Polícia
Sem-teto acusa policiais de maus-tratos
FÁTIMA ALMEIDA Repórter O morador de rua Leandro José do Carmo Bezerra da Silva, 28 anos, acusa dois militares do 4º Batalhão, que prestam serviço no bairro de Santo Amaro, de tê-lo agredido a tapas e ponta-pés. ?Eles mandaram eu tirar minhas roupas de lá do posto (onde guardava) e eu não tirei. Aí eles começaram a me bater?, relatou Leandro à Gazeta. Após passar mal nas imediações da passarela do Canaã, a cerca de 300 metros do posto policial onde ele diz ter sido agredido. Leandro foi socorrido por uma equipe do Serviço Médico de Urgência (Samu) e levado para a Unidade de Emergência Armando Lages, onde deu entrada queixando-se de dores no estômago, segundo boletim médico, e liberado em seguida. Ele não apresentava nenhum sinal que confirmasse a agressão. Segundo moradores, ?Leléu?, como é mais conhecido, tem problemas mentais e guardava suas roupas no posto policial há muito tempo. Ontem, após uma discussão com os policiais de plantão, que determinaram a retirada dos seus pertences do posto, Leandro teria deixado o local e passou mal poucos metros adiante, sendo ajudado por moradores. ?Ele estava chorando muito, caído na lama e machucado. E disse que os policiais bateram nele, arrastaram e chutaram seu estômago?, declarou o morador José Félix, que ajudou a socorrê-lo. A exemplo de muitas outras pessoas, Félix afirmou que não viu nada. Também na Rua Pão de Açúcar, onde fica o posto policial, ninguém confirma ter presenciado cenas de violência. A dona-de-casa Jane dos Santos Barros relatou que ?Leléu? teria pedido para guardar uma caixa com roupas em sua casa, porque não podia mais deixá-las no posto policial. ?Ele saiu normalmente, dizendo que ia na casa do pai. Não estava machucado e não falou nada de agressão. Pouco tempo depois chegou a história de que ele tinha passado mal e toda essa conversa de violência?. Versão da polícia Os policiais acusados negam a agressão, mas confirmam a discussão. ?Ele mora na rua e guardava sua roupa na companhia. Só que esta semana tomou uma cachaça e destratou um policial. Aí mandamos ele sair. Como ele se recusou, nós tiramos ele à força. Mas ninguém o machucou. Temos testemunhas de que ele saiu do posto andando normalmente?, disse o soldado Edvan dos Santos. Na comunidade, onde é conhecido, Leléu é citado como doente mental, e não tem histórico de violência nem arruaças. No entanto a coordenadora pedagógica Isaura Lessa, que acolheu o morador de rua durante um ano em sua casa, diz que ele ?gosta de aumentar as coisas e criar uns probleminhas?.