Polícia
Amaral dep�e sobre tiro fatal em colega
| MARCOS RODRIGUES Repórter O estudante de Direito Rodolfo Amaral, 18, acusado de matar com um tiro de pistola calibre 22, no dia 23 de junho, o colega Davi Hora Barros, 19, estudante do 3º ano do Ensino Médio, será ouvido amanhã, às 9h, no Fórum de São Miguel dos Campos, sobre o caso. O crime aconteceu dentro do carro da vítima e foi presenciado por amigos em comum dos dois rapazes. No momento do disparo, eles tentavam retornar para a capital depois de terem curtido um show junino na cidade. Segundo as testemunhas, Rodolfo manuseou a arma, retirou o seu pente de balas, porém deixou uma engatilhada. Amaral, que é filho de Raimundo Câmara Amaral, um conhecido empresário do ramo de jóias, encontra-se preso na delegacia de São Miguel, à disposição da Justiça. Esta é a primeira vez que ele será ouvido, em juízo, sobre o disparo fatal que perfurou o rosto e atingiu o tronco cerebral do jovem. Rodolfo teve o seu pedido de prisão preventiva solicitado pelo delegado da cidade, Antônio Carlos Lessa. Amanhã, ele, por meio de seu advogado, Raimundo Palmeira, fará suas alegações para a juíza Nirvana Melo. No texto, a defesa tentará rever a prisão de Rodolfo, alegando que ele não interferirá no curso do processo. O fundamento para o pedido de habeas-corpus é o de que Rodolfo não teve a intenção de matar e que o tiro foi acidental. O que no Código Penal é descrito como crime culposo. Além disso, a defesa, também, irá se reportar ao socorro prestado à vítima e à apresentação espontânea de Rodolfo, no dia do crime à delegacia de São Miguel dos Campos. ACUSAÇÃO O advogado da família, Oduvaldo Persiano, trabalha em sentido contrário. Ele trabalha para a manuntenção da prisão Rodolfo até o seu julgamento. No requerimento encaminhado a 3ª Vara Criminal da Comarca de São Miguel dos Campos, ele destaca o Código Penal que aponta a necessidade da prisão ?quando houver prova da existência do crime e indício suficiente da autoria?. Quanto ao socorro e consequënte apresentação de Rodolfo à Delegacia, Oduvaldo alega que isso não ocorreu como uma ato responsável, mas sim como uma maneira de escapar da prisão em flagrante. Segundo apurou, Rodolfo teria se colocado na condição de testemuha do fato e não de autor do disparo. Os recursos dos dois advogados serão analisados pela Justiça, que irá se posicionar sobre o caso. ### Na casa de Davi mãe preserva as lembranças Enquanto defesa e acusação buscam espaço para suas teses, a família de Davi Hora Barros vive a dor de sua ausência. A mãe, a estudante de psicologia Valéria Barros, está certa de que o filho foi vítima de um ato irresponsável que deve ser condenado e julgado. Ela, entretanto, não fala em tom de ódio. ?Não é isso o que nos move, mas sim a defesa da vida?, disse. A lembrança de Davi está por toda a parte no apartamento em que morava. No último domingo esse sentimento ficou ainda mais forte, quando os amigos do jovem fizeram um buzinaço para comemorar a volta do CSA, para a primeira divisão. O clube era uma de suas paixões, seguida pelo Flamengo. ?Foi lindo vê-los lembrando do meu filho de forma carinhosa?, revelou Valéria, mostrando camisas do clube que estão estendidas na janela do prédio, ao lado de uma faixa. Uma outra homenagem foi feita pelo dono da lanchonete do Careca, localizada na Jatiúca, onde o rapaz costumava lanchar depois das partidas. Como era exigente, fazia o próprio sanduíche. Após sua morte, uma das opções do cardápio é o ?Sanduba do Hora?. Intimidade Ontem a Gazeta teve acesso à intimidade do jovem, que queria ser publicitário e assistir à Copa do Mundo na Alemanha, em 2006, com o avô. Em seu quarto, intacto desde sua morte, a mãe mostrava detalhes dos quadros do piloto de fórmula 1 Airton Senna e um pôster gigante do Flamengo. O local, além de ser um refúgio da família, é usado como o QG do movimento liderado por seus amigos para pedir justiça por sua morte. ?É essa rede de amigos que ele deixou, associada à estrutura de nossa família que me dá forças para continuar. Além disso sei que ele vive em outras seis pessoas que receberam os seus órgãos?, contou. Consciente do papel que pode representar na luta contra o desarmamento no Estado, a mãe de Davi vai nos próximos dias a Brasília, onde irá se engajar na campanha nacional, articulada pelo deputado federal Raul Jungman (PPS/PE) e pelo senador Renan Calheiros (PMDB/AL). ?Faço isso porque sei que se naquela noite não existisse uma arma ele ainda estaria aqui?, considerou Valéria.|MR