Polícia
Presos criam confus�o na volta � cela
CARLA SERQUEIRA Repórter Uma confusão no Presídio Rubens Quintella, no Tabuleiro do Martins, assustou ontem, dia de visita, familiares dos trezentos presos lotados no térreo do prédio, chamado ?raio de baixo?. Por volta das 17h, quando os detentos iam jantar e depois seriam recolhidos às celas até o dia seguinte, houve resistência. Dormindo em celas sem trancas desde a última rebelião, dia 11 de junho, eles não querem mais ficar atrás das grades. Naquele sábado (11 de junho) a destruição foi grande e, além de portas quebradas, um saldo de dois presos mortos e 14 feridos, supostamente à bala, fez iniciar investigações internas e instaurar um inquérito policial para apurar se houve excesso dos agentes penitenciários. Na época, o diretor de disciplina do presídio, Cristóvão Ferreira, foi afastado do cargo. Os presos reclamavam de agressões e humilhações por parte dos agentes. Investigações As investigações ainda não foram concluídas. Em depoimento ao delegado Denisson Albuquerque, que investiga o caso, os agentes garantem ser inocentes e afirmam que atiraram para cima na tentativa de conter a confusão. Reforma Com o presídio em reforma há mais de um mês, desde a rebelião do dia 11 de junho, os 300 presos passam o dia num pátio e à noite vão para as celas, sem cadeados, até o dia seguinte. Ontem, as celas já estavam reformadas, prontas para abrigá-los, mas a direção do presídio foi obrigada a recuar para evitar novo confronto. O secretário de Ressocialização, Valter Gama, afirmou que vai convocar, hoje, o Conselho Estadual de Direitos Humanos para negociar com as lideranças dos presos, ?mas se não tiver acordo, vou ter que apelar para a força. Não vou permitir que agora, para evitar rebeliões, eles [os presos] administrem o presídio?, frisou, criticando a posição do secretário de Direitos Humanos do Estado, José Roberto, que defende a ausência de revista íntima em dias de visita. ?É muita droga que entra?, reconhece, ?ali não tem nenhum anjo e quando aqueles homens estão drogados o perigo fica muito maior?, revelou. ?Assistir ao jogo na arquibancada é muito bom, todo mundo é técnico. Quero ver entrar em campo?, disse, referindo-se à postura de José Roberto que, segundo ele, nunca foi ao presídio. Violência constante A rotina é violenta entre os presos, de acordo com Valter Gama. ?Qualquer reivindicação, eles machucam alguns deles?, disse. Há dois dias, um detento foi espancado acusado de roubar as celas. ?Tem um tal de Bruno que é o líder do módulo onde ocorreu a rebelião?, contou. ?Ele estava de castigo porque havia espancado o suposto ladrão junto com mais outro preso e os demais estavam exigindo que ele fosse retirado da solitária?, explicou, dando uma noção do clima que persiste no presídio. ?Depois da rebelião de junho, quando começaram a dormir sem cadeados nas celas, ficaram com as asas grandes demais?, concluiu. O diretor do Presídio Rubens Quintella, Francisco Lima, não quis comentar sobre o incidente de ontem. ?Está tudo sob controle. Amanhã [hoje] vou chamar o representante dos presos para negociar?, limitou-se em dizer.