Polícia
Gerson Jr. sem data para ser julgado
CARLA SERQUEIRA ODILON RIOS Repórteres O agropecuarista Gerson Júnior ainda não sabe quando vai sentar no banco dos réus. O Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas vai julgar, em julho, apenas um recurso impetrado pela defesa de Gerson, acusado confesso de ter matado o estudante Márcio Edsandro Correia, no dia 16 de maio de 2004, num posto de combustíveis, na Jatiúca. O recurso tem o objetivo de retirar as peças ?qualificadoras? do crime, até então classificado como homicídio duplamente qualificado, e transformá-lo em homicídio simples. De acordo com o advogado de defesa, José Fragoso, ?Gerson Júnior tem que ser julgado por homicídio simples. Quem deve deliberar sobre a qualificação do crime é o júri popular no dia do julgamento?, disse Fragoso. O relator do processo é o desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira, que confirmou para julho o julgamento apenas do recurso solicitado pela defesa. Gerson Júnior continua preso no presídio Cirydião Durval, no Tabuleiro do Martins. Eva Oliveira, mãe da vítima, Edsandro Correia, de 23 anos, reclama da lentidão da Justiça. ?Acho que estão dando tempo demais para a defesa?, observa, confiante que a Justiça será feita. O crime O assassinato de Edsandro Correia ocorreu às seis da manhã de um domingo, em um posto de gasolina, entre os bairros de Ponta Verde e Jatiúca. O ciúme e o álcool foram os motivos do crime. Márcio Edsandro tinha um relacionamento com a ex-namorada de Gerson Lopes, Marcella Lagrotta. Ela viveu com Gerson durante quatro anos e tiveram um filho, hoje com três anos de idade. Separada de Gerson Lopes, Lagrotta namorava com o estudante assassinado havia um ano. Na madrugada do dia 16 de maio, Marcella contou à polícia que Márcio Edsandro estava alcoolizado e saiu com ela em um Golf prata, placa MUH 0692. Foram à casa de um amigo, apelidado de Kelai, e todos foram a um bar no Stella Maris. Por volta das 3h30, os namorados discutiram pela primeira vez. O motivo teria sido um cigarro dado pela jovem a um amigo do estudante. Marcella Lagrotta disse, em depoimento, que pediu a Márcio que parasse de beber. Como não conseguiu, pediu um táxi e foi embora. Ela ligou para o celular de Márcio, que não a viu sair do bar. Às 5h, Gerson Lopes ligou para Marcella, marcando um encontro com ela, que não quis vê-lo. ?Gerson perguntou se poderia ir onde ela estava; ela não aceitou?, descreve o depoimento, dado na época na Ciapc III. Minutos depois, Marcella escutou o barulho de um carro parando em frente ao prédio onde mora. Ao reconhecer o carro em que estivera com Márcio Edsandro, ela desceu para encontrá-lo, e houve nova discussão. No calor das palavras, o telefonema de Gerson foi lembrado. Nova discussão. Edsandro acabou atendendo um telefonema de Gerson que o convidou a ir ao local onde perderia a vida.