Polícia
Executado motorista de desembargador
| EDNELSON FEITOSA Repórter O motorista do Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas, Adelmo Raimundo da Silva, 41, que trabalhava com o desembargador Orlando Manso, foi achado morto, por asfixia, na tarde da última terça-feira, num canavial da Usina Utinga, em Rio Largo. Ele havia desaparecido, na manhã da última segunda-feira, de forma misteriosa, da porta do prédio onde Manso reside, localizado na Avenida Álvaro Otacílio, em Ponta Verde. Foi o segundo motorista do desembargador Orlando Manso que morreu vítima de assassinato. Segundo funcionários do TJ, faz quatro anos que José Carlos do Nascimento, 31, foi executado a tiros em Maceió. José Carlos era cunhado de Adelmo. CHAVES NO CARRO O motorista Daniel Raimundo da Silva, 34, irmão de Adelmo, revelou ontem no IML ter sido informado de que a vítima tinha estacionado uma picape Hilux, de placa oficial, em frente ao prédio e aguardava o desembargador. Só que de maneira estranha, conforme relato do porteiro, identificado como Manoel, ele deixou as chaves do carro na portaria e sumiu, fato incomum em se tratando de Adelmo, pessoa muito responsável. Daniel afirmou que o irmão, que era casado e pai de cinco filhos, trabalhava com Orlando Manso há quinze anos. ?Tenho certeza que ele não tinha inimigos. No entanto, ele era uma pessoa reservada e pouco falava de sua vida?, afirmou o irmão, acrescentando que esteve com o motorista há pouco mais de 20 dias e ele não parecia preocupado, ?mas eu não acredito que se estivesse com problema, dividisse com alguém?, destacou. Colegas de trabalho de Adelmo que estiveram na manhã de ontem no Instituto Médico Legal Estácio de Lima, aguardando a liberação do cadáver, consideram um mistério o assassinato do motorista. ?Ele era amigo de todo mundo, um homem de confiança do desembargador e dos companheiros do tribunal?, declarou uma amiga, que se identificou como Cleide. Ela disse não acreditar que algo de tão grave ocorreu com o amigo. CELULAR ABANDONADO Os parentes de Adelmo Raimundo revelaram no IML que o sumiço do motorista começou a preocupar, desde que souberam que ele tinha deixado as chaves do carro e desaparecido em pleno horário de serviço. ?Era um fato incomum, pois ele era responsável demais?. Outro pormenor que aumentou a preocupação da família diz respeito ao celular da vítima haver sido abandonado dentro do veículo do TJ. Ele tinha levado apenas os documentos. Quando prestaram queixa do desaparecimento de Adelmo na Delegacia do 2º Distrito, os parentes chegaram a comentar que se ele saiu do prédio, onde aguardava o desembargador Orlando Manso, estava rendido ou seguiu com alguém de sua inteira confiança. Porém, admitem que a primeira hipótese e mais consistente é a de que Adelmo teria sido vítima de seqüestro seguido de homicídio. No IML, os funcionários informaram que o motorista foi morto por asfixia mecânica, ou seja, esganado ou estrangulado. Quando foi achado no canavial, o corpo não apresentava outros sinais de violência. A carteira de documentos da vítima estava ao lado do cadáver. Na manhã de ontem, o desembargador Orlando Manso afirmou que Adelmo não era seu motorista particular, conforme as primeiras informações da imprensa, e, sim, funcionário do Tribunal de Justiça de Alagoas. Ele informou que o celular usado pelo motorista minutos antes de ter desaparecido já foi entregue à polícia. O desembargador pediu rigor nas investigações. O caso está sendo investigado pelo delegado de Rio Largo, Marcílio Barenco.