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Doze celulares s�o roubados por dia em Macei�

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CARLA SERQUEIRA Repórter O número de celulares roubados não pára de crescer nas estatísticas do Departamento Metropolitano de Polícia Especializada (Demepe) da capital. Durante o ano passado, a média mensal entre extravio, roubo e furto não passou de 290,5. Este ano, a média mensal já chega a 362,4, o que dá cerca de 12 aparelhos por dia. Os números foram calculados com base no registro de ocorrências e podem ser bem maiores, já que a maior parte das pessoas assaltadas não procura a delegacia para prestar queixa. Para o diretor do Demepe, Eduardo Maia, a desatenção dos usuários ao usar o telefone em vias públicas é a principal facilidade encontrada pelos ladrões. ?Muita gente anda despreocupada falando ao telefone?, diz ele. ?É nesta hora que os assaltantes atacam?, afirma, apelando para que as pessoas sejam mais discretas. ?É muito raro recuperar os aparelhos. Rapidamente eles são vendidos. Os ladrões quando roubam já têm compradores?, diz o diretor. Outra finalidade dos aparelhos roubados, segundo ele, é a prática de mais delitos. ?Alguns usam o celular roubado para coagir e extorquir pessoas?, revela, trazendo à tona a dificuldade para se rastrear os aparelhos. ?É burocrático?, alega. ?Precisamos pedir autorização judicial para que as empresas abram as linhas, e isso demora muito, além de não ser para todos os casos que a autorização é concedida?. Ao analisar as estatísticas, o diretor do Demepe afirma que a tendência é aumentar ainda mais o número de telefones roubados. ?Quanto mais celulares são lançados no mercado, mais roubos acontecem?, diz, orientando as vítimas para que procurem as delegacias quando forem assaltadas. Uma observação feita pelo diretor Eduardo Maia tem relação com as operadoras de celulares. ?Temos uma experiência concreta?, revela. ?Em uma certa investigação, rastreamos uma linha. Mesmo sendo um aparelho roubado, o telefone foi reabilitado por uma empresa, o que não deveria ocorrer?, disse ele. O diretor disse também que recebe denúncias de lojas de pequeno porte que consertam aparelhos e também habilitam celulares de forma clandestina. ?Nossas equipes estão sempre realizando fiscalizações nas feiras livres, principalmente, onde o comércio de telefones roubados é muito grande?, garante. ### Sem ser presos, ladrões voltam a agir Não há horário nem local determinado para a ação dos assaltantes. O estudante de Engenharia Civil, Carlos Henrique Araújo Medeiros, 20 anos, teve seu celular furtado num show na Pecuária, domingo, dia 7. ?Tinha muita gente?, relatou, ?lembro que ainda olhei a hora (1h30) antes de atravessar a multidão. Quando cheguei do outro lado, não estava mais com ele guardado no bolso?, afirma, dizendo ter certeza que alguém tirou. Permuta de bermuda O universitário Bruno Lyra, 19 anos, foi assaltado depois de deixar uma casa de jogos eletrônicos no Feitosa e se dirigir para o edifício onde mora, distante cerca de 100 metros de onde estava. ?Vi que dois garotões saíram de uma rua, então pensei: vão me assaltar?, contou. Com um revólver, os ladrões renderam Bruno e o levaram para um terreno baldio. ?Lá, eles tiraram tudo de mim: uma corrente, um relógio, camisa e até minha bermuda?, disse, revelando que, para não ir embora de cueca, um dos bandidos entregou a bermuda que usava. ?Voltei para casa só de sandália e com uma bermuda toda rasgada?. Tanto Carlos Henrique quanto Bruno dizem que ligaram para os aparelhos roubados. ?Estava desligado?, relata Carlos Henrique. Já Bruno levou mais sorte. ?Liguei na mesma noite, por volta das 23 horas, e um senhor atendeu. Disse que tinha acabado de comprar meu telefone por R$ 15 e queria me devolver. No outro dia, fui encontrá-lo e ele, realmente, me entregou o telefone?. Nenhum deles procurou a polícia para prestar queixa. ?Sei que não adianta mesmo?, alegou Carlos Henrique. O celular de Bruno Lyra custou cerca de R$ 600 e o de Carlos Henrique, R$ 300. ?Para os assaltantes, celular roubado é dinheiro vivo, uma vez que eles geralmente já têm compradores?, afirmou o diretor do Departamento Metropolitano de Polícia Especializada, Eduardo Maia. O comandante de Policiamento da Capital, coronel Brito, avalia que os locais de maior incidência de roubos de celulares está na área nobre da cidade. ?Na Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara temos muitos casos registrados?, afirmou. Eduardo Maia disse que a maior parte dos assaltantes de celular quase nunca vai presa. ?São considerados pequenos delitos?, explicou. ?Quando os ladrões são pegos, é expedido um Termo Circunstaciado de Ocorrência (TCO) que é como um flagrante, mas sem o infrator ficar preso. Muitas vezes, no mesmo dia, eles voltam a cometer o mesmo crime?. De acordo com Maia, com o TCO, o assaltante se compromete a ir à Justiça se explicar, ?mas isso quase nunca ocorre?. A Gazeta tentou ouvir uma operadora, mas não teve retorno. |CS

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