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Evang�licos apontam suspeito do crime

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| EDNELSON FEITOSA Repórter Atalaia - Enquanto a polícia e a Justiça discutem a questão da insegurança e da falta de policiamento em Atalaia, a própria população tenta vencer o medo, com manifestações antiviolência e até apontando possíveis suspeitos do duplo assassinato dos irmãos Elizafan, 39, e Eliane Almeida, 41, crime ocorrido na quarta-feira, em Atalaia. Evangélicos da Igreja Assembléia de Deus levantaram ontem suspeitas de que um ex-detento estaria envolvido no crime. As vítimas desapareceram na última segunda-feira, quando foram entregar um fogão no povoado Sapucaia, na zona rural do município. Os corpos foram achados na quarta-feira, num canavial da Fazenda Gavião, distante oito quilômetros da cidade. O ex-detento, que não teve sua identidade revelada, teria ameaçado o pastor Manoel Viriato, pai das vítimas. ?Ele ficou revoltado porque o pastor proibiu que a mãe levasse sua filha ao presídio para visitá-lo?, informaram. A mãe é da Assembléia de Deus e o pastor considerou que o local era impróprio para a criança. Pessoas que trabalham no povoado Sapucaia afirmaram ter visto um veículo Gol, de cor branca, rondando o local, na tarde da última segunda-feira, no mesmo horário em que as vítimas desapareceram. ?No carro havia pessoas que nunca tinham sido vistas nas redondezas?, declarou uma testemunha. Estranhos no povoado O delegado de Atalaia, Tarcisio Vitorino, afirmou que duas testemunhas já confirmaram à polícia terem visto homens, não identificados, rondando o povoado Sapucaia. Um motorista de veículo de aluguel viu um carro se dirigindo para a área onde os corpos foram encontrados. Vitorino afirmou que os depoimentos oficiais somente ocorreram na manhã de ontem. ?Começamos notificando pessoas e elas serão ouvidas, a partir desta sexta-feira?, declarou o delegado, negando a existência de suspeitos para o crime, que revoltou a população do município. Ele confirmou a versão de que os irmãos foram vítimas de latrocínio (assalto seguido de morte), porque reconheceram os assaltantes. NOVO PROTESTO Centenas de pessoas participaram ontem de uma caminhada em protesto contra o crime dos irmãos e o clima de violência que vive hoje Atalaia. Os manifestantes percorreram as principais ruas da cidade e pararam em frente à Igreja Assembléia de Deus, onde parentes e amigos dos irmãos Elizafan e Eliane e uma multidão de fiéis cantaram o Hino Nacional, fizeram orações e discursos. ### MP denuncia falta de polícia em Atalaia O promotor da comarca de Atalaia, Sóstenes de Araújo Gaia, afirmou ontem que a situação das polícias Civil e Militar no município é lamentável. ?A polícia não tem a mínima condição de trabalhar. O governo precisa dar apoio para evitar os crimes?, declarou. Segundo ele, os crimes estão acontecendo e ninguém faz nada. De acordo com o integrante do Ministério Público, não existe repressão ao tráfico de drogas, à prostituição infantil e aos assaltos à mão armada. O promotor participou da reunião que discutiu a questão da violência no município. No encontro, o diretor da Polícia Civil, Roberto Lisboa, confirmou que existem deficiências, mas que o setor de segurança tenta administrar. Ele garantiu que não tinha conhecimento de que a questão da violência era tão grave em Atalaia. ?Nós vamos tentar resolver o problema com o que temos?, ponderou ele. POUCOS POLICIAIS O coronel Edmilson Cavalcante, comandante da PM, revelou que é de conhecimento geral a realidade da Polícia Militar de Alagoas. Faltam homens e há necessidade de concurso público. ?Vamos canalizar o que temos para deixar a situação como a sociedade deseja. Agora, é preciso vencer o medo. Não é possível que ninguém saiba de onde estão partindo os assaltos?, advertiu o coronel. O prefeito Francisco Vigário, que presidiu a reunião, ressaltou sua preocupação quanto à questão da criminalidade no município. Destacou, porém, que é preciso calma e que as autoridades vão buscar alternativas. ?Vamos unir forças?, assegurou. ÍNDICES DE VIOLência Para uma cidade de cerca de 50 mil habitantes, os índices de violência de Atalaia podem ser considerados alarmantes. Segundo dados da Justiça, somente este ano já houve o registro de roubo de 37 veículos e 60 assaltos praticados. O empresário Aroldo Fidélis foi assaltado quando estava em seu posto de combustíveis, na BR-316. Os bandidos levaram dinheiro e seu veículo Gol. O funcionário público Marcos André também fez o seu protesto. Disse que seu carro foi um dos dez veículos arrombados durante um ?arrastão? ocorrido na noite do show da banda Saia Rodada. ?Parece até que estamos no Rio ou em São Paulo?, afirmou. |eF ### Moradores voltam a bloquear acesso Centenas de pessoas participaram ontem de uma caminhada em protesto ao clima de violência que vive hoje a população de Atalaia. Os manifestantes percorreram as principais ruas da cidade e pararam em frente à Igreja Assembléia de Deus, localizada na Rua Silvestre Périces, no Centro, onde parentes e amigos dos irmãos Elizafan, 39, e Eliane Almeida, 41, com a multidão, cantaram o Hino Nacional, fizeram orações e discursos, alertando para a falta de segurança em Atalaia. Um primo das vítimas, que veio de Murici para participar da manifestação, pediu piedade a Deus pelos moradores da cidade, que está sofrendo demais com tanta violência. ?Não se esqueçam do Senhor Jesus. Ele vai fazer maravilhas pela cidade. Temos que agradecer por tudo, àquele que tudo pode?, destacou ele, afirmando que a tragédia de sua família pode ser um prenúncio de que as coisas vão melhorar em Atalaia. Políticos do município também denunciaram o medo da população, alertando para o fato de que os culpados têm de pagar pelo que aconteceu com os irmãos evangélicos, pois a comunidade precisa de uma resposta. Eles consideraram que o movimento desencadeado pela sociedade civil organizada é um conforto para a família do pastor Manoel Viriato, um atalaense de 81 anos, que há 50 anos está à frente de sua igreja. A comunidade acompanhou em vigília a reunião de ontem no fórum, quando foram definidas medidas de combate ao crime. O prazo de três dias solicitado pelas autoridades policiais não foi aceito e as pessoas voltaram a bloquear a BR-316. Queimaram pneus e prejudicaram o tráfego de veículos, por mais de uma hora. Eles prometem voltar a realizar bloqueios na estrada caso não haja providências imediatas.

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