Polícia
Policiais de AL s�o presos fazendo
CARLA SERQUEIRA Repórter Vinte e uma pessoas foram presas na madrugada de ontem, fazendo escolta ilegal de ônibus e vans com destino à feira de Caruaru, em Pernambuco. Dezenove são policiais de Alagoas e Sergipe. Eles seguiam em carros particulares, entre eles, dois veículos de Aracaju, com placas iguais (HIZ 4591), possivelmente roubados. Um arsenal com 24 armas e 343 balas foi apreendido e encaminhado à Delegacia de Belo Jardim, onde o delegado Rômulo César ouviu presos e testemunhas durante todo o dia e parte da noite de ontem. A operação, batizada com o nome ?De Olho na Rota? pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Pernambuco, aconteceu num trecho da BR-423, no município de Cachoeirinha, e envolveu, também, policiais da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Os 36 agentes tinham como alvo traficantes de produtos importados do Paraguai que transitam nas rodovias, sem notas fiscais, para abastecer o comércio de Caruaru ilegalmente. ?Já vínhamos observando o movimento há algum tempo. Nos ônibus, não encontramos as mercadorias irregulares, mas conseguimos prender policiais que não poderiam estar trasitando com armas em território pernambucano?, disse o coordenador da operação, Eder Rommel. Dezenas de DVDs piratas foram encontrados e apreendidos dentro de um carro conduzido por policiais de Sergipe. ?Bicos comuns? Para o diretor da Polícia Civil de Alagoas, Roberto Lisboa, a ação da Polícia de Pernambuco não foi bem vista. ?O trabalho de escolta por policiais é, de fato, ilegal?, reconheceu, ?mas acontece que a PRF não dá segurança para quem trafega?, rebateu Lisboa, defendendo os agentes presos pela polícia pernambucana. ?Não vejo com muita alegria a ação da polícia de Pernambuco. Se os detidos são policiais entende-se que eles estão preparados para garantir a segurança da população?, argumenta, afirmando que os ?famosos bicos? são comuns dentro da polícia. ?Ao menos, esse tipo de ?bico? é mais honesto. Melhor do que eles [os policiais presos] estarem fazendo a segurança particular de autoridades, que, se mandam matar, eles matam; se mandam dar pisa, eles dão?, diz, garantindo que todos os policiais de Alagoas presos na operação não estavam com armamento da Secretaria de Defesa Social. ?As armas são legais e os policiais têm o registro delas?, afirmou. ?A única ilegalidade é que eles não poderiam estar em outro Estado portando armas sem autorização da corporação?, alegou. Policiais de Sergipe foram flagrados com armas da Secretaria de Segurança Pública e devem responder também por porte ilegal de armas. Entre as vinte e uma pessoas presas, sete são de Alagoas: Sérgio Costa Cavalcante é policial civil, Givanildo Santana, Sérgio Luís Barbosa, Ailton Izídio da Silva, Jair Gouveia dos Santos e Adriano Jorge dos Santos são policiais militares, e mais um cidadão que não foi identificado, também, formava o grupo alagoano. As alegações basicamente são as mesmas e recaem sobre o baixo salário que ganha um policial. ?Isso é só uma ajuda para a gente. O salário é muito pequeno, muito irrisório?, disse o policial civil, Sérgio Costa, no momento em que estava sendo preso, em Pernambuco. A escolta foi contratada pelos próprios sacoleiros. Cerca de 50 ônibus seguiam para Caruaru com passageiros de Sergipe e Alagoas. Até o fechamento desta edição, o delegado Rômulo César ainda colhia depoimentos. A cúpula da Polícia alagoana vai aguardar a decisão do delegado para tomar uma posição oficial.