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Prefeita recebe amea�a ap�s assassinato

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EDNELSON FEITOSA REGINA CARVALHO Repórteres O assassinato do motorista Carlos André Fernandes Santos, 25, na tarde da quarta-feira, trouxe de volta o clima de ameaças, que marca a história recente do município de Satuba. A prefeita Cícera Pereira da Silva, Ciça do Bar, e vários secretários municipais se dizem ameaçados de morte pelo ex-prefeito Adalberon de Moraes. A prefeita já fez representação na Secretaria de Defesa Social contra Adalberon, que prometeu matar a prefeita ou um dos seus filhos. Na semana passada, Ciça do Bar procurou o secretário Robervaldo Davino para pedir proteção. Ela quer garantias de vida imediatas. Ela e seus assessores passaram a andar armados ou com seguranças particulares. Uma das principais razões que teria causado a ira de Adelberon seria o afastamento de pessoas de sua confiança determinada por Ciça do Bar, após o racha do grupo do ex-prefeito com a atual administração. Inclusive, fato que acarretou a demissão da ex-mulher de Adalberon, Fátima Pedrosa, considerada pivô da morte do motorista Carlos André. Crime passional Como a Gazeta divulgou ontem, o assassinato do motorista teria motivação passional. Ele teria sido ameaçado por, pelo menos, três vezes antes de ser assassinado. As ameaças partiam do presídio Baldomero Cavalcante, onde Adalberon está preso desde 2003. ?Ele prometeu que ia matar. Agora todo mundo está apavorado, pois ele cumpre o que promete?, afirmou um assessor da Prefeitura de Satuba, que não quis se identificar. ### Assassinado teria dado soco em vice Segundo a mesma fonte, que por segurança a Gazeta não identificou, o ex-prefeito Adalberon teria aproveitado uma confusão ocorrida durante uma festa, envolvendo um político local e Carlos André para poder executá-lo, ?e botar a culpa em outra pessoa?, disse. A confusão teria envolvido o vice-prefeito Délio Almeida que reclamou porque Carlos André estava trocando carícias com Fátima Pedrosa. Ele pediu que respeitasse o local e foi agredido por André com um soco no olho esquerdo. Cidade amedrontada Afora o intrincado jogo político envolvendo prefeito e assessores no caso, o medo e o silêncio voltaram a marcar os moradores de Satuba, depois do assassinato de Carlos André Fernandes, 25 anos. Até agora nenhuma testemunha foi ouvida pela polícia e o delegado que preside o inquérito, Claudemiltkson Benemarcan ainda busca uma linha de investigação. Com base em informações de pessoas que conheciam a vítima, o delegado soube que Carlos André estava trabalhando como motorista particular de Fátima Pedrosa, ex-esposa do ex-prefeito de Satuba, Adalberon Moraes. ?Soube apenas através de comentários que ele estava trabalhando para a ex-mulher de Adalberon?, afirmou o delegado, acrescentando que moradores e parentes da vítima optaram pelo silêncio sobre o caso. Estranheza A emboscada aconteceu por volta da 14h50 no Posto de Combustíveis São Paulo, situado na entrada da cidade. No momento do crime era intensa a movimentação na cidade. Mesmo assim, moradores e funcionários disseram à polícia que não viram o momento que Carlos levou os tiros. ?Cheguei no local logo depois. Estava cheio de gente lá, mas todo mundo disse que não viu nada. Muito estranho?, acrescentou Benemarcan. Segundo o delegado, o pai de Carlos André, José Batista dos Santos esteve ontem pela manhã na delegacia para recolher o veículo do filho, que já tinha sido periciado. ?A única coisa que ele fala é que o filho era uma pessoa trabalhadora e que tinham inveja dele na cidade. Mas também não disse que pessoas seriam essas que tinham inveja?, ressaltou. ### Mãe vê filho levar tiros fatais em posto de Satuba O delegado que preside o inquérito sobre o assassinato do motorista Carlos André, Claudemiltkson Benemarcan, ouviria ontem a mãe dele, Marinete Fernandes dos Santos, a primeira testemunha. Entretanto José Batista, pai de Carlos André, pediu que o delegado ouvisse sua esposa em apenas 15 dias, alegando que ela estava muito abalada. ?Eu disse que não podia esperar tanto tempo. Então, marquei para quinta-feira o depoimento dela?, disse o delegado. O depoimento da mãe de Carlos vai esclarecer muito na investigação. ?Ela viu quando o filho foi assassinado e também vai me contar outros fatos sobre a vida dele. Informações importantes que preciso para realizar as investigações?, informou. Marinete estava a uma distância aproximada de 15 metros do local onde o filho foi morto por dois homens que estavam com capacete, numa motocicleta de cor escura, segundo informações da polícia. A vítima também costumava guardar seu veículo no posto de combustíveis, que também está situado próximo a sua residência. Fiscal de ônibus Os moradores identificam Carlos André como fiscal de ônibus escolar do município, mas ele também atuava como motorista e costumava fazer vários serviços para a prefeitura. Era considerado um homem de confiança pela administração municipal. A situação financeira da vítima será também alvo de investigação policial, já que na sua carteira profissional consta que sua função era de motorista da prefeitura de Satuba e ganhava apenas R$ 240. Entretanto ele tinha dois veículos. Um já estava pago (o que ele estava dentro no momento do crime) e um outro que ele ainda estava efetuando os pagamentos. ?Isso é estranho. Vamos investigar também esse fato?, declarou o delegado. Telefonema estranho Segundo relato de parentes da vítima, Carlos André recebeu um telefonema na sua residência minutos antes de sair em direção ao posto de combustível, onde foi assassinado. Minutos depois da abordagem à vítima, uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ia passando e perseguiu a motocicleta até o bairro de Fernão Velho, mas o motoqueiro e o passageiro entraram numa área cercada que impediu o acesso do veículo da PRF. ?Os dois patrulheiros que estavam na viatura vão depôr. Eles poderão fazer o reconhecimento das pessoas que atiraram, embora eles estivessem de capacetes?, acrescentou o delegado. O delegado conta que os homens que assassinaram Carlos estavam no posto apenas esperando o momento de chegada da vítima para efetuarem os disparos. ?Recolhemos pelo menos seis cápsulas que foram deflagradas?, relatou. Claudemiltkson destaca não existirem dúvidas de que a vítima foi alvo de crime de pistolagem. A reportagem da Gazeta esteve na residência de Carlos André, onde ele morava com os pais. A irmã dele, que preferiu não se identificar, disse que a mãe, Marinete, não tem condições de falar sobre o assunto. ?A única coisa que eu tenho a dizer é que meu irmão não era um marginal?, ressaltou. RC

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