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�ndice de alcoolismo alto entre policiais

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CARLA SERQUEIRA Repórter ?Muitos policiais militares moram em vilas e favelas porque não têm condições de pagar sequer um aluguel?, afirmou o presidente da Associação de Cabos e Soldados, Wagner Simas, entidade que representa 3.100 policiais de um total de 4.800 existentes em Alagoas. Ele revela que o salário de um policial militar vale entre R$ 790 e R$ 900. Com os descontos obrigatórios, como contribuições com a Previdência, o trabalhador chega a receber cerca de R$ 400. ?90% dos filhos de policiais militares estudam em escolas públicas?, garante. Wagner Simas critica o governo quando se fala em campanha salarial. ?A única coisa que esse governo fez, foi pagar em dia. Durante todos estes anos não tivemos reparos salariais?, frisa. Alcoolismo e suicídio Com estima baixa e endividados, muitos policiais se entregam ao alcoolismo. ?São soldados que não vêem perspectivas no trabalho e acabam se envolvendo com a bebida. O índice de alcoólatras dentro da polícia é alto?, disse Wagner Simas, explicando que a assistência psicológica é quase nula na corporação. ?Existem as assistentes sociais, mas o atendimento é dado em casos extremos de desespero, como tentativas de suicídio?, contou, reconhecendo a dedicação do comandante em mudar este quadro. Só este ano, segundo ele, dois policiais tentaram suicídio. Há três meses, um soldado tentou se matar com sua arma no Benedito Bentes. Também recentemente um subtenente ameaçou tirar a própria vida em frente ao quartel da PM. Os dois estão desesperados por causa de dívidas. No interior a situação também é crítica. Wagner Simas informou que há três meses foi visitar um policial em sua residência, no município de Roteiro. A casa era de taipa e o fogão, de tijolos. Com esposa e três filhos para sustentar, esta semana este mesmo policial esteve na Associação de Cabos e Soldados em busca de uma cesta básica. Há poucas semanas deixou o interior e voltou para a capital. Hoje mora com os pais; a esposa teve que ir para a casa de uma irmã e os filhos, para a casa de outros parentes. A briga por salários mais justos está na esfera federal. A Associação de Cabos e Soldados está tentando conseguir a implementação de uma verba que seja destinada ao custeio humano. De acordo com Simas, a verba do governo federal, hoje, só pode ser gasta com armas, viaturas e equipamentos, como coletes à prova de balas. A verba do governo cobre apenas, segundo ele, os gastos básicos da corporação, como alimentação. ?A verba não é suficiente e há muito tempo não temos fardamento novo. Eu mesmo, para participar de reuniões com o secretário e governador, representando os policiais, tive que comprar um?, revela, dizendo ter gasto em torno de R$ 90 em um uniforme. ?Quando vem fardamento novo é só na época dos desfiles de sete de setembro e na quantidade apenas de quem vai desfilar?, diz ele. ?Se houvesse política efetiva na valorização humana, haveria a satisfação da sociedade que iria contar com policiais qualificados nas ruas?, opina. Sobre ?bicos? feitos por policiais, a reportagem da Gazeta não encontrou ninguém que fosse contra, desde o secretário de Defesa Social do Estado, Robervaldo Davino, passando pelo diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, até a população que se sente indefesa diante da criminalidade. ?O grande culpado é o governo. Se tivesse salário digno para os policiais, não haveria necessidade de ?bicos??, afirmou o diretor do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas, Carlos Minin, salientando que ?escolta feita por policiais é coisa antiga?. ?A maioria dos policiais não vive do salário de policial. Boa parte é também autônomo?, informa. ?O superintendente do shopping, Robson Rodas, é agente policial e nunca ninguém disse nada, inclusive vive tomando uísque com o próprio governador?, revelou. A diferença salarial dentro da polícia é enorme, de acordo com o sindicalista. ?O governo resolveu criar, arbitrariamente, dois tipos de polícia?, explica. ?Dos 1.800 policiais, 200 viraram polícia especializada e os demais, operacional?, diz, referindo-se ao Tigre (operações especiais) e à Oplit (operações litorâneas). A diferença salarial chega a R$ 500. ?Quem protege a cúpula e a rede hoteleira, ganha mais; quem tem que trabalhar diretamente com bandidos na periferia precisa do ?bico? para sobreviver?. Já um delegado ganha em torno de R$ 4 mil.

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