Polícia
C�pula manda investigar delegados
MARCOS RODRIGUES Repórter A delegada de Roubos e Furtos de Arapiraca, Elizabeth Sampaio, ouviu ontem, no Departamento de Polícia do Interior (Depin), o delegado Gilberto Luiz de França que atua nos municípios de Jacaré dos Homens e Monteirópolis. Ela preside o inquérito que investiga a participação do delegado na venda de um veículo WG Golf (MVG 8559), com placas clonadas, apreendido em Arapiraca em poder de Felipe Canuto, filho do empresário José Cícero Marques da Silva, o Ciço da Pitu. O depoimento foi acompanhado pelos delegados Roberto Lisboa, diretor-geral da Polícia Civil, e Mário Jorge Marinho, diretor do Departamento de Polícia do Interior, que integram a cúpula da Secretaria de Defesa Social (SDS). O delegado Gilberto França manteve a versão de que não era o proprietário do veículo. ?Apresentei as partes interessadas porque sou conhecido do empresário e do mecânico que vendeu o veículo?, reafirmou. Gilberto França teve o seu nome envolvido no inquérito que apura a venda de carro clonado porque Felipe Canuto e seu pai disseram à polícia que foi o delegado quem levou o carro no momento em que o negócio estava sendo fechado por eles. Em seu depoimento, o delegado falou dos detalhes da transação. Segundo Gilberto França, depois de investigar, por conta própria, ele descobriu irregularidades na documentação, mas admite que não percebeu falhas durante o processo de compra. ?Como a entrada de um carro clonado ou roubado vai custar R$ 8 mil, mesmo valor cobrado no mercado? Por isso, não vi nada de má-fé na negociação?, justificou. ASSASSINATO Ontem também o delegado Gilberto França foi interrogado pelo delegado Josias de Lima sobre a ação policial em que é acusado de atirar no motorista Cícero Neto Silva, morto em maio deste ano enquanto tentava fugir da polícia no Gol KHD 3882, roubado em Maceió. Neste caso, Gilberto França foi ouvido com o delegado Ailton Soares dos Prazeres, que também participou da operação, em Santana do Ipanema. A principal dúvida da polícia é se ocorreram excessos por parte dos delegados. ?A perseguição e abordagem de veículos suspeitos é algo normal. Porém, precisamos saber se existiu necessidade do disparo mortal?, afirmou o delgado Roberto Lisboa. Tanto ele quanto o delegado Mário Jorge Marinho defenderam o aprofundamento das investigações sobre o roubo de carro e o assassinato do motorista. A determinação foi dada pelo secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, que também compareceu ao Depin.