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Rebeli�o provoca queda de diretor

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EDNELSON FEITOSA Repórter O secretário de Ressocialização Walter Gama mandou ontem abrir sindicância para apurar os fatos que resultaram numa rebelião de presos que deixou dois mortos e 14 feridos, no sábado passado, no presídio Rubens Quintella, no Tabuleiro do Martins. O diretor de disciplina do presídio, Cristóvão Ferreira, foi afastado do cargo. Os presos reclamaram de agressões e humilhações por parte dos agentes. O clima no presídio Rubens Quintella começou a ficar tenso há pouco mais de uma semana, quando agentes penitenciários do GAP, um grupo treinado no Batalhão de Operações Especiais da PM, realizaram uma revista no local. Os detentos denunciaram que foram humilhados e tiveram cabelos raspados. Outros falaram de torturas, espancamentos e falta de respeito por parte dos servidores da Secretaria de Ressocialização. Informado sobre os excessos cometidos pelo GAP, o secretário Walter Gama suspendeu as ações do grupo até segunda ordem. ?Espancou, eu boto para fora. Não aceito humilhação?, afirmou o secretário, ressaltando que designou o delegado Genilson Souza Santos para apurar o caso. Os guardas são pessoas contratadas, que não se submetem a concurso público, e assim podem ser demitidas a qualquer momento, pois não têm estabilidade. Até mesmo a preparação é feita de maneira deficiente. Durante toda semana passada, os presos reclamavam de falta d?água no prédio, que hoje abriga 270 detentos. ?A água chegava, mas era insuficiente. Nós estávamos tentando resolver com a aquisição de uma bomba?, afirmou Gama, acrescentando que não conseguiu observar um motivo para um protesto tão grande, que envolveu quase 60 presos do raio inferior. O presídio Rubens Quintella passou por reformas no ano passado e foi reativado para desafogar o presídio Cirydião Durval, que chegou a ficar com o dobro da capacidade. ?Eles têm o que há de melhor no sistema prisional, não sei por que tanta reclamação?, ponderou o secretário. Walter Gama declarou que só vê uma justificativa para tanta agressividade dos presos: a droga. ?Não tenho os laudos. Se houve crime, os agentes vão responder. Não sei ainda se eles foram mortos a tiros ou vítimas de espeto?, declarou o secretário. A dúvida de Walter Gama era sobre, principalmente, o detento que morreu dentro do presídio, pois acabou carbonizado pelos companheiros. No entender do secretário, é urgente o retorno das revistas íntimas em mulheres para ter acesso aos presídios. ?Sem revista, a droga entra à vontade no sistema?, garantiu o secretário. ### Motim deixa dois mortos e 14 feridos Dois presos morreram, 14 saíram feridos à bala e quatro conseguiram fugir. Esse foi o saldo da rebelião, ocorrida no último sábado, no presídio Rubens Quintella, antigo São Leonardo. Os detentos reclamavam de falta d?água no prédio e reivindicavam o pernoite com as mulheres no período junino, quando um grupo de 50 detentos decidiu se rebelar. O tumulto demorou mais de 6 horas e somente foi contornado com a chegada de militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar. Quando o Bope chegou o terror já havia se instalado no presídio. Os presos rebelados enfrentaram os agentes penitenciários e foram rechaçados à bala. Armados de espeto e facas artesanais, eles tentaram furar o bloqueio da guarda e atingir a parte externa do prédio. Houve confronto e muitos tiros. ?Todos os presos que deram entrada na Unidade de Emergência estavam feridos com estilhaços de bala, tiros de raspão ou atingidos gravemente?, explicou um policial que estava de plantão no hospital. Muitos agentes garantem ter atirado para o chão ou para cima. No entanto, as balas atingiram os detentos. ?Se tivéssemos atirado neles, teria acontecido uma chacina?, adverte um agente penitenciário, alegando que estava com uma arma automática e poderia disparar até 30 tiros. Segundo o laudo do IML de Maceió, o detento Ronaldo dos Santos, 21, que morreu dentro do presídio Rubens Quintella, foi assassinado a tiros. Ele já estava morto, quando foi carbonizado pelos companheiros. O detento Carlos Henrique Barbosa de Lima, 18, o ?Pipoca?, morreu numa das enfermarias da UE. Dos 14 detentos que deram entrada somente dois permaneciam hospitalizados até ontem. Fernando Gomes Marinho, que não foi operado (sofreu ferimento na cabeça e está em observação), e Mário Marques Barbosa, este último, operado para retirada de um projétil e drenar líquido do tórax. Na rebelião, os detentos quebraram grades, atearam fogo em colchões e mobílias. Quando a rebelião terminou, cinco presos fugiram do presídio, um foi recapturado na hora. A direção do sistema penitenciário ainda não dispõe dos nomes de dois dos quatro presos que conseguiram fugir. O secretário informou que um deles é Rodrigo, o mais exaltado no momento do tumulto, que participou das negociações. O outro foi identificado como Aldo. O clima permanece tenso no presídio. Os detentos não retornam às celas, desde a noite do sábado, porque não existem grades para isolar o raio inferior, que sofreu os maiores danos. A guarda externa, feita pela PM, foi reforçada. |EF ### Conselho denuncia maus-tratos O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos quer apuração rigorosa sobre a rebelião no presídio Rubens Quintella Cavalcanti, antigo São Leonardo, no último sábado, que ocasionou na morte de dois detentos e 14 feridos. ?Espero que a polícia apure esse fato?, disse Everaldo Patriota, presidente do conselho. De acordo com ele, as armas usadas durante o confronto dos detentos com os agentes penitenciários ainda não foram recolhidas. ?É preciso que a perícia avalie essas armas utilizadas durante a rebelião, mas até agora elas não foram sequer recolhidas?, informou Patriota, pedindo agilidade no envio do material. O presidente do conselho denunciou que no sábado, dia 4 deste mês, os detentos tiveram um confronto com homens do Grupo Especial de Agentes Penitenciários (GAP). ?Esse grupo foi o grande responsável pelos maus-tratos daquele dia, mas os tiros deflagrados na rebelião do último sábado vieram dos agentes penitenciários?, confirmou Everaldo Patriota. Relatório Um relatório sobre a situação do presídio Rubens Quintella começou a ser elaborado pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, depois do dia 4. ?Logo na segunda-feira, passei o dia no presídio fazendo o relatório que será encaminhado às autoridades?, informou o presidente Conselho. Parentes dos detentos denunciaram que homens do GAP e agentes penitenciários espancaram presos na manhã do dia 4. Pelo menos 25 detentos ouvidos pelo Conselho confirmaram ter sido espancados com a permissão do diretor de disciplina, identificado no relatório apenas como Cristóvão. Em um dos depoimentos, o detento José Juca da Silva diz que está doente, defecando sangue e saiu do presídio Baldomero Cavalcanti arrastado, algemado, a pé e apanhando de integrantes do GAP até o Rubens Quintella. No questionário elaborado por Everaldo Patriota os presos informaram que os homens do GAP trabalham alcoolizados ou drogados. RC

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