Polícia
Pai troca leite por veneno e mata filha rec�m-nascida
MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - A recém-nascida Maria Raquel Farias dos Santos, de apenas seis meses, morreu no último fim de semana em conseqüência da ingestão de veneno para matar moscas. A substância tinha sido misturada ao leite de sua mamadeira por descuido de seu pai, o agricultor José Adriano dos Santos, 23 anos, que também ingeriu o leite envenenado quando tentava descobrir por que sua filha rejeitava o alimento. choro de criança A mistura do leite ao veneno para matar moscas aconteceu às 18h30 do último sábado, numa humilde residência do assentamento Maravilha, entre os municípios de Craíbas e Girau do Ponciano. Ao perceber o choro de sua filha, José Adriano decidiu preparar o alimento da recém-nascida uma vez que sua esposa, Maria Aparecida de Farias, tinha se ausentado do lar. ?Ele viu a caneca com o veneno, que é líquido e branco. Pensou que fosse leite e fez a mistura. Tampou a mamadeira e empurrou na boca da menina?, conta a aposentada Maria Pastora dos Santos, 62 anos, avó paterna de Maria Raquel Farias dos Santos. ?Eu vi o desespero e a levei para o hospital [Unidade de Emergência do Agreste]?, conta. Não resistiu A pequena Raquel Farias não resistiu aos efeitos do leite envenenado e faleceu na tarde do último domingo. Seu pequeno corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca. Amostras de seu tecido foram coletadas para exame em Maceió. ?O objetivo é comprovar a morte por envenenamento?, explica Mário Jorge Miguel, chefe de serviço da Delegacia de Girau do Ponciano. Segundo apurou a reportagem da Gazeta, o veneno para matar moscas tinha sido adquirido de um vendedor autônomo pelo avô de Raquel, o agricultor José Antônio dos Santos. Ele teria comprado mais de um litro da substância e decidiu reparti-la com a nora Maria Aparecida, que se queixava do excesso de moscas sobre o corpo da filha, no local onde mora. Desespero ?Não tenho palavras. Estou desesperada?, comentou a agricultora Maria Aparecida, ontem cedo, quando aguardava a liberação do cadáver, na porta do IML de Arapiraca. O delegado de Girau do Ponciano, Rodrigo Sarmento, que estava de plantão ontem em Arapiraca, determinou abertura de inquérito para apurar a responsabilidade da família na morte da recém-nascida. Homicídio CULPOSO O pai da criança, José Adriano dos Santos, deve prestar depoimento nos próximos dias. Embora sua esposa e mãe afirmem que ?foi acidente o envenenamento?, ele deve ser indiciado por homicídio culposo. Ou seja: o pai não teve intenção de envenenar sua filha. ?Estou desesperado. Não imaginava viver uma situação dessa natureza. Peço perdão a Deus?, afirmou, ontem à tarde, o pai da pequena Maria Raquel. A recém-nascida foi sepultada ontem à tarde, no cemitério público do povoado Folha Miúda, povoado de Craíbas, à beira da rodovia AL-220, no agreste de Alagoas.