Polícia
M�e-de-santo ateia fogo em servente
| EDNELSON FEITOSA Repórter Sob o pretexto de que pretendia realizar uma cura espiritual, a mãe-de-santo, identificada como Cícera, que tem um terreiro de candomblé próximo ao terminal rodoviário do Conjunto Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins, jogou álcool e ateou fogo nas roupas do servente Josivaldo Simplício dos Santos, 32. Por causa dos ferimentos, a vítima não consegue mover os membros inferiores e os médicos dão poucas esperanças de que ele recupere o movimento normal das pernas e de um dos braços. O caso foi denunciado ontem ao delegado do 5º Distrito, Cícero Rocha, por parentes de Josivaldo, que determinou a abertura de inquérito. A família foi orientada também a procurar a Defensoria Pública para pedir indenização, pois a vítima se encontra sem trabalhar e passando fome. Ritual macabro Josivaldo Simplício dos Santos revelou ontem à imprensa que há pouco mais de três meses tinha ingerido bebida e voltava para casa, acompanhado de um sobrinho de 7 anos, quando percebeu que estava havendo uma festa no terreiro de mãe Cícera e decidiu entrar para assistir. Ele não sabia que terminaria por participar da sessão de macumba. Segundo ela, mãe Cícera mandou que vestisse uma calça branca, característica de filho de santo, e o colocou no meio do ritual macabro, jogando álcool e ateando fogo em seguida. Josivaldo informou que ninguém interferiu enquanto ele queimava e o mensageiro dos orixás, o ?exu? incendiário, ficava dando gargalhadas. Foi seu sobrinho quem tirou a camisa e apagou o fogo. A vítima passou três meses e 13 dias na Unidade de Queimados da Unidade de Emergência Armando Lages, de onde recebeu alta no começo do mês. Josilene Simplício dos Santos, irmã do servente, afirmou que ?mãe? Cícera justificou sua atitude, dizendo que estava manifestada e que pretendia fazer uma cura. Ela prometeu que iria ajudar Josivaldo durante o pós-operatório e comprar remédios quando recebesse alta. ?Não cumpriu nenhuma das promessas?, advertiu Josilene. Ela afirmou também que o irmão está sem trabalhar, passando fome, porque o pequeno salário de aposentada de sua mãe é insuficiente para compra de alimentos e remédios. ?Não temos condições sequer de arcar com as despesas das ataduras?, completou Josilene.