Polícia
Rodolfo dep�e; amigos relembram Davi
REGINA CARVALHO Repórter Rodolfo Amaral, apontado como autor do disparo que matou o estudante Davi Barros Omena, na madrugada do dia 23, deverá se apresentar hoje. A decisão depende da hora em que o delegado regional de São Miguel dos Campos, Antônio Carlos de Azevedo Lessa, voltar de Brasília, onde se encontrava até ontem. A informação sobre a apresentação do acusado foi adiantada pelo advogado de Rodolfo, Raimundo Palmeira. Com prisão preventiva decretada pela juíza Nirvana Coelho de Mello, Raimundo Palmeira informou que ele está disposto a se entregar. ?Estou questionando o decreto de prisão, pois a juíza alegou uma suposta fuga de Rodolfo. Entretanto ele se apresentou à polícia no dia do acontecido e há testemunhas que viram isso?, destacou o advogado. O crime ocorreu na madrugada do dia 23, na saída de um show junino em São Miguel dos Campos. De acordo com levantamentos feitos pela polícia, Davi não queria deixar Rodolfo dirigir o veículo porque estava embriagado e daí teria sido iniciada uma confusão. A versão foi confirmada por dois amigos da vítima, que estavam no momento em que o tiro foi deflagrado. Entretanto, Raimundo Palmeira disse que a arma estava debaixo do tapete do carro, e Davi havia pego sem permissão, dando início a uma ?disputa amigável? pela posse da pistola. ?Ele me falou que o tiro foi acidental e diz que Davi era seu melhor amigo?, alegou o advogado. Doses de uísque Ele disse ainda que o acusado não estava embriagado, tinha tomado três doses de uísque, porque viajaria no dia seguinte a Campina Grande (PB). O advogado confirmou que a pistola calibre 22 pertence a Rodolfo, mas que não tem o registro da arma porque a achou em um local não indicado por ele. A pistola, que teria sido jogada no rio São Miguel, a alguns metros do local da tragédia, ainda não foi achada. Saudade e tristeza Lágrimas nos olhos, saudade e tristeza. A Igreja de São Pedro, na Ponta Verde, estava lotada ontem para a celebração do 7º dia de falecimento de Davi Hora Barros Omena, 18 anos. Parentes e amigos fizeram fila para entrar na igreja. ?O Davi está em paz. Esse é o único sentimento que temos hoje?, relatou a avó do jovem, Flávia Hora. Valéria Hora, mãe da vítima, quebrou o silêncio. ?Queremos hoje dividir o amor que ele sentia por todos nós. Estamos com muita saudade dele?, acrescentou. Amigos vestiram camisas com a foto do jovem e não conseguiam conter as lágrimas. Muito emocionada, a tia de Davi, Selma Omena, destacou que o sobrinho era alegre e sempre estava de bom humor. ?Hoje temos muita saudade. Nunca vi o Davi sério. O fato de saber que um dia vamos nos encontrar é o que nos conforta?, disse Selma Omena. O avô, Marcelo Barros, disse que a família prefere não emitir julgamento sobre Rodolfo Amaral, filho do empresário Raimundo Câmara Amaral. ?Entregamos tudo nas mãos da justiça. Caso ele seja preso, não vou ficar triste, nem alegre. Isso não vai trazer meu neto de volta. Tenho pena da família desse rapaz?, declarou Barros. ### Parentes de Rodolfo ficam isolados O anúncio da apresentação e prisão, hoje, do estudante de Direito Rodolfo Amaral, 18 - que também deverá depor sobre a morte do colega Davi Hora Barros - movimentou as duas famílias. Enquanto de um lado os familiares de Davi choram pela perda, os parentes de Rodolfo não seguram a emoção de ver o filho responder por crime de assassinato. Ontem, enquanto parentes e amigos de Davi prestavam sua última homenagem ao jovem, morto com um tiro de pistola no rosto, Rodolfo ficou com sua família. De acordo com informações do advogado da família, Raimundo Palmeira, a mãe de Rodolfo, que ele não quis adiantar o nome, desde o último domingo dorme à base de tranqüilizantes e passou a quarta-feira isolada numa das casas da família. O pai de Rodolfo, o empresário Raimundo Amaral, também estava preocupado com o futuro de seu filho. Ele ainda não acredita que o primogênito foi capaz de um ato tão cruel, como vem sendo abordado. Para ele, a versão de tiro acidental é mais coerente. Porém, Amaral não sabe justificar o porquê de o filho portar uma arma durante a ida a uma festa com amigos. A Gazeta obteve informações de que a arma adquirida por Rodolfo, nos últimos dias, devia-se a sua nova tarefa. Atualmente, o jovem era o responsável pelas operações de transporte de dinheiro de uma das lojas da família. Essa é uma das explicações que o jovem deu à família para portar uma pistola. Aos pais ele negou que tenha ido armado a São Miguel dos Campos, para um show de forró, a fim de acertar contas com um outro rapaz que estaria com sua ex-namorada. Desarmamento O advogado da família, Raimundo Palmeira, sabe que seu cliente enfrenta o peso da opinião pública. O seu silêncio, ao passo em que favorece a defesa jurídica, cria sentimento de expectativa e revolta em alguns segmentos. Ontem, ele manteve contatos com seu cliente. Diante da repercussão que o caso tomou, Raimundo tentou negociar com seu cliente uma entrevista para que ele pudesse apresentar sua versão. Até o fechamento desta edição, entretanto, nenhum contato foi mantido com a Gazeta. Desde que o crime aconteceu o advogado é a única pessoa que tem se pronunciado em nome da família. A convivência foi suficiente para Raimundo perceber o quanto o crime cometido por Rodolfo está abalando a família. ?Estão todos abalados com toda essa repercussão?, enfatiza Raimundo Palmeira. Hoje, quando estiver diante do delegado Antônio Carlos Lessa, Rodolfo terá que esclarescer pontos não esclarecidos sobre o disparo que matou Davi. O primeiro é quanto à origem da arma. Até agora a polícia não sabe como o jovem conseguiu a pistola. Além disso, a depender do modelo, ela só poderia disparar se fosse programada para isso. Ou seja, ela teria sido armada. Rodolfo disse a familiares que chegou a tirar o pente de balas. Nesse momento um dos projéteis que estava engatilhado saltou, deixando uma outra bala em ponto de detonação. MR