morava no bar, onde mora também a família de ?Tonho?, proprietário do estabelecimento. Moradores da região dizem que o local é um ponto de prostituição infantil. Sobre as acusações de aliciamento de menores, Rita afirma não ser verdade. ?Lá é uma casa de família. Morei mais de um ano no bar e nunca me prostituí?, diz ela. Com a voz embargada, Rita garante ser inocente. ?Como eu fui a última a estar com ela, tudo caiu em cima de mim?, reclama, dizendo sentir falta da filha de quatro anos. ?Mas onde Juliana estiver, ela sabe que não fui eu?. Rita de Cássia não suspeita de ninguém, mas acha que quem raptou Juliana foi gente conhecida, ?senão ela teria gritado?, defende. ?Se eu soubesse quem fez isso com ela, já teria dito?.

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