Polícia
Pol�cia deve indiciar donos de empresa
FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Os diretores da empresa CBN, responsável pela instalação de um palco no palhoção no Conjunto Salvador Lyra - que desabou no último sábado, matando a menina Maria Mariana Tenório, 9 - podem ser indiciados por homicídio culposo, se o laudo da perícia concluir que houve negligência na montagem da estrutura. Eles foram intimados pela delegada de Crimes contra a Criança e o Adolescente, Ana Luiza Nogueira, para prestar depoimento na próxima segunda-feira, no inquérito que apura a morte de Mariana. A delegada adiantou que a empresa responsável pela montagem do palco é quem responde penalmente pelo acidente, pois foi contratada pela associação do bairro para executar o serviço e deveria ter adotado todas as medidas de segurança. Detenção ?Se forem condenados por homicídio culposo, os responsáveis pela empresa podem pegar uma pena de um a três anos de detenção?, disse a delegada. Ela ressaltou que o laudo da perícia é uma peça fundamental para a conclusão do inquérito. ?Estivemos, inclusive, no Instituto de Criminalística e eles garantiram que encaminharão o laudo da perícia o mais rápido possível?. A delegada disse que o inquérito - aberto na segunda-feira - deverá ser encaminhado até o dia 3 de julho à Justiça. Na próxima semana, além de diretores da CBN deverão ser ouvidas outras testemunhas do caso. ASSOCIAÇÃO Ontem pela manhã, a delegada ouviu os três diretores da Associação dos Moradores dos Conjuntos Salvador Lyra, José Maria de Melo e Jardim Tropical, entre eles o presidente da entidade, Robervaldo Ventura, que ainda estava bastante abalado com o acidente, que provocou a morte de Mariana. Segundo o primeiro-secretário da associação, Marcus Robson, a empresa CBN já havia sido contratada anteriormente pela entidade para outros eventos. Ele disse que a cláusula do contrato para instalação do palco do palhoção previa a adoção de medidas de segurança. Segundo Marcus Robson, algumas testemunhas afirmaram que o acidente ocorreu durante um intervalo para o almoço dos trabalhadores que faziam a montagem do palco. Só que a empresa não colocou nenhuma fita de isolamento no local ou uma pessoa para orientar os pais a não deixar as crianças se aproximarem da estrutura. Ele disse que a associação vai aguardar a conclusão do inquérito policial e se for comprovado que houve negligência da empresa na instalação do palco, a entidade tomará as medidas judiciais cabíveis contra a CBN. Por causa da morte de Mariana, no último sábado, a associação decidiu suspender os festejos juninos e toda a estrutura montada para a festa já começou a ser desarmada. Marcus Robson explicou que a associação tem estado ao lado dos pais de Mariana, dando todo o apoio, inclusive se houver necessidade de entrar com uma ação contra a empresa. Os pais de Mariana, João e Nadja Tenório, foram ouvidos pela delegada Ana Luiza Nogueira, além de uma pessoa que fez o socorro da menina na hora em que o palco desabou. A delegada informou que algumas testemunhas confirmaram ter ouvido de pessoas que montavam o palco que não era preciso colocar parafusos em algumas estruturas do palco.