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Delegado diz agora que torcedor pulou

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REGINA CARVALHO Repórter Depois de 16 dias de investigação e de três indiciamentos, o inquérito policial que apura a suposta agressão sofrida pelo pescador Josival Antonio dos Santos, 23 anos, no dia 26 de junho, durante jogo no Estádio Rei Pelé, tem reviravolta. Com base em depoimentos de pessoas que atuaram no dia do jogo entre CSA e Bandeirante e do próprio Josival, o delegado do 3º Distrito Policial (DP), Carlos Alberto Reis, admitiu a hipótese de que o torcedor pode não ter sido jogado do 3º piso do estádio, mas sim ter caído depois de ingerir bebida alcoólica. ?Depois de tudo estar praticamente concluído, quando fomos ouvir as pessoas para encerrar o inquérito percebemos que houve contradição. Por isso ouvimos todos novamente?, justificou o delegado. Testemunhas e acusados permaneceram durante todo o dia de ontem na delegacia até que Carlos Alberto Reis pudesse ouvir todos e esclarecer alguns pontos, segundo ele, considerados ainda obscuros. O delegado promoveu várias sessões de reconhecimento. Uma testemunha, que teve a identidade preservada pela polícia, identificou José Avanildo dos Santos, Luiz Carlos e Salomão Monteiro como pessoas que se aproximaram de Josival momentos antes de ele cair do pavimento. Eles trabalharam no jogo como bilheteiros e porteiros. Luiz Carlos e Salomão foram indiciados ontem, mas Carlos Alberto Reis admite que pode reverter a decisão. ?Possivelmente vou manter apenas o indiciamento de José Avanildo?, declarou o delegado. Ele foi indiciado no último dia 8 após prestar depoimento. A testemunha que apontou os homens que se aproximaram do pescador estava a aproximadamente quatro metros de distância da vítima. Além de José Avanildo dos Santos, de Luiz Carlos e de Salomão Monteiro outros três homens que estavam no dia do jogo entre CSA e Bandeirante passaram pelas sessões de reconhecimento. Eles foram colocados em filas para que a vítima Josival, um irmão dele e uma testemunha os vissem. Entretanto, Josival informou não reconhecer nenhum deles. Justificativa De acordo com o advogado do clube Bandeirante, Manassés Abs, Salomão Monteiro trabalha em uma das instituições do deputado Luiz Pedro (PDT) - patrono do Bandeirante - e alegou que estava no estádio apenas acompanhando um grupo de crianças. Já Avanildo declarou que tinha ido com um sobrinho ao Rei Pelé e teria pensado que seu parente havia caído do pavimento e por isso talvez teria sido apontado por testemunhas como a pessoa a se aproximar de Josival. Ele negou, inclusive, ter ligação com a diretoria do time. ?Tomei conhecimento do fato somente através da imprensa. Eu estava apenas assistindo ao jogo e conheço o Salomão?, declarou José Avanildo. Sem Ingresso O delegado Carlos Alberto Reis disse ainda que Josival e o irmão recuaram durante os depoimentos de ontem. Eles admitiram ao delegado que não tinham comprado o ingresso para o jogo, informação passada por eles no início das investigações. O advogado Manassés Abs informou que entregou ao delegado uma relação com seis nomes de testemunhas de defesa. O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos acompanhou as sessões de reconhecimento, que foram feitas sem o contato entre acusados e testemunhas. Ele admitiu que poderá ainda haver a reconstituição do acidente. Momentos antes de o delegado Carlos Alberto Reis admitir a reviravolta do caso, o promotor Luiz Vasconcelos enfatizou a violência praticada contra o torcedor. ?Não se pode pensar em apenas lesão corporal?, reforçou o promotor. Josival teve várias fraturas e pode sofrer seqüelas com a queda.

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