Polícia
Pol�cia aponta para viol�ncia de agentes
Fátima Almeida Repórter O delegado Dênisson Albuquerque, nomeado para presidir o inquérito que apura a morte de dois detentos, e ferimentos de outros 14, durante rebelião ocorrida no último dia 11, no presídio Rubens Quintela, em Maceió, vai trabalhar com a hipótese de culpa dos agentes penitenciários. Ele ainda não ouviu nenhuma testemunha e só ontem recebeu os instrumentos que compõem a inicial do inquérito, mas há pelo menos dois fatos que justificam a hipótese: 1) os presos foram feridos à bala, mas não havia armas de fogo no arsenal recolhido entre eles; 2) não há notícia de que houve negociação com os presos rebelados, antes da entrada repressiva dos agentes penitenciários. DEPOIMENTO DE DIRETOR O ponto de partida do delegado Dênisson Albuquerque vai ser o depoimento do diretor do presídio, José Francisco de Lima, marcado para amanhã, às 8 horas, na Delegacia Especializada de Investigação e Capturas (Deic), que funciona no primeiro andar da Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (Ciapc 1). Ele ainda não sabe quantas pessoas vai precisar ouvir, mas entre elas estarão alguns detentos, e o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino. Armados e encapuzados O delegado recebeu informações (que pretende investigar) sobre a existência de um grupo denominado GAP (que seria Grupo de Agentes Penitenciários), e de fatos envolvendo esse grupo, uma semana antes da rebelião. Esse mesmo grupo teria entrado no presídio, armado e encapuzado, a pretexto de conter a rebelião, quando ocorreu a morte dos reeducandos Carlos Henrique Barbosa de Lima e Ronaldo dos Santos e os ferimentos em outros 14 detentos. Ele quer saber do secretário, por exemplo, se o ?GAP? existe na estrutura da Polícia Civil, e quais as suas atribuições. Entre o aparato recolhido em poder dos presos no dia da rebelião, repassado ontem ao delegado Dênisson Albuquerque, pelo Departamento Metropolitano de Polícia Especializada, constam 11 facas artesanais, 12 espetos, 3 calhas retorcidas, pedaços de serra e um pedaço de madeira suja de sangue.