Polícia
M�e confirma vers�o de crime passional
EDNELSON FEITOSA Repórter Satuba - O delegado de Satuba, Claudemiltkson Benemarcan Lourenço de Queiroz, informou que Marinete Fernandes dos Santos, 46, mãe de Carlos André Fernandes dos Santos, 25, confirmou ontem que o filho estava ameaçado de morte, porque vinha tendo um caso com Fátima Pedrosa, ex-mulher do ex-prefeito do município, Adalberon de Moraes. A versão de crime passional foi revelada pela Gazeta na semana passada, quando o motorista da Prefeitura de Satuba foi executado a tiros de pistola, calibre 9 milímetros, num posto de combustíveis de propriedade de Adalberon. Ela admitiu que, desde a prisão do ex-prefeito, Carlos André tinha ficado muito próximo de Fátima Pedrosa e ainda no ano passado começaram os rumores no município de que os dois estavam mantendo um relacionamento amoroso. Ela havia se separado do ex-prefeito pouco antes das eleições de 2004, fato que possibilitou a candidatura da ex-primeira-dama à prefeitura. Ela terminou tendo sua candidatura caçada pela Justiça. Telefonemas Segundo o delegado de Satuba, Marinete Fernandes revelou que os telefonemas com ameaças de morte começaram em setembro do ano passado. Uma pessoa afirmava que Carlos André iria morrer se insistisse em manter o caso com Fátima. Os telefonemas eram feitos para o telefone fixo da residência da vítima. Por algum tempo as ligações cessaram, mas recomeçaram no início de 2005 e estavam mais agressivas nos últimos meses. A vítima não se intimidava, apesar de saber que o ex-marido de Fátima era pessoa violenta e estava preso, respondendo a processo por dois crimes de homicídio: a morte do assessor parlamentar Jeams Alves e o professor Paulo Bandeira. Ambos não se intimidaram com ameaças de Adalberon e acabaram pagando com a vida. Segundo Claudemiltkson, Marinete fez outras revelações que serão investigadas. No entanto, a maioria robustece a versão de que Carlos André foi vítima de crime passional. Inclusive, a família já entregou à polícia o telefone celular da vítima. Ele teria, de acordo com testemunhas, recebido um telefonema e se deslocado para o posto de combustíveis de Adalberon, localizado às margens da Rodovia BR-316, onde foi abordado por dois motociclistas e assassinado com vários tiros que atingiram seu pescoço e sua cabeça. O sigilo telefônico da residência da vítima também será quebrado. ### Pivô do crime, Fátima Pedrosa será ouvida O depoimento de Marinete Fernandes dos Santos, mãe do motorista Carlos André, morto a tiros em Satuba, deixou clara a necessidade de a polícia ouvir logo outra testemunha-chave do crime: Fátima Pedrosa, considerada pivô das ameaças que a vítima vinha sofrendo nos últimos dez meses. As ameaças eram para que o motorista terminasse o caso que tinha com ela. Nas quase cinco horas que permaneceu no cartório da Delegacia de Satuba, Marinete esclareceu que muita gente sabia dos telefonemas. O delegado Claudemiltkson Benemarcan, que preside as investigações que apuram o homicídio, garantiu na tarde de ontem que pretende notificar a ex-mulher do ex-prefeito Adalberon de Moraes. Ele ainda não marcou uma data. É possível que ouça outras testemunhas antes. Pessoas que falem a respeito do relacionamento de Carlos André e Fátima Pedrosa e possam revelar pormenores dos telefonemas. Por exemplo, alguém que confirme que as ameaças partem do ex-prefeito de Satuba. As declarações de Fátima podem ter importância igual ou maior do que foram feitas ontem por Marinete. Isto é, caso ela ressalte outros rumores que correm na cidade. Há pessoas que afirmam que Fátima Pedrosa também foi ameaçada e, inclusive, teve sérios problemas com o ex-prefeito Adalberon, quando de uma visita ao Presídio Baldomero Cavalcanti, onde ele se encontra recolhido por determinação judicial. Represália Apesar de Marinete ter revelado toda verdade sobre os fatos que antecederam o assassinato do filho Carlos André, o medo de represália ficou evidente quando de sua saída da Delegacia de Satuba. Ele escondeu o rosto e se negou a responder perguntas à imprensa, correndo para o carro da família, protegida pelo marido. Segundo parentes, Marinete não se recuperou até agora do trauma de ter assistido ao filho ser baleado e morto por dois pistoleiros, na semana passada. Como testemunha ocular do crime, ela pouco pode colaborar com as investigações da polícia, visto que os dois motoqueiros estavam com o rosto coberto por capacetes e agiram de forma muito rápida, executando a vítima e fugindo na direção da saída do município. |EF