Polícia
Pol�cia investiga morte e espancamento
MARCOS RODRIGUES Repórter A violência cometida contra os presos rebelados no presídio Rubens Quintella, no último sábado - conforme denúncia de familiares e da Comissão Estadual de Direitos Humanos (CEDH) - começará a ser investigada na segunda-feira. O inquérito que vai apurar as denúncias de espancamento e morte de presos por agentes penitenciários será conduzido pelo delegado Denisson Albuquerque, especialmente indicado pela Secretaria de Defesa Social. Presos mortos A rebelião, que foi contida pelos agentes, depois de cinco horas de quebra-quebra e vários colchões queimados, deixou um saldo de dois presos mortos e 14 feridos. Os mortos, segundo as primeiras informações, foram vítimas de tiros. O detalhe é que entre os reeducandos não existiam armas de fogo, mas sim estiletes, espetos, porretes e facas improvisadas. ?Na segunda-feira estaremos tendo contato com o secretário de ressocialização afim de saber quais as primeiras informações obtidas pela sindicância que foi instaurada pela secretaria?, explicou Denisson. Ele confirmou ainda que as armas apreendidas, entre os reeducandos e também as utilizadas pelos agentes serão periciadas. ?Em seguida não está descartada a coleta de depoimentos, para a montagem do inquérito?, concluiu Denisson. Afastamento O afastamento dos agentes envolvidos na operação de contenção não foi confirmado pela Secretaria de Ressocialização. Segundo informações obtidas no Sistema Penitenciário, o secretário Walter Gama se encontrava acompanhando o governo no Interior, em Campo Alegre. O presidente do CEDH, vice-presidente da OAB, advogado Everaldo Patriota, disse que desde o dia da rebelião o Grupo de Apoio Penitenciário (GAP) - acusado de liderar os excessos contra os presos - está com suas atividades suspensas. ?Mas, para nós só devem voltar às atividades caso se adequem aos princípios de contenção que utilizam armas de borracha e técnicas de imobilização?, observou Patriota. Everaldo confirmou ainda que o conselho indicará pessoas para acompanhar os rumos da sindicância e o inquérito que será instaurado para apurar o que motivou a rebelião. No sábado, os reeducandos denunciaram que a rebelião ?estourou? em represália a uma revista violenta que teria sido organizada pelos integrantes do GAP. O grupo é acusado de incluir, no trabalho de rotina, espancamentos e obrigar alguns a terem que se locomover de joelhos. Carandiru Ontem, primeiro dia de visitas após a rebelião, familiares de presos ouviram mais detalhes. ?O meu filho contou que eles mexeram com pessoas que não tinham nada a ver com confusão. Eles diziam para eles que seriam tratados como no filme Carandiru?, disse Maria de Lourdes, torcendo para o juiz apreciar o pedido de habeas-corpus impetrado pelo advogado do filho, detido por envolvimento com drogas. Segundo outros familiares, o local onde ocorreu a confusão continua com as marcas das chamas e com um cheiro forte. Os colchões queimados foram repostos no final da tarde.